É uma pergunta tão velha que deve doer aos ouvidos. Mas é real, actual e incontornável. Não existe uma resposta, mas sim respostas. A minha, e talvez não seja novidade, é: os Angolanos nascidos depois de 2002, isto é, a seguir a nossa vergonhosa e inexplicável guerra civil, terão o futuro que os governantes de hoje quiserem. O futuro dos angolanos depende, primeiramente, da capacidade e espírito de sacrifício e abnegação dos governantes de Angola. Eles têm a obrigação de amar os seus irmãos e desejar-lhes um futuro melhor. Isto passa por atitudes e acções concretas ao nível de adopção de políticas públicas credíveis e exequíveis que tornem possível um saneamento básico, reforma da rede de abastecimento de água potável e de energia eléctrica, reforma e melhoramento dos sistemas de educação e saúde, criação da rede de transportes públicos e reabilitação das redes rodoviárias e ferroviárias, criação do sistema de segurança social que garante subsídios de desemprego, rendimento mínimo de integração social, pensão de roforma e/ou invalidez...
Reformar o sistema político através de reformas legais, para tornar o Estado num Estado de Direito de facto, onde cada cidadão tem segura a sua vida, a sua propriedade, onde os contratos são respeitados e a justiça está ao alcance de todos e não impera a lei do mais forte. Assim será possível gerar-se oportunidades de investimento e emprego.
Todo este quadro de reformas impõe sacrifícios, mas é inadiável, porque é o futuro dos angolanos que está em jogo. Haja coragem e maturidade de consentir esses sacrifícios agora para que os outros vivam melhor. A razão é simples: o comboio já partiu!!!!!!!
Por outor lado, como não vivemos numa ilha deserta ou no paraíso, o futuro dos angolanos e de Angola depende daquilo que a dita comunidade internacionacional permitir que façamos. Interessa que os países credores perdoem a dívida externa aos angolanos e não aos governantes e monitorizem a aplicação do dinheiro na reforma de políticas públicas e do sistema político, nos aspectos assinalados acima.
É importante considerar que a dita comunidade internacional, é composta por países que têm grandes interesses vitais e estratégicos, quer económico quer militares. Só quando estes deixarem de falar mais alto do que o nosso direito a uma vida humana digna de ser vivida, ai sim o futuro dos angolanos será bem melhor porque resultará de um presente promissor.
Até lá, os governantes precisam ganhar a consciência e coragem de que não vale apenas adiar por mais tempo o futuro dos angolanos e de Angola, porque o comboio já partiu e do lado do outros não se vislumbra no horizonte uma vontade para tornar os seus interesses vitais e estratégicos tão importantes quanto o nosso direito a uma vida humana digna de ser vivida. Essa vontade é desejável que aconteça, mas o altruísmo a esse nível é quase impossível e percebe-se, porque mais não seja por razão de Estado será por razões eleitorais.
Upindi Pacatolo
domingo, janeiro 16, 2005
Mensagem à Nação do PR de Angola
POVO ANGOLANO,
CAROS COMPATRIOTAS,
Em 4 de Abril de 2002 aconteceu o abraço entre irmãos, que selou o Acordo de Paz e lançou as bases da reconciliação nacional. À medida que nos afastamos daquela data, os angolanos estão a superar os traumas, a desconfiança recíproca e outros males causados por muitos anos de conflito armado.
Os membros das famílias que estavam dispersas juntam-se agora outra vez. Nos quimbos, nas aldeias, vilas e cidades, as pessoas e as comunidades reorganizam-se no espirito de tolerância e perdão, com os olhos postos no futuro.
Ninguém quer voltar ao passado, que está carregado de sofrimento, luto e dor. Com o espírito de paz, concórdia e harmonia social, os angolanos querem transformar o presente, formar os homens de que o país necessita e alterar o meio que os rodeia para que cada um possa viver melhor.
Este desejo legítimo implica uma atitude responsável perante o próximo, a vida e a sociedade, requer também que nos saibamos situar no espaço e no tempo em que agimos, para escolhermos bem os caminhos que vamos trilhar.
Pertencemos a uma Nação e a um Estado em fase de consolidação. Cada um de nós é a emanação de uma comunidade com hábitos, usos e costumes, princípios morais e valores culturais, que se entrelaçam com os de outras comunidades através de elementos comuns ou de princípios e valores assimilados, que formam o nosso espaço cultural e a nossa identidade. Não vivemos isolados. Estamos em contacto com culturas de outros povos e, portanto, estamos todos sujeitos a influências recíprocas.
No nosso tempo está consagrado o triunfo da economia de mercado. O modo de produção capitalista implantou-se em quase todos os países do mundo. No sistema de distribuição e redistribuição estabeleceu-se o palco das divergências e disputas políticas e partidárias entre a direita e a esquerda.
O traço característico do processo é a concentração da riqueza e do poder económico num pequeno número de famílias e empresas. O seu reflexo, em países atrasados como o nosso, são as relações económicas, comerciais e contratuais feitas na base da desigualdade, da injustiça e das perdas sucessivas dos mais fracos.
A estabilidade política e social passou, assim, a depender da sabedoria e da habilidade como é feita a gestão da contradição entre o capital e o trabalho.
Há também o terrorismo e o aproveitamento de certas religiões, que são tidos como meios para criar instabilidade, impor normas de civilização e a supremacia de poderosos grupos económicos radicais.
É neste contexto adverso que teremos de saber construir o presente e o futuro, defender os interesses políticos, económicos, sociais e culturais de Angola.
Os angolanos querem ter, naturalmente, uma vida digna com um salário que lhe permita o acesso à alimentação, casa, água potável, energia, educação, cultura e lazer.
Esse sonho de bem-estar e progresso constante, para ser realizado, exige de todos nós um trabalho árduo e longo. Esse trabalho poderá durar décadas, mas o importante é começar, persistir e definir correctamente o rumo e os meios para lá chegarmos.
Deposito a minha confiança nos nossos quadros. Acredito que as elites que se vão afirmar nos diversos domínios da ciência, da técnica e da cultura serão capazes de orientar e enquadrar o esforço de todos na construção material e espiritual do nosso futuro.
No dia 11 de Novembro último, na cidade do Namibe, foram apontados os objectivos que vamos perseguir nos próximos dois anos e os programas concebidos para os concretizar.
Apostamos no desenvolvimento e na boa gestão dos recursos humanos; no crescimento acentuado da produção de bens e serviços e, consequentemente, no aumento da riqueza; numa política fiscal mais justa e numa política remuneratória e de protecção social que garanta a resdistribuição equilibrada do rendimento nacional.
Na agenda social, realçámos o esforço para melhorar os nossos índices de saúde e conduzir um combate mais vigoroso contra as grandes endemias, designadamente a malária, a tuberculose, o HIV/SIDA e a doença do sono.
As capacidades e os recursos nacionais disponíveis não são suficientes para garantir a realização com sucesso de todas as nossas intenções.
Ao princípio da boa governação, que assumimos para o efeito, deveremos acrescentar o da diversificação da nossa cooperação internacional. Temos de procurar parceiros internacionais que cooperem connosco no plano institucional e empresarial, numa base mais equilibrada, justa e inovadora, com vantagens mútuas, e que nos permita dar um impulso espectacular à reconstrução do país e ao desenvolvimento nacional multifacetado.
Caros Compatriotas,
Em 2006 os angolanos serão chamados às urnas, a fim de exercerem o seu direito de voto e escolherem livremente, num processo eleitoral competitivo, os seus legítimos representantes.
Será um momento histórico de grande responsabilidade, em que serão igualmente feitas opções fundamentais em relação ao nosso futuro. É salutar que ainda em 2005 se dê espaço ao diálogo e ao debate, que ajude a definir alguns parâmetros para balizar em termos gerais esse futuro.
Refiro-me a um conjunto de princípios, de ideias, de valores e de objectivos de longo prazo em que todos os angolanos se revejam e que poderiam constituir um compromisso da classe política quanto ao futuro de Angola.
Esse instrumento seria sem dúvida uma boa fonte de inspiração para programas eleitorais partidários e uma garantia de termos metas bem definidas, para que o país tenha um rumo certo.
Ao terminar, exprimo os meus agradecimentos a todos os que não cessam de contribuir com o seu esforço para manter acesa a chama da paz e para elevar cada vez mais alto o espírito da reconciliação nacional.
Os meus agradecimentos são dirigidos igualmente a todos os que permanecem nos seus postos de trabalho, cumprindo com zelo e dedicação os seus deveres nesta quadra festiva.
Desejo que entremos com entusiasmo no ano 2005, ano do trigésimo aniversário da fundação da República de Angola. Que transformemos o país num imenso canteiro de obras de que nos possamos orgulhar, festejando o próximo 11 de Novembro com alegria.
Festas felizes e próspero Ano Novo!
CAROS COMPATRIOTAS,
Em 4 de Abril de 2002 aconteceu o abraço entre irmãos, que selou o Acordo de Paz e lançou as bases da reconciliação nacional. À medida que nos afastamos daquela data, os angolanos estão a superar os traumas, a desconfiança recíproca e outros males causados por muitos anos de conflito armado.
Os membros das famílias que estavam dispersas juntam-se agora outra vez. Nos quimbos, nas aldeias, vilas e cidades, as pessoas e as comunidades reorganizam-se no espirito de tolerância e perdão, com os olhos postos no futuro.
Ninguém quer voltar ao passado, que está carregado de sofrimento, luto e dor. Com o espírito de paz, concórdia e harmonia social, os angolanos querem transformar o presente, formar os homens de que o país necessita e alterar o meio que os rodeia para que cada um possa viver melhor.
Este desejo legítimo implica uma atitude responsável perante o próximo, a vida e a sociedade, requer também que nos saibamos situar no espaço e no tempo em que agimos, para escolhermos bem os caminhos que vamos trilhar.
Pertencemos a uma Nação e a um Estado em fase de consolidação. Cada um de nós é a emanação de uma comunidade com hábitos, usos e costumes, princípios morais e valores culturais, que se entrelaçam com os de outras comunidades através de elementos comuns ou de princípios e valores assimilados, que formam o nosso espaço cultural e a nossa identidade. Não vivemos isolados. Estamos em contacto com culturas de outros povos e, portanto, estamos todos sujeitos a influências recíprocas.
No nosso tempo está consagrado o triunfo da economia de mercado. O modo de produção capitalista implantou-se em quase todos os países do mundo. No sistema de distribuição e redistribuição estabeleceu-se o palco das divergências e disputas políticas e partidárias entre a direita e a esquerda.
O traço característico do processo é a concentração da riqueza e do poder económico num pequeno número de famílias e empresas. O seu reflexo, em países atrasados como o nosso, são as relações económicas, comerciais e contratuais feitas na base da desigualdade, da injustiça e das perdas sucessivas dos mais fracos.
A estabilidade política e social passou, assim, a depender da sabedoria e da habilidade como é feita a gestão da contradição entre o capital e o trabalho.
Há também o terrorismo e o aproveitamento de certas religiões, que são tidos como meios para criar instabilidade, impor normas de civilização e a supremacia de poderosos grupos económicos radicais.
É neste contexto adverso que teremos de saber construir o presente e o futuro, defender os interesses políticos, económicos, sociais e culturais de Angola.
Os angolanos querem ter, naturalmente, uma vida digna com um salário que lhe permita o acesso à alimentação, casa, água potável, energia, educação, cultura e lazer.
Esse sonho de bem-estar e progresso constante, para ser realizado, exige de todos nós um trabalho árduo e longo. Esse trabalho poderá durar décadas, mas o importante é começar, persistir e definir correctamente o rumo e os meios para lá chegarmos.
Deposito a minha confiança nos nossos quadros. Acredito que as elites que se vão afirmar nos diversos domínios da ciência, da técnica e da cultura serão capazes de orientar e enquadrar o esforço de todos na construção material e espiritual do nosso futuro.
No dia 11 de Novembro último, na cidade do Namibe, foram apontados os objectivos que vamos perseguir nos próximos dois anos e os programas concebidos para os concretizar.
Apostamos no desenvolvimento e na boa gestão dos recursos humanos; no crescimento acentuado da produção de bens e serviços e, consequentemente, no aumento da riqueza; numa política fiscal mais justa e numa política remuneratória e de protecção social que garanta a resdistribuição equilibrada do rendimento nacional.
Na agenda social, realçámos o esforço para melhorar os nossos índices de saúde e conduzir um combate mais vigoroso contra as grandes endemias, designadamente a malária, a tuberculose, o HIV/SIDA e a doença do sono.
As capacidades e os recursos nacionais disponíveis não são suficientes para garantir a realização com sucesso de todas as nossas intenções.
Ao princípio da boa governação, que assumimos para o efeito, deveremos acrescentar o da diversificação da nossa cooperação internacional. Temos de procurar parceiros internacionais que cooperem connosco no plano institucional e empresarial, numa base mais equilibrada, justa e inovadora, com vantagens mútuas, e que nos permita dar um impulso espectacular à reconstrução do país e ao desenvolvimento nacional multifacetado.
Caros Compatriotas,
Em 2006 os angolanos serão chamados às urnas, a fim de exercerem o seu direito de voto e escolherem livremente, num processo eleitoral competitivo, os seus legítimos representantes.
Será um momento histórico de grande responsabilidade, em que serão igualmente feitas opções fundamentais em relação ao nosso futuro. É salutar que ainda em 2005 se dê espaço ao diálogo e ao debate, que ajude a definir alguns parâmetros para balizar em termos gerais esse futuro.
Refiro-me a um conjunto de princípios, de ideias, de valores e de objectivos de longo prazo em que todos os angolanos se revejam e que poderiam constituir um compromisso da classe política quanto ao futuro de Angola.
Esse instrumento seria sem dúvida uma boa fonte de inspiração para programas eleitorais partidários e uma garantia de termos metas bem definidas, para que o país tenha um rumo certo.
Ao terminar, exprimo os meus agradecimentos a todos os que não cessam de contribuir com o seu esforço para manter acesa a chama da paz e para elevar cada vez mais alto o espírito da reconciliação nacional.
Os meus agradecimentos são dirigidos igualmente a todos os que permanecem nos seus postos de trabalho, cumprindo com zelo e dedicação os seus deveres nesta quadra festiva.
Desejo que entremos com entusiasmo no ano 2005, ano do trigésimo aniversário da fundação da República de Angola. Que transformemos o país num imenso canteiro de obras de que nos possamos orgulhar, festejando o próximo 11 de Novembro com alegria.
Festas felizes e próspero Ano Novo!
domingo, janeiro 09, 2005
55 Dias do Huambo
Amigos faz hoje 12 anos que as 14h10 minutos começara a famosa, terrível, humilhante, difícil e mortífera guerra dos 55 dias do Huambo, entre as FAA(Forças Armadas de Angola mais a Polícia) e as ex-FALA(Forças Armas de Libertação de Angola, braço armado da UNITA). A melhor homenagem que os sobreviventes podem prestar aos irmãos que partiram, é partilhar a sua experiência com aqueles que da guerra apenas ouviram falar. Convido a todos amigos que consultam esta página e são sobreviventes desta hecatombe a enviar os seus depoimentos à pacatolo@yahoo.com.br a fim de os publicarmos. Até 07 de Março data do fim desta maldita guerra partilhemos com os outros a nossa experiência de sobreviventes de uma guerra. É uma homenagem merecida. Podemos ajudar os outros a compreender a estupidez de uma guerra como a nossa e, talvez juntos, tentaremos buscar a sua razão, se que existe. Conto com a vossa coragem e força. Até lá um grande abraço.
quinta-feira, dezembro 30, 2004
Os Nomes Africanos
Os Nomes Africanos2003-08-06 Na sua habitual crónica quinzenal na secção intitulada «Epístolas do Ocidente», do Jornal Angolense, edição de 19 de Julho de 2003, Sousa Jamba, escritor, teceu considerações sobre “Os Nomes Africanos”.
Sousa Jamba começa a sua crónica dizendo que a sua filha que nasceu na América chama-se Simbovala Etosi Kanga Jamba, um nome invulgar nos grandes centros urbanos.
Para Jamba muitos angolanos que encontrou em Luanda e no Planalto Central nas três semanas que permaneceu em Angola estariam agora a rir-se e a dizer: «porque dar a uma criança um nome tão pesado e feio? Porque não deste a tua filha nomes como Vanessa, Hilary, ou CrystalRose? Os colegas vão zombar dela!»
“Felizmente a Vala, como lhe chamamos em casa, nunca irá queixar-se das suas colegas porque ela nasceu no Estados Unidos e lá, ao contrário do que notei em Angola, os nomes africanos sim, mesmo nomes em umbundu são valorizados. Em geral a ideia de um certo multiculturalismo, ou mosaico cultural, está completamente enraizado nos Estados Unidos. Observei que na escola ou até mesmo, na creche, onde temos deixado a nossa filha, há meninas negras oriundas de várias partes de África com nomes africanos como: Nande, Aisha, Shola, Nana; Nyota, Keisha, etc. Muitos negros americanos, por exemplo, prezam os nomes africanos. Nas livrarias e bibliotecas, há manuais especiais para famílias negras que pretendem atribuir um nome africano aos seus filhos”, escreveu.
Sousa Jamba fala do nascimento de sua filha Vala, e informa que “a médica que lhe prestou os primeiros cuidados, de origem polaca, tinha um espaço de crónica semanal no jornal principal de Jacksonville, o Times Union. Numa das suas crónicas, ela escreveu que achava o nome Simbovala tão encantador, depois de eu lhe ter explicado o seu significado. Simbovala vem de um provérbio umbundu: simbovala ovimpembe, kalunga okuvala omuenyo « (Não fiques obcecado com as lavras que já não rendem, porque Deus cuidará da tua vida» ou «nunca te esqueças do teu lado espiritual)». A médica americana lamentou o facto de muitos nomes anglo-saxónicos terem perdido o seu significado”.
“A irmã que segue a Simbovala chama-se Kanga que em kikongo, a língua do pai da mãe das filhas, significa algo que une, aproxima... Em Luanda, Huambo e Katchiungo muitos disseram-me que eu devia ter dado outros nomes pelos menos, em português às minhas filhas. Encontrei mesmo gente que quase sentem pena de mim (acham-me tão rústico por ter dado nomes angolanos às minhas filhas) e das meninas (que passarão o resto das suas vidas com tais nomes). Pelo menos os angolanos passaram a dar aos seus filhos nomes brasileiros e não, como é o caso noutros países, nomes de tractores como Catterpillar. Em países anglófonos Zâmbia, Quénia, o Botswana, etc. há tradições como as de atribuir-se às crianças um nome de infância frequentemente, um nome que tenha a ver com as suas origens (Chanda, Kamau, Itumeleng, por exemplo) é um nome de adulto geralmente Europeu. É aqui onde as coisas completamente tornam-se absurdas, porque os nomes que escolhem têm mais a ver com vedetas americanas e europeias. Na Zâmbia, é possível encontrar um Nixon Mukandawire ou Reagan Bwalya ou mesmo Bronson Shona. No Botswana, há o hábito de dar nomes com significados sonantes e traduzidos literalmente para o inglês. Por isso é que há gente com nomes de Goodman, oh Good Not Another Boy (Oh deus porque um outro rapaz), Gift, Perfect, etc. em certos grupos étnicos por exemplo, os Lamba ou os Tumbukas da Zâmbia há bebés com nomes absurdos como Cabbage (repolho), Spon (colher) e, em muitos casos, bebés com nomes de marcas de carro Landcruiser, Gearbox, etc”.
“O menosprezo a que os nomes africanos são votados está ligado a um aspecto que me impressionou bastante durante as minhas viagens pelo continente, o desprezo por tudo o que seja africano. A única excepção são os da África Ocidental, os nigerianos, mesmo os da classe mais alta (que são multimilionários) nunca menosprezaram os seus nomes de origem. Os nigerianos orgulham-se de nomes como Bola, Adebayo, Adewale, etc. e mesmo quando eles fazem filhos com outras nacionalidades, eles, insistem que o filho deve levar um nome yoruba, igbo, hausa, etc. Em matéria de nomes, os nigerianos não fazem compromissos. Para eles, um africano tem de ter um nome tradicional”, assegurou.
“No mundo, há muita gente que concorda com esta asserção. Quando os ingleses, brasileiros ou mesmo russos vêem um angolano «sobrecarregado» com nomes oriundos das suas terras eles riem-se de nós. O escritor português, Pedro Rosa Mendes, descreve no seu livro Baía dos Tigres, uma viagem que efectuou pela África Central, nos anos 90, um episódio que ficou marcado na minha memória. Um angolano deu nome de Aristóteles ao seu filho mas tinha dificuldades em pronunciar o mesmo. Consciente das potencialidades cómicas de tal incidente, o escritor faz várias referências ao pobre angolano que mal sabia pronunciar o nome do seu próprio filho. Se o filho fosse Sakwanda, Kokelo, Chisola, Epandi, isto é, se vivesse, como as minhas filhas, na América, talvez isso não acontecesse”, concluiu.
UEA-Digital, Semanário Angolense (cortesia), Seomara Santos
Sousa Jamba começa a sua crónica dizendo que a sua filha que nasceu na América chama-se Simbovala Etosi Kanga Jamba, um nome invulgar nos grandes centros urbanos.
Para Jamba muitos angolanos que encontrou em Luanda e no Planalto Central nas três semanas que permaneceu em Angola estariam agora a rir-se e a dizer: «porque dar a uma criança um nome tão pesado e feio? Porque não deste a tua filha nomes como Vanessa, Hilary, ou CrystalRose? Os colegas vão zombar dela!»
“Felizmente a Vala, como lhe chamamos em casa, nunca irá queixar-se das suas colegas porque ela nasceu no Estados Unidos e lá, ao contrário do que notei em Angola, os nomes africanos sim, mesmo nomes em umbundu são valorizados. Em geral a ideia de um certo multiculturalismo, ou mosaico cultural, está completamente enraizado nos Estados Unidos. Observei que na escola ou até mesmo, na creche, onde temos deixado a nossa filha, há meninas negras oriundas de várias partes de África com nomes africanos como: Nande, Aisha, Shola, Nana; Nyota, Keisha, etc. Muitos negros americanos, por exemplo, prezam os nomes africanos. Nas livrarias e bibliotecas, há manuais especiais para famílias negras que pretendem atribuir um nome africano aos seus filhos”, escreveu.
Sousa Jamba fala do nascimento de sua filha Vala, e informa que “a médica que lhe prestou os primeiros cuidados, de origem polaca, tinha um espaço de crónica semanal no jornal principal de Jacksonville, o Times Union. Numa das suas crónicas, ela escreveu que achava o nome Simbovala tão encantador, depois de eu lhe ter explicado o seu significado. Simbovala vem de um provérbio umbundu: simbovala ovimpembe, kalunga okuvala omuenyo « (Não fiques obcecado com as lavras que já não rendem, porque Deus cuidará da tua vida» ou «nunca te esqueças do teu lado espiritual)». A médica americana lamentou o facto de muitos nomes anglo-saxónicos terem perdido o seu significado”.
“A irmã que segue a Simbovala chama-se Kanga que em kikongo, a língua do pai da mãe das filhas, significa algo que une, aproxima... Em Luanda, Huambo e Katchiungo muitos disseram-me que eu devia ter dado outros nomes pelos menos, em português às minhas filhas. Encontrei mesmo gente que quase sentem pena de mim (acham-me tão rústico por ter dado nomes angolanos às minhas filhas) e das meninas (que passarão o resto das suas vidas com tais nomes). Pelo menos os angolanos passaram a dar aos seus filhos nomes brasileiros e não, como é o caso noutros países, nomes de tractores como Catterpillar. Em países anglófonos Zâmbia, Quénia, o Botswana, etc. há tradições como as de atribuir-se às crianças um nome de infância frequentemente, um nome que tenha a ver com as suas origens (Chanda, Kamau, Itumeleng, por exemplo) é um nome de adulto geralmente Europeu. É aqui onde as coisas completamente tornam-se absurdas, porque os nomes que escolhem têm mais a ver com vedetas americanas e europeias. Na Zâmbia, é possível encontrar um Nixon Mukandawire ou Reagan Bwalya ou mesmo Bronson Shona. No Botswana, há o hábito de dar nomes com significados sonantes e traduzidos literalmente para o inglês. Por isso é que há gente com nomes de Goodman, oh Good Not Another Boy (Oh deus porque um outro rapaz), Gift, Perfect, etc. em certos grupos étnicos por exemplo, os Lamba ou os Tumbukas da Zâmbia há bebés com nomes absurdos como Cabbage (repolho), Spon (colher) e, em muitos casos, bebés com nomes de marcas de carro Landcruiser, Gearbox, etc”.
“O menosprezo a que os nomes africanos são votados está ligado a um aspecto que me impressionou bastante durante as minhas viagens pelo continente, o desprezo por tudo o que seja africano. A única excepção são os da África Ocidental, os nigerianos, mesmo os da classe mais alta (que são multimilionários) nunca menosprezaram os seus nomes de origem. Os nigerianos orgulham-se de nomes como Bola, Adebayo, Adewale, etc. e mesmo quando eles fazem filhos com outras nacionalidades, eles, insistem que o filho deve levar um nome yoruba, igbo, hausa, etc. Em matéria de nomes, os nigerianos não fazem compromissos. Para eles, um africano tem de ter um nome tradicional”, assegurou.
“No mundo, há muita gente que concorda com esta asserção. Quando os ingleses, brasileiros ou mesmo russos vêem um angolano «sobrecarregado» com nomes oriundos das suas terras eles riem-se de nós. O escritor português, Pedro Rosa Mendes, descreve no seu livro Baía dos Tigres, uma viagem que efectuou pela África Central, nos anos 90, um episódio que ficou marcado na minha memória. Um angolano deu nome de Aristóteles ao seu filho mas tinha dificuldades em pronunciar o mesmo. Consciente das potencialidades cómicas de tal incidente, o escritor faz várias referências ao pobre angolano que mal sabia pronunciar o nome do seu próprio filho. Se o filho fosse Sakwanda, Kokelo, Chisola, Epandi, isto é, se vivesse, como as minhas filhas, na América, talvez isso não acontecesse”, concluiu.
UEA-Digital, Semanário Angolense (cortesia), Seomara Santos
quarta-feira, dezembro 29, 2004
Política Africana
MOÇAMBIQUE: A FRELIMO e o seu candidato presidencial Armando Guebuza venceram esmagadoramente as eleições gerais de 1 e 2 de Dezembro em Moçambique. Segundo os resultados oficiais anunciados pela CNE, Guebuza venceu as presidenciais com 63,74% dos votos, contra 31,74% do seu mais directo rival Afonso Dhlakama, candidato pela coligação RENAMO-União Eleitoral. Nas legislativas, a FRELIMO conseguiu eleger 160 deputados contra 90 da Renamo-União Eleitoral. Em terceiro lugar das presidenciais ficou Raul Domingos com 2% dos votos, enquanto o seu Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD) não conseguiu atingir o mínimo de 5% de votos exigível para ter acesso à Assembleia da República, o Parlamento moçambicano. Com estes resultados, Guebuza vai dirigir os destinos do país nos próximos cinco anos, substituindo Joaquim Chissano, chefe de Estado desde 1986. Guebuza torna-se assim no terceiro Presidente de Moçambique independente depois de Samora Machel e Joaquim Chissano.
Sobre as eleições presidenciais e legislativas Moçambicanas há muito que se lhes diga. Mas comecemos pela sabedoria política que se vai acumulando ao longo dos tempos. Primeiro vale lembrar que em política aquilo que se ganha é de natureza diferente daquilo que se perde. Por isso, toda a tentativa de comparação é perigosa, já que é difícil encontrar um critério, medidas e termos de comparação. Segundo, sabemos que a democracia não é nem de longe nem de perto o melhor regime, mas dentre todos é o mais excelente ou o menos mau, porque mantém a possibilidade de afastar os maus governantes pacificamente através do exercício do voto livre, pessoal e intransmissível.( a ideia é de Karl Popper) Finalmente, precisamos compreender a distinção que Fareed Zakaria estabelece entre democracia liberais – aqueles em que o liberalismo constitucional é uma realidade, além da realização periódica de eleições livres e justas; e democracias iliberais – aquelas em o liberalismo constitucional não é uma realidade ou está em fase embrionária, mas que realizam periodicamente eleições livres e justas algumas e outras perto disso. Basta olharmos para os nossos países para compreendermos quão interessante é a distinção feita por Zakaria. Feito este aceno e enquadramento da questão, facilmente compreenderão o nosso argumento a favor da vitória de Armando Guebuza, candidato da FRELIMO e sucessor de Chissano. Com a sua vitória a democracia moçambicana ganhou a possibilidade de se ir consolidando sem grandes riscos ou custos elevados; a possibilidade de se evitar um levantamento popular motivado por uma eventual mudança brusca nas políticas púbicas; a possibilidade de dar continuidade aquilo que foi bem feito por Chissano e melhorar aquilo que correu mal; a possibilidade da oposição rever as suas estratégias quiçá Dhlakama repensar a sua retirada e dar lugar a um novo rosto e novo vigor a oposição. Entretanto, perdeu-se a oportunidade de se ter um governo e uma presidência da RENAMO; a possibilidade de se ter uma mudança no rumo das políticos; a possibilidade de ver os interesses de outros grupos sociais que não se identificam com a FRELIMO representados no mais alto nível; a possibilidade de afirmação, implementação e aceitação de uma oposição, enquanto alternativa ao partido que Governa o país desde a independência. Torna-se difícil especular sobre o que aconteceria se Dhlakama ganhasse. Mas, como sabemos que em política aquilo que se ganha é de natureza diferente daquilo que se perde, é nossa opinião que, nesta fase da democracia moçambicana, a continuidade é salutar para consolidação da cultura democrática e estabilidade política do país; para o surgimento do liberalismo democrático de facto, onde o império da lei ou o Estado de direito é uma realidade que se faz sentir no dia-a-dia do pacato cidadão, onde as impunidades, a justiça por mãos próprias e a lei do mais forte já não têm guarida. Somos a favor da mudança, conquanto ela respeite a tradição naquilo que funciona bem e mude apenas aquilo que responde menos bem aos desafios presentes. Mudar pelo simples afã da novidade e querer arrasar tudo em nome da novidade é perigoso e prejudicial, porque corre-se o risco de não chegar ao “porto” ao fim da legislatura e perde-las para o outro nas eleições seguintes, salvo se se governar virados para as eleições, em detrimento de uma política económica que relance a recuperação e o crescimento económico do país, atraindo o investimento estrangeiro e aumento a oferta de trabalho que, em última análise melhorará o poder de compra dos nacionais e o seu nível de vida. Olhando de longe ao último mandato de Chissano e da FRELIMO fica-nos a ideia que o país fez alguns progressos dignos de registo. Por isso, faz sentido manter a FRELIMO e o seu candidato por mais um mandato para continuar com as reformas em curso e as políticas que projectaram a imagem de Moçambique interna e internacionalmente. Em nome da continuidade, estabilidade e melhoramento parcial e gradual da política governativa, das políticas públicas, das políticas económicas e da política externa ... do caminho tortuoso e difícil, mas necessário, para o liberalismo democrático que levará o país a uma democracia liberal, felicitamos a vitória de GUEBUZA e da FRELIMO. Em estilo de conclusão, fica aqui um esclarecimento necessário. Não afirmámos que a eventual vitória de Dhlakama e da RENAMO poderiam trazer para o país uma mudança radical com as consequências enunciadas. Nossa preocupação é mostrar o que os moçambicanos e Moçambique ganham com a continuidade e não estabelecer comparações; o lado bom da democracia que é premiar os bons governantes com a sua reeleição; e o contributo da continuidade para transição de uma democracia iliberal à democracia liberal, minimizando ao máximo as perdas nessa transição.
Upindi Pacatolo
Sobre as eleições presidenciais e legislativas Moçambicanas há muito que se lhes diga. Mas comecemos pela sabedoria política que se vai acumulando ao longo dos tempos. Primeiro vale lembrar que em política aquilo que se ganha é de natureza diferente daquilo que se perde. Por isso, toda a tentativa de comparação é perigosa, já que é difícil encontrar um critério, medidas e termos de comparação. Segundo, sabemos que a democracia não é nem de longe nem de perto o melhor regime, mas dentre todos é o mais excelente ou o menos mau, porque mantém a possibilidade de afastar os maus governantes pacificamente através do exercício do voto livre, pessoal e intransmissível.( a ideia é de Karl Popper) Finalmente, precisamos compreender a distinção que Fareed Zakaria estabelece entre democracia liberais – aqueles em que o liberalismo constitucional é uma realidade, além da realização periódica de eleições livres e justas; e democracias iliberais – aquelas em o liberalismo constitucional não é uma realidade ou está em fase embrionária, mas que realizam periodicamente eleições livres e justas algumas e outras perto disso. Basta olharmos para os nossos países para compreendermos quão interessante é a distinção feita por Zakaria. Feito este aceno e enquadramento da questão, facilmente compreenderão o nosso argumento a favor da vitória de Armando Guebuza, candidato da FRELIMO e sucessor de Chissano. Com a sua vitória a democracia moçambicana ganhou a possibilidade de se ir consolidando sem grandes riscos ou custos elevados; a possibilidade de se evitar um levantamento popular motivado por uma eventual mudança brusca nas políticas púbicas; a possibilidade de dar continuidade aquilo que foi bem feito por Chissano e melhorar aquilo que correu mal; a possibilidade da oposição rever as suas estratégias quiçá Dhlakama repensar a sua retirada e dar lugar a um novo rosto e novo vigor a oposição. Entretanto, perdeu-se a oportunidade de se ter um governo e uma presidência da RENAMO; a possibilidade de se ter uma mudança no rumo das políticos; a possibilidade de ver os interesses de outros grupos sociais que não se identificam com a FRELIMO representados no mais alto nível; a possibilidade de afirmação, implementação e aceitação de uma oposição, enquanto alternativa ao partido que Governa o país desde a independência. Torna-se difícil especular sobre o que aconteceria se Dhlakama ganhasse. Mas, como sabemos que em política aquilo que se ganha é de natureza diferente daquilo que se perde, é nossa opinião que, nesta fase da democracia moçambicana, a continuidade é salutar para consolidação da cultura democrática e estabilidade política do país; para o surgimento do liberalismo democrático de facto, onde o império da lei ou o Estado de direito é uma realidade que se faz sentir no dia-a-dia do pacato cidadão, onde as impunidades, a justiça por mãos próprias e a lei do mais forte já não têm guarida. Somos a favor da mudança, conquanto ela respeite a tradição naquilo que funciona bem e mude apenas aquilo que responde menos bem aos desafios presentes. Mudar pelo simples afã da novidade e querer arrasar tudo em nome da novidade é perigoso e prejudicial, porque corre-se o risco de não chegar ao “porto” ao fim da legislatura e perde-las para o outro nas eleições seguintes, salvo se se governar virados para as eleições, em detrimento de uma política económica que relance a recuperação e o crescimento económico do país, atraindo o investimento estrangeiro e aumento a oferta de trabalho que, em última análise melhorará o poder de compra dos nacionais e o seu nível de vida. Olhando de longe ao último mandato de Chissano e da FRELIMO fica-nos a ideia que o país fez alguns progressos dignos de registo. Por isso, faz sentido manter a FRELIMO e o seu candidato por mais um mandato para continuar com as reformas em curso e as políticas que projectaram a imagem de Moçambique interna e internacionalmente. Em nome da continuidade, estabilidade e melhoramento parcial e gradual da política governativa, das políticas públicas, das políticas económicas e da política externa ... do caminho tortuoso e difícil, mas necessário, para o liberalismo democrático que levará o país a uma democracia liberal, felicitamos a vitória de GUEBUZA e da FRELIMO. Em estilo de conclusão, fica aqui um esclarecimento necessário. Não afirmámos que a eventual vitória de Dhlakama e da RENAMO poderiam trazer para o país uma mudança radical com as consequências enunciadas. Nossa preocupação é mostrar o que os moçambicanos e Moçambique ganham com a continuidade e não estabelecer comparações; o lado bom da democracia que é premiar os bons governantes com a sua reeleição; e o contributo da continuidade para transição de uma democracia iliberal à democracia liberal, minimizando ao máximo as perdas nessa transição.
Upindi Pacatolo
Pensar Angola
QUO VADIS ANGOLA?
Angola és um país do continente das grandes descobertas, sofreste a colonização. Sempre choraste! Como colonizado, foste quantificado no número dos países sub-desenvolvidos; com teus recursos naturais sub-aproveitados (...).Sempre choraste! Por seres um país da área sub-sariana no continente, e ainda mais, negro, foste catalogado como oriundo do chipanzé, pobre, miserável, indigente, mendigo, sempre infantil sem iniciativas para se libertar desta situação periclitante... Quem te colonizou, assim te estigmatizou, apresentou-te à humanidade, e vendeu a preço barato como geração a ser extinta (...) mesmo com os teus recursos naturais, capacidades intelectuais e potencialidades de vária ordem, permaneceste sempre chorando e, sem nunca crescer. Querendo despojar-te dos bens que Deus te outorgou com carinho e a natureza te reservou, foste feito assalariado dos grandes latifúndios que a história, no tempo te oferecia. Sempre a chorar, permaneceste na cabana , na estrada, nas fazendas, na pedreira (...) em casa do patrão, sempre babá ou macega, te estagnaste, cuidando cachorros, gado, varrendo a casa, lavando o patrão (...) e, continuaste chorando, esperando pelo momento da liberdade. Aproveitando-se da tua força, sem escolarização, como dizia Salazar “não deixeis que se dê ao povo (indígena mais do que a 4ª classe para que continue humilde e obediente”. Sem abertura de horizontes, foste lançado para o comércio triangular e fizeram ti escravo, mão-de-obra barata, para te tornares construtor de grandes monumentos históricos, que hoje, como construtor histórico, nem sequer tens direito de visitá-los, pois já carece de teu nome e esforço que bradam aos Céus, de modo que em alguns países aonde foste parar, tais como: Joanesburg (África do Sul), Brasil, S.Tomé e Príncipe, Portugal, Estados Unidos da América, etc. és, hoje, na conjuntura do todos, expressão do lúdico, sexo, desporto, carnaval, ladrão, pobre de rua, suspeita, traficante de entorpecentes, criado, aquele que dá pena, vagabundo, etc.
Diante deste quadro, como não permanecerás sempre chorando! Angola acabaste sendo “osandji y’omeke yipayela ava yalya”, isto é, trabalhaste para o enriquecimento das grandes potência, dos opulentos sociais, daqueles que te colocaram a arma na mão com o princípio romano de expansão do domínio, que diz: “divide para melhor reinares” e, fazendo de ti, um País de fortes tensões, de guerras fratricidas, mundo de desequilíbrios, terra de pólvora, cemitério sempre renovado só de jovens que deviam ser os construtores de uma nova pátria e civilização, palco de negócio de todas as doenças (DTS), mercado favorável da propaganda hostil (...) e, tu continuaste sempre chorando. Assim, as tuas riquezas: petróleo, diamantes, café, sisal, palanca negra, tuas lindas florestas, as águas doces, (colocado até em 4º lugar no mundo das grandes potências hídricas), energia elétrica, peixe, banana, milho, feijão, batata rena e doce, ouro, borracha, calcário, madeira, zinguba, sal, florestas, terras potáveis, reservas naturais, etc. Tudo isto, passou sendo denominado indiretamente como riquezas estrangeiras, enquanto tu Angola, país da África, do Sul de Saara e negra, foste visto como pobre, coitadinho e sub-desenvolvido. E, tanto quanto se saiba, pelo estudo aturado, sobre os sinais vitais do sub-desenvolvimento, podemos dizer que tal existe quando se registra: A elevada taxa de natalidade (acho que não é o caso para Angola, já que pela extensão do país, até a densidade populacional se considera muito diminuta), mortalidade infantil, sub-alimentação, carência ou má gestão da água potável, habilitação escolar deficiente, fraca cobertura sanitária, distribuição deplorável das riquezas, valorização das ninharias, braços demasiados na agricultura rudimentares sem as mínimas condições de renda, industrialização deficiente e insuficiente, subordinação econômica, desigualdades sociais clamorosas, uma classe média diminuta, desemprego e sub-emprego, analfabetismo, situação inferiorizante da mulher, inexistência de meio de comunicação social ou uso e desfruto em prol dos exploradores, fraudulentos sociais, todos poderosos do país, deploráveis meios de transportes, estradas e pontes etc. E, tu que reflectes comigo sobre nossa trajetória histórica, nesta linguagem tão simplória, que dizes? Que havemos de fazer para sairmos desta situação catastrófica? Qual será teu contributo como verdadeiro cidadão que deve participar da política do país? Angola precisa de um novo sorriso, depois desta paz almejada e alcançada, através do teu entendimento contigo mesmo, sem a presença daquele que te silenciou, te massacrou física e psicologicamente e te dividiu para melhor reinar?! Vamos juntos reflectir, encetando o caminho para podermos salvar o que ainda nos resta. Os teus filhos não voltem mais a chorar, não sejam mais vistos como os indigentes da sociedade, pedintes, fraudulentos, injustos... Não voltem mais a chorar pela falta do que comer. “Dai-lhes vós mesmo de comer”, foi ontem o grito de Jesus, diante da comunidade que padecia de fome; nosso país tem recursos, tem condições de sobreviver e desenvolver-se, até mesmo de chegar ao podium dos vencedores, nosso país pode vencer, basta que todos nós acreditemos e trabalhemos para o efeito. É pouca vergonha com todos os nossos recursos estarmos sempre de braços estendidos ao mesmo tempo que damos gratuitamente nosso petróleo, diamantes, ouro e outros tantos recursos. Que os teus filhos, depois de reconstruir o país, nas suas infra-estruturas, mentes e seus espíritos, depois de tomar consciência do bem comum e divisão eqüitativa dos bens de todos, depois de terminarem de chorar, todos voltem a cantar um hino de recuperação, de tudo o que se perdeu durante a colonização, a escravização, guerra fratricida de mais de quatro décadas. E tu missionário, diocesano ou religioso, pastor, membro do governo ou de um partido político, agente de serviço de inteligência, militar ou paramilitar, etc. que fazes para que o sorriso seja uma realidade em Angola? Diante das estruturas do mal, qual tem sido tua parte como artífice da harmonia, da justiça social, do desenvolvimento e da paz? Que por ti, Angola volte a cantar um hino novo; um hino de liberdade. “Havemos de voltar”, como dizia António Agostinho Neto.
Martinho Kavaya (Padre diocesano de Benguela, estudante no Brasil)
Angola és um país do continente das grandes descobertas, sofreste a colonização. Sempre choraste! Como colonizado, foste quantificado no número dos países sub-desenvolvidos; com teus recursos naturais sub-aproveitados (...).Sempre choraste! Por seres um país da área sub-sariana no continente, e ainda mais, negro, foste catalogado como oriundo do chipanzé, pobre, miserável, indigente, mendigo, sempre infantil sem iniciativas para se libertar desta situação periclitante... Quem te colonizou, assim te estigmatizou, apresentou-te à humanidade, e vendeu a preço barato como geração a ser extinta (...) mesmo com os teus recursos naturais, capacidades intelectuais e potencialidades de vária ordem, permaneceste sempre chorando e, sem nunca crescer. Querendo despojar-te dos bens que Deus te outorgou com carinho e a natureza te reservou, foste feito assalariado dos grandes latifúndios que a história, no tempo te oferecia. Sempre a chorar, permaneceste na cabana , na estrada, nas fazendas, na pedreira (...) em casa do patrão, sempre babá ou macega, te estagnaste, cuidando cachorros, gado, varrendo a casa, lavando o patrão (...) e, continuaste chorando, esperando pelo momento da liberdade. Aproveitando-se da tua força, sem escolarização, como dizia Salazar “não deixeis que se dê ao povo (indígena mais do que a 4ª classe para que continue humilde e obediente”. Sem abertura de horizontes, foste lançado para o comércio triangular e fizeram ti escravo, mão-de-obra barata, para te tornares construtor de grandes monumentos históricos, que hoje, como construtor histórico, nem sequer tens direito de visitá-los, pois já carece de teu nome e esforço que bradam aos Céus, de modo que em alguns países aonde foste parar, tais como: Joanesburg (África do Sul), Brasil, S.Tomé e Príncipe, Portugal, Estados Unidos da América, etc. és, hoje, na conjuntura do todos, expressão do lúdico, sexo, desporto, carnaval, ladrão, pobre de rua, suspeita, traficante de entorpecentes, criado, aquele que dá pena, vagabundo, etc.
Diante deste quadro, como não permanecerás sempre chorando! Angola acabaste sendo “osandji y’omeke yipayela ava yalya”, isto é, trabalhaste para o enriquecimento das grandes potência, dos opulentos sociais, daqueles que te colocaram a arma na mão com o princípio romano de expansão do domínio, que diz: “divide para melhor reinares” e, fazendo de ti, um País de fortes tensões, de guerras fratricidas, mundo de desequilíbrios, terra de pólvora, cemitério sempre renovado só de jovens que deviam ser os construtores de uma nova pátria e civilização, palco de negócio de todas as doenças (DTS), mercado favorável da propaganda hostil (...) e, tu continuaste sempre chorando. Assim, as tuas riquezas: petróleo, diamantes, café, sisal, palanca negra, tuas lindas florestas, as águas doces, (colocado até em 4º lugar no mundo das grandes potências hídricas), energia elétrica, peixe, banana, milho, feijão, batata rena e doce, ouro, borracha, calcário, madeira, zinguba, sal, florestas, terras potáveis, reservas naturais, etc. Tudo isto, passou sendo denominado indiretamente como riquezas estrangeiras, enquanto tu Angola, país da África, do Sul de Saara e negra, foste visto como pobre, coitadinho e sub-desenvolvido. E, tanto quanto se saiba, pelo estudo aturado, sobre os sinais vitais do sub-desenvolvimento, podemos dizer que tal existe quando se registra: A elevada taxa de natalidade (acho que não é o caso para Angola, já que pela extensão do país, até a densidade populacional se considera muito diminuta), mortalidade infantil, sub-alimentação, carência ou má gestão da água potável, habilitação escolar deficiente, fraca cobertura sanitária, distribuição deplorável das riquezas, valorização das ninharias, braços demasiados na agricultura rudimentares sem as mínimas condições de renda, industrialização deficiente e insuficiente, subordinação econômica, desigualdades sociais clamorosas, uma classe média diminuta, desemprego e sub-emprego, analfabetismo, situação inferiorizante da mulher, inexistência de meio de comunicação social ou uso e desfruto em prol dos exploradores, fraudulentos sociais, todos poderosos do país, deploráveis meios de transportes, estradas e pontes etc. E, tu que reflectes comigo sobre nossa trajetória histórica, nesta linguagem tão simplória, que dizes? Que havemos de fazer para sairmos desta situação catastrófica? Qual será teu contributo como verdadeiro cidadão que deve participar da política do país? Angola precisa de um novo sorriso, depois desta paz almejada e alcançada, através do teu entendimento contigo mesmo, sem a presença daquele que te silenciou, te massacrou física e psicologicamente e te dividiu para melhor reinar?! Vamos juntos reflectir, encetando o caminho para podermos salvar o que ainda nos resta. Os teus filhos não voltem mais a chorar, não sejam mais vistos como os indigentes da sociedade, pedintes, fraudulentos, injustos... Não voltem mais a chorar pela falta do que comer. “Dai-lhes vós mesmo de comer”, foi ontem o grito de Jesus, diante da comunidade que padecia de fome; nosso país tem recursos, tem condições de sobreviver e desenvolver-se, até mesmo de chegar ao podium dos vencedores, nosso país pode vencer, basta que todos nós acreditemos e trabalhemos para o efeito. É pouca vergonha com todos os nossos recursos estarmos sempre de braços estendidos ao mesmo tempo que damos gratuitamente nosso petróleo, diamantes, ouro e outros tantos recursos. Que os teus filhos, depois de reconstruir o país, nas suas infra-estruturas, mentes e seus espíritos, depois de tomar consciência do bem comum e divisão eqüitativa dos bens de todos, depois de terminarem de chorar, todos voltem a cantar um hino de recuperação, de tudo o que se perdeu durante a colonização, a escravização, guerra fratricida de mais de quatro décadas. E tu missionário, diocesano ou religioso, pastor, membro do governo ou de um partido político, agente de serviço de inteligência, militar ou paramilitar, etc. que fazes para que o sorriso seja uma realidade em Angola? Diante das estruturas do mal, qual tem sido tua parte como artífice da harmonia, da justiça social, do desenvolvimento e da paz? Que por ti, Angola volte a cantar um hino novo; um hino de liberdade. “Havemos de voltar”, como dizia António Agostinho Neto.
Martinho Kavaya (Padre diocesano de Benguela, estudante no Brasil)
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