<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578</id><updated>2011-09-29T08:12:00.533+01:00</updated><title type='text'>ONDAKA USONGO!</title><subtitle type='html'>ONDAKA USONGO( expressão umbundu que significa "a palavra é flecha" pelo que "pode ferir, profundamente, o nosso interlocutor").Espero que usemos da palavra para gerar comunhão, respeitando o direito de opinião que assiste cada um de nós. Reservo-me o direito de não publicar artigos e/ou de excluir comentários com conteúdos pouco dignos desse exercício de cidadania. Força e coragem. Podem comentar directamente.


IMAGEM: MINHA CAIMAMA, SÃO JOÃO - LOBITO;IGREJA E ESCOLA PAROQUIAL</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>71</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-7828724097944772446</id><published>2010-04-02T20:41:00.000+01:00</published><updated>2010-04-02T20:41:22.060+01:00</updated><title type='text'>MAIS EMPREGO OU MAIS REPOUSO???!!!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encontrei-me, por acaso, com um amigo que acabara de ser pai. Depois dos formais e circunstanciais parabéns, o amigo começou a desfiar o rosário da experiência de ser pai em Angola; as dificuldades das maternidades; os nervos a flor da pele devido a ansiedade e, sobretudo, a incerteza do resultado... No final, as coisas correram bem. Ele tinha em mãos os dois amores da sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A conversa foi fluindo, quando o meu amigo decidiu falar sobre a licença da maternidade. Ele defendia que os 3 meses de licença a que as parturientes tinham direito eram poucos. A mãe e a criança precisavam de mais tempo até pela saúde da criança. Precisa-se rediscutir a lei e ver a possibilidade de alargar a licença para 5 ou 6 meses e 1 mês para os pais, como se faz em muitos países europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvir o meu amigo, lembrei-me das aulas e dos estudantes de Economia e Protecção Social na UniPiaget em Benguela. Curiosamente, partilhavam as mesmas ideias do meu amigo. Ideias bastante progressistas para o contexto. Ainda bem que não era só frescura do meu amigo, porque corria o risco de pensar que eram manias da malta que andou por fora e pensa que tudo pode ser transportado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só me lembrei das aulas e dos estudantes, como também me lembrei dos argumentos que apresentava, depois de enche-los com perguntas. Aprecio imenso a maieutica socrático que prefiro criar perguntas e cenários que levam os estudantes a dar resposta e a sentirem as dificuldades associadas aos seus argumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, servi-me do mesmo estilo e atirei para o amigo: "quais te paracem ser os grandes desafios femininos em Angola? Acesso ao primeiro emprego ou dilatar os direitos da maternidade? Acesso a formação qualificada e com perspectiva de conseguir emprego ou dilatar os direitos da maternidade? Reduzir a probreza feminina, mais acentuada que a masculina ou&amp;nbsp;reduzir as probabilidades de se quebrar o ciclo de pobreza com acesso ao mercado do trabalho?&amp;nbsp;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ausência de dados empíricos para sustentar a maior parte das respostas, é verosímel defender-se que as precupações do meu amigo e dos meus estudantes estão viradas para aquelas mulheres que já têm o seu emprego. E as outras, sobretudo jovens em busca de primeiro emprego e darem no duro em formação para terem acesso a empregos bem remunerados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente&amp;nbsp;parece não haver incompatibilidades entre os dois objectivos: mais protecção a maternidade e mais emprego para as mulheres. Na prática, os dois objectivos exigem meios que conflituam entre si. Os objectivos parecem complementares, mas alguns meios para os alcançar são conflituantes. Precisa-se definir com clareza os meios para satisfazer os objectivos, mas sobretudo as prioridades que devem merecer; criar um mecanismo de avaliação ex-antes, on going e ex-post eficiente e eficaz para permitir um equilibrio entre os meios a serem usados e a pertinência de se introduzir outros objectivos de forma a eliminar-se a potencial conflitualidade, gerando-se uma complementariedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com exemplos das aulas, disse ao meu amigo que concordava com a luta dele, embora não achasse oportuno o momento. O mai urgente é dar formação que permite as jovens terem acesso a bons empregos com excelentes remunerações. Dessa forma, elas saberão escolher o tempo para dar azos à maternidade. A medida que formos avançando na redução do desemprego feminino e da pobreza ou miséria gritante que é mais grave nas mulheres, estaremos em condições proceder ao alargamento dos benefícios da maternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo olhou-me incrédulo e rematou: " que se passe de 3 para 4 ou 5 meses de repouso". Tens noção dos efeitos dessa medida no mercado de trabalho? Perguntei. Vamos melhorar o mecanismo de inspecção do mercado de trabalho para garantir igualdade de oprtunidade. Não estarás a ser demasiado optimista e menos realista, perguntei. Talvez, mas o que me ocorre fruto do que estou a viver. Compreendo, disse eu. Estamos juntos nessa luta, mas precisamos estar certos dos sinais que enviamos para o mercado de trabalho. Aumentar a taxa de natalidade, não me parece ser a grande preocupação do momento, rematei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Katwalisile!!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-7828724097944772446?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/7828724097944772446/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=7828724097944772446' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/7828724097944772446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/7828724097944772446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2010/04/mais-emprego-ou-mais-repouso.html' title='MAIS EMPREGO OU MAIS REPOUSO???!!!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-5090950139013358238</id><published>2010-03-18T00:15:00.000Z</published><updated>2010-03-18T00:15:40.601Z</updated><title type='text'>IR A ANGOLA? SÓ COM PRESIDENTE ELEITO DEMOCRATICAMENTE!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;«Ir a Angola? Só quando o Presidente da República for eleito democraticamente!» Pois é! Tal e qual. Foi - me dito numa aula por um professor. Como se não bastasse, tenho um colega que é do Bloco de Esquerda (BE)&amp;nbsp;e não Bloco Democrático (BD)! Na primeira oportunidade, lancei a pergunte atravessada na garganta: porque os deputados do BE não receberam o Presidente José Eduardo dos Santos a quando da sua visita à Portugal? «Porque só nos relacionamos com democratas!» Toma e embrulha, como diriam os meus amigos e colegas dos tempos da UCP - Lisboa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não satisfeito com as duas tiradas, esperei pelo intervalo para pôr&amp;nbsp;à prova os meus dois interlocutores. Para isso, servi-me dos meus pergaminhos da licenciatura em Ciência Política e não Ciências Políticas. Engraçado né? É que na UCP o curso não tem plural como não têm outros cursos da faculdade de Ciências Humanas. Mas essa do plural dos cursos fica para outro dia. Hoje mesmo interessa a conversa com os meus dois interlocutores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembrei-me que os meus interlocutores não eram os únicos a avaliar a qualidade do processo democrático angolano - digo processo democrático e não democracia -&amp;nbsp;pela ausência ou pela não realização das eleições presidenciais. Os adeptos dessa tesa abundam em Angola. Como diriamos no Lobito, os defensores dessa tese andam por ai em saldo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mal o professor e o meu colega apareceram, pedi-lhes 5 minutos do seu tempo. E lancei a pergunta clássica: voces olham a democracia como um processo ou como um estado adquirido? «Um processo, respoderam eles». Então, concordam comigo que enquanto processo ela tem avanços e recuos; depende do contexto concreto em que se processa e do papel que os actores políticos concretos jogam nele? «Sim!» Por que razão insistem em avaliar o processo democrático angolano pela ausência de eleições presidenciais?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O meu professor percebeu a falacia da sua afirmação e corrigiu o tiro: « o processo democrático angolano ainda não chegou a patamares que me satisfazem. Prefiro ir a Moçambique que já deu passos bem mais satisfatórios. Até lá, continuarei a olhar de longe a realidade angolana!» &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada a dizer. Posto dessa forma, temos que respeitar as preferências dos outros. Democracia é também defender a opinião dos outros, mesmo quando não concordamos com elas, como diria o autor do "Emílio" ou do "Contrato Social".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem está habituado a olhar para a democracia como um processo, compreende&amp;nbsp;os avanços e os recuos inerentes ao processo, mesmo não aceitando. Compreende também o papel que os vários actores jogam no processo, mesmo não aceitando. (Para os amigos de fora e de dentro do país que ainda defendem a tese das eleições presidenciais ou do recuo da democracia com a aprovação da Constituição, devo lembrar algumas dicas):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os processos de transição para a democracia são passíveis de sofrer imensas influências. No nosso caso, é preciso não esquecer que o Governo do MPLA ganhou a guerra em 2002; o partido MPLA ganhou as eleições legislativas em 2008; e que vitória, né?! Tendo esses ganhos a seu favor, combinados com a responsabilidade histórica de gerir o processo de transição democrática do país, só mesmo distraidamente entregaria o ouro ao bandido. É claro que precisa tirar todos ganhos políticos daí decorrentes mais não seja pelo facto da realização de eleições transformar-se numa regularidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com tudo isso a seu favor, é óbvio que tinha de capitalizar. Não o fazendo estaria a cometer um grande erro político. Desses erros de principiantes. Como a história é feita e escrita por homens mortais e a política é a arte do possível, a sua gestão está intimamente ligada aos interesses dos actores principais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, quem tem os pés no chão e não perdeu o habito de ler e aprender com as experiências dos outros povos há-de achar essas linhas óbvias demais... Basta recordar que África e America Latina são pródigas em exemplos de eleições presidenciais e parlamentares sucessivas que não dão garantia de excelência da senda de democratização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nosso ponto fundamental é: os processos democráticos envolvem muito mais do que realização de eleições. Embora a sua realização seja condição sine qua non, ela não é suficiente para avaliar a nobreza do processo. Se fosse, os países africanos e latino -americanos que as realizam com regularidade seriam democracias bem cotadas nos ratings da freedom house. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para os que olham a Democracia como um Estado, esta conversa é mera banalidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Katwalisile!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-5090950139013358238?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/5090950139013358238/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=5090950139013358238' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/5090950139013358238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/5090950139013358238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2010/03/ir-angola-so-com-presidente-eleito.html' title='IR A ANGOLA? SÓ COM PRESIDENTE ELEITO DEMOCRATICAMENTE!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-5353344379384087218</id><published>2010-03-06T19:34:00.002Z</published><updated>2010-03-06T19:47:12.662Z</updated><title type='text'>SUPREMACIA ETNICA!!!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda bem que há gente que pensa com muita cientificidade e banaliza as banalidades!!! Assim se faz a diferença. Os esclarecimentos que Fernando Pacheco prestou sobre a "Supremacia dos Kimbundu" no executivo angolano, materia publicada pelo Semanário angolense, são dignos de umas aulas nas melhores universidades do ocidente. Haja massa cinzenta!!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fernando Pacheco fez-me lembrar os tempos da fau. Estava prestes a terminar o curso e precisava arranjar um tema e elaborar o pré-projecto da minha tese. Armado que conhecia Angola, a diversidade do seu povo... e que tinha aprendido muito bem a lição sobre tribo, etnia, grupo étnico, zonas de predominância etnico-tribal... apresentei o meu tema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pouco depois, em aula aberta, apresentei o meu pré-projecto. Com a ajuda das tecnologias projetei o mapa de Angola com as imaginários regiões ocupadas pelos supostos grupos étnicos ou tribos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminados os meus 15 minutos, a orientadora simpatica perguntou: quais são os critérios de identificação étnica em Angola? São eles obejctivos ou subjectivos? Dependem dos sujeitos concretos ou é uma construção esteriotipada? Não existem casamentos livres em Angola? A mobilidade das pessoas é proibida? As perguntas foram-se multiplicando e com elas as minhas inseguranças e incertezas. Mas o exercício serviu para aprender algumas coisas que vislumbrei na reflexão de Fernando Pacheco e subscrevo plenamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Devo confessar que quando li a matéria sobre "56% do Poder Executivo é&amp;nbsp;Kimbundu" na edição 356 do Semanário Angolense, fiquei muito triste por duas razões:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1ª&amp;nbsp;a leviandade com que o assunto é tratado;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2ª pouco ou nenhum cuidado sobre a operacionalização dos conceitos chaves&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entrtanto, na edição 357, a reflexão de Fernando Pacheco devolveu-me a tranquilidade de espírito que precisava. Nas lidas académicas é mais recomendável falar-se em grupos etno-linguísticos e não mais em tribos ou etnias, termos usados e abusados por uma antropologia, etnologia e etnolinguística de matiz colonialista/racista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, será mais defensável academicamente o seguinte axioma: os grupos ou comunidades&amp;nbsp;etno - linguísticos estavam tendencialmente distribuidos nas seguintes regiões de Angola (faz-se fé num passado remoto em que era assim, pressuposto normativo). Usa-se o verbo estar no passado porque aceita-se o desconhecimento documentado do movimento migratório dos angolanos em Angola; dos casamentos efectuados entre as várias pessoas de grupos diferentes; e, sobretudo, do actual povoamento de Angola.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por exemplo, quem vive em Benguela sabe que existem bairros com uma predominância de pessoas que falam português, umbundu, kikongo e crioulo de cabo verde. Será justo afirmar, gratuitamente, que a população de Benguela fala umbundu ou Benguela é uma região umbundu? Ou predominantemente umbundu? Qual é a sustentabilidade empirica de uma afirmação como essa? Esse fenómeno é visível em outras cidades de Angola.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pertença a um grupo ou comunidade etno-linguísta está intimamente ligada a um sentimento interior. Assim, a identificação de alguém com este ou aquele grupo passa sempre pela partilha de alguns traços característicos desse grupo ou comunidade. Ao limite, estamos a defender que cabe aos individuos concretos identificarem-se ou não com os grupos ou comunidades etno-linguísticas. Caberá aos cientistas sociais a elaboração de um estudo de opinião ou de outra índole para ajudar a avaliar a forma como cada um de nós define a sua identidade nacional ou regional ou etno-linguística ou religiosa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há massa cinzenta para avançar. Dinheiro não deverá ser o problema. Basta haver interesse em financiar aqueles que querem trabalhar. Haja mecenas para os grandes e pequenos projectos de investigação social a aguardar por dinheiro nos computadores pessoais de jovens académicos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parabéns Semanário Angolense pela iniciativa de lançar a discussão. Parabéns Fernando Pacheco pelos brilhantes esclarecimentos!!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Katwalisile!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-5353344379384087218?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/5353344379384087218/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=5353344379384087218' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/5353344379384087218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/5353344379384087218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2010/03/coisas-da-terra-1.html' title='SUPREMACIA ETNICA!!!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-9113438098141785138</id><published>2010-03-04T23:49:00.001Z</published><updated>2010-03-05T00:22:58.061Z</updated><title type='text'>COISAS DA TERRA!!!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uns anos, tive a oportunidade de conhecer as terras de MABIDA. O primo que me foi apanhar ao aeroporto de Jobgh me ofereceu uma visita guiada pelas principais ruas dessa cidade. A caminho de Pretória, estacionou o carro em frente ao edificio do Union Building! A seguir convidou-me a sair do carro&amp;nbsp;e com um sorriso no lábio disse-me: este é o edificio da cidade alta da África do Sul! Podes subir por estas escadas e ir até ali, ou então dares uma volta por esse jardim!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei tão aparvalhado com a situação que, cheguei a pensar que o primo estava a zoar com a minha cara! Mas era verdade. Estavamos em pleno jardim oficial do Mr. Mbeki! Sem guardas a afastar educada ou rudemente os visitantes, nem com olhares ameaçadores. Simplesmente, eu não queria acreditar no que estava a acontecer.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas que culpa tinha eu, nascido e crescido na caimama. Na província, onde o pessoal é bazeza, como se diz na capital! (Um dia vou escrever sobre esses abusos dos da capital!) Lembrei-me de ter passado apressadamente na nossa capital e de me terem indicado de&amp;nbsp;kaxexe a nossa cidade alta. Porque se o fizessem de perto ou estacionar o carro bem perto, seria maka grande. Também lembrei-me do meu kamba da tuga que&amp;nbsp;convidei para assistir ao meu casório.&amp;nbsp;Na capital, hospedou-se bem junto a cidade alta. Armado em turista, sacou da maquina fotográfica e experimentou tirar umas fotos. Azar!&amp;nbsp;"Meu, não faz isso. Podes ficar sem a cara e&amp;nbsp;sem chance de saber de onde veio o tiro!" Conselho de gente avisada e habituada aos&amp;nbsp;nossos modos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, em terras de Madiba tive dificuldade de digerir a informação e a surpresa que o primo me aprontou. Dá para entender?! Claro que dá. Os habitos não mudam assim do dia para noite. Precisamos de tempo para nos habituar a novas realidades.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É tão verdade que outro dia, nos tempos da faculdade, chamei o elevador, já que&amp;nbsp;no nosso kimbo não havia. A porta abriu e,&amp;nbsp;para surpresa minha, lá estava o Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva,&amp;nbsp;o actual presidente&amp;nbsp;da República Portuguesa. Atrapalhado com o encontro inesperado, pedi desculpa e deixei o elevador e o Professor seguirem seu caminho, apesar da simplicidade e insistência do Professor para eu entrar!!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dá para compreender a trapalice! Claro que sim. Na&amp;nbsp;nossa terra, os ilustres fazem-se anunciar e querem distancia dos comuns dos mortais. Isso mesmo. Por mais que queiram ser simples, acabam sendo consumidos pelo modus operandi.&amp;nbsp;Tal qual aconteceu com um ilustre da terra que tive oportunidade de conhecer em Lisboa. Para saudá-lo na banda tive de marcar audiência e esperar uma semana!!! Pode?! Claro que sim. Na banda, todos somos ilustres, excelências...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A desabituação é tanta que, a caminho da fau fui ultrapassado pelo ministro português da economia.&amp;nbsp;Acabara de sair do metro e ia, bastante apressado, ao Parlamento da República. O trajecto a pé leva 15 minutos. Mas ele ia sozinho. Para ter certeza do que os meus olhos viam, olhei&amp;nbsp;a volta para certificar-me que o homem ia mesmo sozinho. E era verdade. Simplesmente sozinho, a pé, num percurso de 15 minutos... Como os outros são simples, né!?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A simplecidade só contraste com&amp;nbsp;a forma desprezível e indiferente com que alguns políticos se tratam. Transformam&amp;nbsp; a diferença política, o combate político em combate pessoal ou&amp;nbsp;desprezo pessoal. Só assim é possível compreender a indiferença do deputado comunista que cruzou com o ministro da economia socialista. Cheguei a pensar que&amp;nbsp;nenhum deles terá visto o outro. Mentira, porque o passeio era tão estreito que não dava para passarem os dois ao mesmo tempo. Um deles teve de parar para dar prioridade ao outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um aperto de mão é pedir muito?! São os habitos da terra. Saudamo-nos com um aperto de mão ou gestos bem visíveis ou sons bocais perceptíveis. A banda também tem coisas boas para ensinar aqui na tuga!!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Katwalisile!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-9113438098141785138?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/9113438098141785138/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=9113438098141785138' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/9113438098141785138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/9113438098141785138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2010/03/coisas-da-terra.html' title='COISAS DA TERRA!!!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1813019316454496957</id><published>2010-03-03T13:07:00.001Z</published><updated>2010-03-04T22:44:05.559Z</updated><title type='text'>O NOME DAS RUAS!!!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S45VLzUd8dI/AAAAAAAAACA/QaoS0boqFIM/s1600-h/lcidd.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" kt="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S45VLzUd8dI/AAAAAAAAACA/QaoS0boqFIM/s320/lcidd.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Cidade do Lobito&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S45VFxm1roI/AAAAAAAAAB4/CAeMOCPYqP8/s1600-h/CAIMAMA.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" kt="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S45VFxm1roI/AAAAAAAAAB4/CAeMOCPYqP8/s320/CAIMAMA.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Periferia do Lobito: Caimama -&amp;nbsp;São João e arredores!&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Estava a caminho do serviço, quando o meu phone tocou. Olhei, era uma chamada da tuga! Um grande amigo e filho do Lobito, "atracado" em Lisboa no rescaldo da revolução dos anos 70 do século passado. "Tenho uma grande novidade!" Manda vir, meu kota. "Na próxima semana estarei em Angola. Finalmente, poderei visitar o meu Lobito, 35 anos depois!" Bravo, meu kota. Te aguardo com muita ansiedade.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Como prometido, o meu amigo apareceu e ficou 48 horas na cidade do Lobito. Deu para ver alguma coisa, visitar lugares antigos e rever uns amigos que o tempo não levou, nem confundiu com novos maneirismos...&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;De volta à tuga, o meu amigo lembrou-se que havia no Lobito um museu, mas que não chegou a ver. Então, voltou a telefar-me. "Ainda existe no Lobito o museu de etnografia?" Ainda! Respondi. Mas agora é museu regional de etnografia e parcialmente encerrado para obras que começam brevemente, como na TPA! "O quê? Não percebi?" Esqueci-me que o meu interlocutor, mesmo com a TPA Internacional não entendia que os anuncios "brevemente na TPA" exigem paciência. Tanto pode acontecer, como não. Simplesmente, não se sabe quando. "Entendi. Quer dizer que o museu entrará em obras a qualquer altura, mas quando ninguém sabe!". Isso mesmo, kota. "Mas em que rua fica o museu?" Na rua do triangulo! "O quê?" Ya kota, quando vais a ponta da restinga, depois do colégio Sagrado Coração de Jesus e antes do hotel restinga há um triangulo que tem jardim. Ao lado desse triangulo, na esquina fica o museu! "A rua não tem nome?" ...&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Depois de um silêncio, lembrei-me que na tuga as ruas e avenidas têm nome. Quase toda gente sabe o nome das ruas. Mesmo quando não sabem, figem que sabem para ajudar o caminhante aflito. Lembrei-me também de participar em algumas reuniões de trabalho onde se falava das avenidas que entrariam em obras de requalificação e melhoria. Nessas reuniões chamavam as avenidas pelos nomes dos colos: Paulo Dias de Novais, Diogo Cão... E eu perguntava: onde ficam essas avenidas? os meus vizinhos, pacientes com a ignorância do jovem, respondiam:&amp;nbsp; estrada dos bombeiros; da operativa até ao chapanguele; da operativa até ao bairro da luz; da entrada ou saída do 28;&amp;nbsp; que pessa pela administração municipal....&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Como podem ver pelas duas imagens, para um jovem nascido e criado no bairro da caimama, sem arruamentos, como pode saber o nome das ruas? Na imagem da periferia, perto da Igreja, fica a casa dos meus pais. Assim aprendi a dar referências. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Geralmente, servimo-nos de um espaço público ou privado de destaque: Igreja, Escola, Centro Médico, Comissão do Bairro, Casa do Soba, Catequese/Capela, Loja, Padaria, um Senhor ou Senhora de referência... Tudo aquilo que se destaca no bairro serve para dar direcção. E como as pessoas se conhecem acabam sempre por indicar a casa aos que perguntam! Giro né? Muito prático!&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;A imagem da periferia representa o meu Lobito, o meu são joão, a minha caimama, a minha escola primária, a minha igreja, o meu centro de saúde... Os do meu bairro e adjacente conseguem identificar as suas casas!!!&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Mas para estabelecer diálogo com o meu interlocutor, tive de ligar para um kota que nasceu antes da dipanda. Infelizmente, também não sabia o nome da rua. Então, meti-me no carro e fui até ao museu. Mesmo assim nada, porque a placa com o nome da rua já era!!! Como resolver o problema?!&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Espero que essa peça ajude o meu amigo a compreender a minha dificuldade...&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Por outro lado, concordo que é&amp;nbsp; preciso dar nome as ruas e colacar as placas de identificação em lugares visíveis para facilitar a localização dos espaços públicos ou privados. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Quanto ao meu bairro, espero por dias melhores... Até lá, vamos continuar a chamar caimama 1, caimama 2, caimama 3, damba do tchindjendje... Caimama porque, nos tempos que o tempo levou, se apanhava muito mamau por ai... e tchindjendje porque habitada maioritariamente por pessoas vindas desse município do Huambo... Fácil, né!&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Tudo tem uma história e uma vivência própria... &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Nós nos safamos muito bem! E os outros?!!!!&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Katwalisile&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-1813019316454496957?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/1813019316454496957/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=1813019316454496957' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/1813019316454496957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/1813019316454496957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2010/03/o-nome-das-ruas.html' title='O NOME DAS RUAS!!!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S45VLzUd8dI/AAAAAAAAACA/QaoS0boqFIM/s72-c/lcidd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-5887950499238539482</id><published>2010-02-28T16:04:00.004Z</published><updated>2010-02-28T16:47:53.735Z</updated><title type='text'>COSTANGUEIRO IV</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aconteceu comigo algures em Luanda. Por razões que não importam referir, fui dar uma volta à Luanda. Quando tal acontece fico sempre mal disposto. Me desculpem os amigos, amigas, parentes e conhecidos que tenho em Luanda. Mas vocês sabem a aversão que tenho pela vossa cidade! Um dia hei-de escrever algo a sério sobre Luanda, com o respeito e a admiração que merece.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saído do Lobito, onde os costangueiros fazem contas à vida porque os pontos críticos da cidade e periferia, praticamente deixaram de existir. Praticamente porque há ainda zonas como o meu São João que quando chove, valha-nos Deus! Mas, no geral os pontos passíveis de criar lagoas em plena cidade ou periferia, servindo de ganha pão aos costangueiros deixaram de ser uma realidade com ou se chuva. Como consequência, os costangueiros precisam aprender outra profissão ou fazer um up-grade, como está na moda dizer. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegado a Luanda, numa das ruas, já que não consigo sozinho identifcar o nome dos bairros, nem a placa das ruas. Falando nisso, no Lobito habituamo-nos a identificar as ruas pelo nome dos senhores ou senhoras antigas do bairro/rua, por um empreendimento antigo ou novo... em Luanda deve ser a mesma coisa! Mas só os moradores conhecem o nome das suas ruas...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Precisa sair da tal rua para outra, mas a passagem tinha uma possa d'água enorme ou mesmo uma lagoa. Ou descalças e dobras as calças ou saias, ou regressar e dás uma grande a volta, ou então andas de costangueiro e ajudas o irmão a ganhar o seu pão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O preço da travessia dos costangueiros varia de acordo com o peso da bagagem/pessoa! Mais ou menos como nos taxis/hiaces onde o preço sobre quando se é bebucho ou sem tem um corpo avantajado já que ocupa lugar de duas ou três pessoas ditas elegantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O costangueiro está sempre disponível a levar qualquer pessoa na travessia, com preço anunciado à partida e ajustável duranta a travessia. A negociação/imposição, porque uma vez a meio do trajecto quem dita as regras é ele, nem sempre é pacífica. O preço anunciado à partida é bastante aleatório porque, como diriam os economistas, há uma grande assimetria de informação: ambos sabem o peso e a capacidade real de cada um, mas não podem partilhar essas informações, porque reduziria o seu poder negocial inicial. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse dia, com os meus oitenta e de kilos meti-me a subir às costas de um costangueiro que dava garantias de aguentar o meu peso. Kota, são 100kz! Tá fixe meu! Vamos então, né! Queria atravessar e pronto. A meio do caminho, bastante ofegante vociferou: kota, o preço subiu pa 300kz! Pagas ou desces aqui?! Entre pagar ou ser depositado na água, disparei: pago!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O costangueiro deu mais uns passos e, perto do fim, rematou: kota, paga só 500kz! Paga já agora ou desce! Puto, temos que chegar para poder tirar o cumbo no bolso, né! Kota paga já aqui ou desce! Puto, como vou tirar o dinheiro se tou nas tuas costas! Kota, tas a bilingar, né!? O kota é bebucho e bilingueiro! Vou-te dar uma lição pa respeitar o trabalho dos outros! O puto largou-me e tive de enfiar os sapatos e as calças na lagoa!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bastante lixado com a situação, olhei po puto e apeteceu-me dar-lhe uma boa pancada, mas tive de me conter para minimizar os danos pessoais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele, bastante animado olhou - me de cacheche e rematou: kota, não vais pagar parte do serviço? Vais tirar o pé tipo nada? Paga só metado do trajecto 200kz!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei ainda mais filipado com a situação e não sabia o que fazer: entre dar-lhe lições de contrato de prestação de serviço, de economia de mercado, de especulação, de exploração do homem pelo homem como fariam os juristas, economistas ou sociólogos... fiquei parvamente a maiar e a ve-lo a levar outro passageiro... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já agora, quem é que explora quem nesse tipo de relação: costangueiro/homem e bagagem/homem?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se no Lobito os costangueiros estão à beira do desemprego, em Luanda parecem estar em pleno emprego por esses dias...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Katwalisile!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-5887950499238539482?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/5887950499238539482/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=5887950499238539482' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/5887950499238539482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/5887950499238539482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2010/02/costangueiro-iv.html' title='COSTANGUEIRO IV'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-5717092393401656823</id><published>2010-02-28T14:53:00.004Z</published><updated>2010-03-01T21:47:08.975Z</updated><title type='text'>VOLTEI!!!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estou de volta! Depois de algum tempo de ausência e reflexão, decidi voltar a escrever e partilhar aquilo que os olhos nos deixam ver, os ouvidos ouvir e o coração pensar e guardar!Curioso! A filosofia Umbundu nos ensina que pensamos e guarmos as coisas no coração:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Ndalikunda l'utima wange wosi!" (consultei o meu coração! = estive a reflectir!)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Tchapwa k'iso, k'utima ako tchili!" (o perdão tem de vir do coração!)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Tchamita k'utima!" (passou-me do coração! = estas perdoado ou esquecime-me do assunto!)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aprendi em miúdo com a minha avó que "wohã amo ali" ou "walinhongamela wakulihã etchi tchuvala", isto é, o silêncio não é ausência, ou então, quem está debruços sabe o que sente!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso, mesmo fora da blogsfera continuei ligado a voces e a "falar em silêncio". Doravante, além de nos comunicarmos em silêncio, fa-lo-emos também por essa via.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obrigado a todos que me deram forças para continuar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Katwalisile! Estamos juntos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-5717092393401656823?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/5717092393401656823/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=5717092393401656823' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/5717092393401656823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/5717092393401656823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2010/02/voltei.html' title='VOLTEI!!!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-433419668651043252</id><published>2008-11-19T15:54:00.002Z</published><updated>2008-11-19T16:14:44.065Z</updated><title type='text'>COSTANGUEIRO III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A cidade do Lobito, como outras do país, transformou-se num pumar de obras. Quem a visita aprecebe-se com facilidade que estamos em fase de resconstrução nacional. Os pontos críticos da cidade em época chuvosa estão a beneficiar de obras de fundo. Não fosse o atraso e a incerteza das próprias obras, já que o pacato cidadão da revolução não dispõem de uma planta, tudo seria uma maravilha. Nesse particular, fica bem lembrar que São Pedro tem sido generoso por não ter aberto ainda as torneiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se a maioria dos municípes fica ansiosa e contente com a qualidade das obras, malgrado o atraso, as incertezas e os transtornos do trânsito, os Costangueiros andam bastante tristes e a fazer contas a vida. Sem chuva; extintas as pontenciais possas de água ou lagoas em plena cidade, o seu ganha pão fica ameaçado. A probabilidade de transportarem os "passageiros" às costas, ajudando-os a atravessarem a pé as lagoas, em plena cidade, são cada vez mais remotas. Tudo isso, porque culpa das obras de reconstrução nacional que vão recuperando as estradas, esgotos e valas de drenagem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A réstia de esperança que possuem é de rezar para que São Pedro abra as torneiras e atrapalhe o rítmo das obras, criando algumas lagoas, oportunidades para ganhar dinheiro. Caso contrário, é o fim do sub-emprego sazonal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até lá, mais uma profissão que fica arrumada nos arquivos para os historiadores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-433419668651043252?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/433419668651043252/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=433419668651043252' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/433419668651043252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/433419668651043252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2008/11/costangueiro-iii.html' title='COSTANGUEIRO III'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-8392349046557905863</id><published>2008-05-09T07:42:00.003+01:00</published><updated>2008-05-19T16:00:50.647+01:00</updated><title type='text'>CUSTO SOCIAL DA BANCARIZAÇÃO DOS SALÁRIOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De um tempo a esta parte, assiste-se a um movimento acelerado de bancarização dos salários da função pública. O banco escolhido para o desafio é o BPC, que se tem mostra estar há anos luz da empreitada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Basta pensar que a província de Benguela possui nove municípios, dos quais apenas cinco ou seis estão contemplados com agências do BPC: Benguela, Lobito e Baía Farta (litoral) e Ganda e Balombo e talvez Cubal(interior). Até aqui, tudo é normal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas se pensarmos que o Lobito possui apenas três agências para assistir os inúmeros professores, enfermeiros, polícias, militares, pensionistas e funcionários de outras repartições públicas mais os muitos do município do Bocoio, então a coisa muda de figura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já faz parte do quotidiano lobitanga passar pelas ruas das agências do BPC e ver filas humanas no exterior, a espera da sua vez de entrar e aguentar outra fila no interior do banco e depois ser atendido. Os trabalhadores podem esperar três a cinco dias para, finalmente, chegar o grande dia de levar o salário à casa. Quando tal acontece, muitos já faltaram ao seu dever profissional vezes sem conta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O resultado é bastante agressivo para a sociedade: crianças que ficam sem aulas; aumento das horas de espera no hospital e noutras repartições públicas; diminuição do poder de compra porque os dias de espera vão consumindo o próprio salário e se pensarmos naqueles trabalhadores que caminham mais de 100kms e têm de acampar algures no Lobito, então o problema mais que se agudiza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando questionados sobre o problema, os responsáveis bancários escudam-se no velho jargão: falta de cultura bancária dos clientes!!! Descubriram a causa do problema. Como fica a escassez de agências? Com mais agências, a falta de cultura bancária será ainda uma explicação válida?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Francamente!!!Francamente!!!Francamente!!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Melhor seria aceitar a sua ineficiência e abraçar a proposta do Governo: permitir que alguns bancos privados habilitem-se ao processamento dos salários da função pública até o BPC ter capacidade à altura da empreitada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até lá, coragem!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Força!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-8392349046557905863?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/8392349046557905863/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=8392349046557905863' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/8392349046557905863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/8392349046557905863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2008/05/custo-social-da-bancarizao-dos-salrios.html' title='CUSTO SOCIAL DA BANCARIZAÇÃO DOS SALÁRIOS'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1435918998227266933</id><published>2008-02-28T22:28:00.002Z</published><updated>2008-02-28T22:38:12.884Z</updated><title type='text'>UM POUCO DE LUZ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chega ao fim o segundo mês de 2008 e com ele a vontade de continuar a escrever. Espero que desta vez seja para ficar com alguma regularidade aceitável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O país soma e segue com sinal mais na estabilidade macroeconómina e no crescimento da economia. A estabilidade política vai sendo uma realidade. Com o anuncio das eleições legislativas para 5 e 6 de Setembro, os partidos políticos vão arrumando a casa para estarem prontos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse capítulo especial, precisamos aprender com os erros de 1992 e os acontecimentos recentes do Kenya. Quando líderes sem escrúpolos querem satisfazer os seus desejos sem medir meios, o povo paga muito caro. Então, que haja um esforço concertado e elevado para termos um pleito eleitoral de que nos possamos orgulhar é o nosso voto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Atenção aos líderes predadores. Como se diz por cá «o sandji yomeke yipayela ava valya!!!»&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até breve!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-1435918998227266933?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/1435918998227266933/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=1435918998227266933' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/1435918998227266933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/1435918998227266933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2008/02/um-pouco-de-luz.html' title='UM POUCO DE LUZ'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-6220506559093940563</id><published>2007-11-16T15:50:00.000Z</published><updated>2007-11-16T16:19:56.161Z</updated><title type='text'>11 de Novembro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A ausência do Chefe de Estado nas comemorações do 32º aniversário da Independência de Angola foi o grande acontentecimento marcante. Contrariamente ao espectável, foi o menos comentado. Notícias Oficiais davam conta que o Chefe de Estado se encontrava em terras Espanholas, em viagem privada...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se estivessemos noutras paragens, a ausência do Chefe de Estado, na efeméride mais importante de um país, os nacionais seriam informados sobre as motivações verdadeiras dessa ausência. Diga-se em abono da verdade, cidadãos habituados a serem informados pelos seus Governantes especulam pouco e comentam factos ou notícias verdadeiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por cá, o melhor é "calar-se para não ser incoveniente"!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda assim, 32 anos depois, Angola soma e segue. Os últimos 5 anos de paz, o país avançou mais e em quase todos os domínios, do que nos outros anteriores. Acreditem ou não, a partir do nosso Lobito sentimos o pulsar do país, transformado em canteiro de obras, onde o Lobito é o pomar!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como dizia alguém, os sacrifícios de hoje, são os benefícios de amanhã. Coragem, "pacato cidadão da revolução".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O futuro - que já começou - será melhor!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até breve!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-6220506559093940563?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/6220506559093940563/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=6220506559093940563' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/6220506559093940563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/6220506559093940563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2007/11/11-de-novembro.html' title='11 de Novembro'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1510233948412149822</id><published>2007-11-03T12:30:00.000Z</published><updated>2007-11-03T12:32:20.496Z</updated><title type='text'>Quando a Vontade é Grande</title><content type='html'>Caros amigos e amigas, a vontade de continuar é maior do que as difiucldades e contariedades do dia-a-dia.&lt;br /&gt;Estou de volta.Aquele abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até breve!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-1510233948412149822?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/1510233948412149822/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=1510233948412149822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/1510233948412149822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/1510233948412149822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2007/11/quando-vontade-grande.html' title='Quando a Vontade é Grande'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-9049248629282211206</id><published>2007-06-30T15:35:00.000+01:00</published><updated>2007-06-30T15:44:37.736+01:00</updated><title type='text'>DO LOBITO</title><content type='html'>A vida na nossa cidade portuária do Lobito continua na mesma pasmaceira. Destaca-se o fim das obras na estrada que sobe para a Bela-Vista. Informação oficial não houve, mas sabe-se que as obras visavam melhorar as margens da estrada "dambas" e dar-lhes um passeio com currimão e seguro para os pedestres...&lt;br /&gt;Por se tratar de uma estrada nacional, o esfalto fica a guardar pelas outras obras de grande vulto. Até lá, vamos circundando as crateras na estrada, com risco elevado de acidentes, devido aos zig-zag...&lt;br /&gt;Quanto a cidade tudo continua na mesma, isto é, muita poeira e buracos a mistura, mas tamos a ficar habituados... Mesmo com o Afro-basket à 30 km do Lobito, não se vislumbram sinais de alguma melhoria...&lt;br /&gt;Coragem lobitangas...&lt;br /&gt;Até breve!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-9049248629282211206?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/9049248629282211206/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=9049248629282211206' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/9049248629282211206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/9049248629282211206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2007/06/do-lobito.html' title='DO LOBITO'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-911999522767789188</id><published>2007-06-01T18:12:00.000+01:00</published><updated>2007-06-01T18:25:15.683+01:00</updated><title type='text'>O NOSSO LOBITO</title><content type='html'>Cada dia passado na nossa cidade querida é um autentico teste à nossa pobre paciência. As obras de melhoramento dos serviços e das estradas somam e seguem. Os desafios são gigantescos, a paciência do pacato cidadão é míngua.&lt;br /&gt;Continuamos com as crateiras nas estradas; a terraplanagem e a poeira, com a consequente ameaça para a saúde pública de quem não tem carro com ar condicionado e tem que aguentar o ar comissionado!!! E quem vive e trabalho nos grandes lugares de obras, portanto autenticas fábricas de poeira... que Deus o proteja e salve!!!&lt;br /&gt;Mas vamos indo mesmo assim...na esperança de dias melhores.&lt;br /&gt;O curioso e toda gente sabe mas ninguém fala, é que quando se desloca uma individualidade de Luanda para Benguela/Lobito, as obras ganham uma intensidade frenética. Então, habituados aos efeitos cosméticos, não precisamos de ouvir as notícias nos órgãos oficiais, porque sabe-se logo que vem gente.&lt;br /&gt;Então, fica a pergunta: há capacidade para se trabalhar mais e melhor? Se sim, porque se espera por ilustres visitantes de Luanda para mstrar serviço? Como vai a fiscalização dessas obras?&lt;br /&gt;Olhem o que se passa na estrada que sobe para a Bela - Vista, sff!!!&lt;br /&gt;Até breve,&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-911999522767789188?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/911999522767789188/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=911999522767789188' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/911999522767789188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/911999522767789188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2007/06/o-nosso-lobito.html' title='O NOSSO LOBITO'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-4673903833340976232</id><published>2007-05-10T11:54:00.000+01:00</published><updated>2007-05-10T11:57:50.161+01:00</updated><title type='text'>LOBITO, CIDADE EM REGRESSÃO</title><content type='html'>Crescemos e habituamo-nos a chamar o Lobito de "Cidade em Marcha". De há algum tempo a esta parte, fica muito difícil defender o repetir esse slogan. Basta vir ao Lobito para perceber como a "Marcha é para trás". O estado das crateiras nas estradas e a violência urbana, lembram-nos dias sem memória...&lt;br /&gt;Voltaremos!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-4673903833340976232?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/4673903833340976232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=4673903833340976232' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/4673903833340976232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/4673903833340976232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2007/05/lobito-cidade-em-regresso.html' title='LOBITO, CIDADE EM REGRESSÃO'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-117646745109286772</id><published>2007-04-13T13:25:00.000+01:00</published><updated>2007-04-13T13:30:51.103+01:00</updated><title type='text'>DE VOLTA</title><content type='html'>Depois de alguma ausência justificada, acreditamos ter chegado o momento de quebrar o silêncio e voltar a dialogarmos sobre aquilo que nos interessa.&lt;br /&gt;Estou na cidade Portuária do Lobito há quase três meses. Com dor e profunda mágoa,  constato a degradação dessa bela cidade que me viu nascer e crescer. Lobito, quem te viu e te ve não acredita. Pudesses transformar-te num viveiro de obras!!! Mas não.&lt;br /&gt;Voltaremos!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até breve,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-117646745109286772?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/117646745109286772/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=117646745109286772' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/117646745109286772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/117646745109286772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2007/04/de-volta.html' title='DE VOLTA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-116922634001489259</id><published>2007-01-19T16:01:00.000Z</published><updated>2007-01-19T17:05:40.193Z</updated><title type='text'>O MEU PROTESTO!!!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Ó taxistas, que brincadeira é esta?"( pag. 35, Jornal Agora, Edição nº 510, 13 de Janeiro de 2007); " A nossa nova guerra" (pag.22, Semanário Angolense, Edição nº 197, 13 a 20 de Janeiro de 2007). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aparentemente esses títulos nada têm em comum. Foram publicados naqueles dois semanários editados naquela que é para uns a cidade da confusão, para outros cidade da Kianda e par grande maioria cidade de Luanda.  Fazem alusão a sinistralidade que vai tendo lugar nas estradas de Angola. É crença comum que a maioria desses acidentes é causada pela péssima condução dos taxistas de hiace. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez por essa razão, aqueles títulos fazem-se acompanhar de imagens chocantes, resultantes de uma acidente ocorrido entre um hiace e um autocarro. Perderam a vida quatro ocupantes do hiace, incluindo o motorista, enquanto outros passageiros ficaram gravemente feridos. Do autocarro não houve nem feridos nem mortos. Então os jornais insurgem-se contra a péssima condução dos taxistas em defesa da vida. Até aqui tudo bem!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas apresentar os mortos desfigurados como sinal de chamar atenção aos taxistas ou de protestar contra a morte a favor da vida, parece-me uma opção perversa. Embora a vida seja o supremo valor e a sua defesa inapelável, o morto possui também dignidade. Ou então não estamos em Angola?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo porque o tempo da lógica da guerra, onde exibir o corpo desfeito do inimigo é sinal de vitória e grandeza já lá se foi!!! Ou então a guerra era apenas uma desculpa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece-me que podia-se falar do acontecimento e chamar a atenção sobre a irresponsabilidade dos taxistas e de outros condutores sem usar aquelas imagens desfeitas e chocantes. Havendo mesmo necessidade, então que fossem cobertos os corpos e mostrado o carro desfeito. Aliás o que vemos e lemos nos canais televisivos e jornais de outros países, onde o horror da morte ou a o morto não tem rosto. Fala-se ou apresenta-se a sinistralidade, mas sem expôr o morto ou os mortos!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguém tem visto as imagens dos mortos nas estradas dos países da UE ou das americas (USA ou Canada)? Alguém já viu as imagens ou rostos ou corpos de mortos de alguma catástrofe humana ou natural  dos países da UE ou da américa(USA ou Canadá)? Sabem porque???&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Será que os nossos mortos perdem dignidade??? Não têm direito a protecção da sua imagem???&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seguramente, alguns perguntarão: mas de que galáxia vem esse escriba?!!! Se os vivos são tratados sem dignidade, quanto mais os mortos?!!! Acorda!!! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Têm razão em questionar!!! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas é preciso começar a dignificar o que tem de ser dignificado! É preciso dizer alto e em bom som: estamos juntos, mas não estamos misturados!!! É preciso dar um basta a essa cultura da indignidade. Cada um de nós precisa fazer a sua parte e manisfestar o seu desagrado. Aqui fica o meu!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até breve!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-116922634001489259?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/116922634001489259/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=116922634001489259' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116922634001489259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116922634001489259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2007/01/o-meu-protesto.html' title='O MEU PROTESTO!!!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-116913855935285644</id><published>2007-01-18T15:47:00.000Z</published><updated>2007-01-18T16:42:39.430Z</updated><title type='text'>O MINISTRO ENGANOU-SE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Kota "Gigi", o tal de Virgílio de Fontes Pereira, é um dos poucos ministros que carbura bem no GURN, segundo as más línguas. Talvés por essa razão lhe tenham sido atribuidas muitas responsabilidades. É ele o coordenador da Comissão - Interministerial para o Processo Eleitoral (CIPE), dentre outros papeis que o vimos desempenhar nesses seis lindos meses em Angola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A 30 de Agosto de 2006, no comunicado de Imprensa saído da 6ª reunião ordinário do Conselho de Ministros lia-se&lt;em&gt;&lt;strong&gt;:"O Governo aprovou uma Resolução que estabelece o período de registo eleitoral normal,que terá o seu início no dia 15 de Novembro de 2006 e terminará no dia 15 de Junho de 2007. O período de registo eleitoral terá a duração de 6 meses,já que sofrerá um interregno no período que vai de 15 de Dezembro de 2006 à 15 de Janeiro de 2007"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde essa altura até ao dia 20 de Dezembro de 2006, ouvimos o Kota Gigi a falar da fase normal do registo eleitoral naqueles períodos. Nesse mesmo dia, o Kota Gigi admitiu a possibilidade de ser necessária uma segunda fase do registo eleitoral a ser definida pelo Conselho de Ministros, nos termos do artigo 26º da Lei do Registo Eleitoral. Essa 2ªa fase, é para aqueles que por diversas razões não conseguiram registar-se na primeira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegados a 2007, o Kota Gigi e a Imprensa da capital ou esta e  o Kota Gigi mudaram o disco. Em vez de falarem da segunda etapa ou do segundo período da primeira fase do Registo Eleitoral, começaram todos a falar do início da segunda fase do registo a 15 de Janeiro de 2007.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou sofremos todos de amnésia colectiva, o que é pior; ou então os jornalistas lêem pouco para não terem se apercebido do engano do Kota; ou então, o que é pior, como o Kota tem a fama de carburar bem deixou-se dormir na forma, na certeza de estar a lidar com amnésicos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bom! Que me lembre o Conselho de Ministro não voltou a anunciar nenhuma outra fase do Registo Eleitoral para falarmos já duma segunda. Estamos em vigência da primeira, que sofreu o interregno previsto de um mês. Portanto, a primeira fase ou fase normal do Registo Eleitoral tem duas etapas ou dois períodos, sendo de 15 de Novembro a 15 de Dezembro de 2006 e 15 de Janeiro a 15 de Junho de 2007. Depois o Conselho de Ministro poderá anunciar uma segunda fase ou fase extraordinária, a que se seguirá a fase da actualização permanente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nota: se fossemos habituados a ouvir o Kota Gigi a falar em período normal do registo ou primeiro período, então dividi-lo-iamos em duas fases ou etapas e estaria tudo bem. Mas não é o caso. Ouvimos sempre primeira fase com as datas referidas acima. Talvez estejamos equivocados, o que é normal!!! Ou não seríamos humanos e moradores dessas bandas!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até breve!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-116913855935285644?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/116913855935285644/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=116913855935285644' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116913855935285644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116913855935285644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2007/01/o-ministro-enganou-se.html' title='O MINISTRO ENGANOU-SE'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-116913497304275348</id><published>2007-01-18T15:31:00.000Z</published><updated>2007-01-18T15:46:15.953Z</updated><title type='text'>TENTAR É MELHOR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em dezembro passado fizemos dois anos! Quando pensavamos desistir, eis que aparecem pessoas como a Cristina Galhardo que nos dizem "nem pensar". Peço imensas desculpas a todos amigos e amigas que nos visitam e deixam palavras de incentivo e encorajamento, mas cujos nomes não menciono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cristina Galhardo deu-nos a oportunidade de sermos lidos em italiano. Traduziu as duas crónicas "Costangueiro I e II" em italiano e publico-as na revista &lt;a href="http://www.buran.it/materiale.html"&gt;www.buran.it/materiale.html&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por "todos voces", razão da nossa alegria, decidimos continuar a escrever por mais algum tempo. Não prometemos ser regulares, porque o acesso a internet cá na terra ainda é um luxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos todos de parabéns e bom ano a todos!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-116913497304275348?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/116913497304275348/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=116913497304275348' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116913497304275348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116913497304275348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2007/01/tentar-melhor.html' title='TENTAR É MELHOR'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-116559946747411018</id><published>2006-12-08T16:37:00.000Z</published><updated>2006-12-08T17:42:32.623Z</updated><title type='text'>ROBOTEIROS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de uma ausência forçada, eis-nos de volta para partilharmos o dia-a-dia da nossa terra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante o mês de Novembro andámos por Benguela, Lubango e Huambo. O regresso a esta última cidade, dez anos depois, foi emocionalmente forte e não estávamos preparados. Mas deu para rever amigos e lugares que marcaram a nossa história de vida pessoal nos anos em que sobrevivemos, graças a Deus, às investidas militares do Governo do MPLA e da UNITA, na cidade de Wambu Kalunga.... São outros quinhetos...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como sugere o título desta crónica, a conversa hoje é sobre os nossos irmãos "Roboteiros", que sobrevivem e vão vivendo graças a sua força física e muita inépcia dos serviços do terminal de cargas do nosso aeroporto 4 de Fevereiro ( Ainda bem, porque seria difícil sobreviver e viver sem emprego e espaço para exercer legalmente a actividade de "Roboteiroa").&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas que coisa é um "Roboteiro"? "Roboteiro" é o nome que se dá a pessoa que ajuda a transportar uma carga pesada, levando-a à cabeça ou entre o pescoço e os ombros ( no calumbebe ou capepe) segundo a capacidade física e a distância. O "Roboteiro" também ajuda a carregar e/ou a arrumar a carga das paletas ou contentor para o armazém ou camião... No Lubango, o "Roboteiro" é conhecido como "Tio António"! Será da música de Sam Ngwana? ( Tio António quando trabalhava nas obras d'uma plantação, que pertencia ao colono...). No Lobito e Benguela, é conhecido como ajudeiro. Noutros lugares, onde o respito pelas profissões ainda existe, é chamado de "Estivador".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O nome que se dá não está em causa. Entretanto, a forma como os vi trabalhar e fazer dinheiro no terminal de cargas do aeroporto 4 de Fevereiro deixa muito a desejar. Sem exagero, o cenário assemelha-se mais a um assalto e roubo do que a um trabalho honesto. Vejamos:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No último final de semana, o terminal de cargas estava podre de cargas, que nem se quer cabiam nos armazéns e não havia capacidade em meios rolantes para transpotar tanta mercadoria. Resultado: a mercadoria chegou a atinger a placa. Aliás, compreende-se perfeitamente, não estivessemos em Dezembro e num país que ainda vive de importações até de capim para cobrir "Ondjangos". São outros quinhetos...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desculpem-nos a divagação!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bom, voltemos ao que interessa. Como o processo da alfândega ainda é muito burrocrático, aliás como o são quase todos públicos ou público - privados. Menos mal que a moda dos televisores e das parabólicas nos locais de serviço para ver as novelas da Globo e da Record ainda não chegou a alfândega. Ainda assim, se por azar a tua mercadoria estiver na placa para tira-la de lá até ao caminhão ou carrinha tens poucas opções: pagar a fortuna que eles pedem ou continuares a espera e pagares o frete do camião que também cobra por hora. É preciso lembrar que estamos em época de chuva e pode chover estragando a mercadoria. Se te despachas e pagas, eles vão fazendo o trabalho ao seu rítmo sem poderes reclamar. Caso o faças, eles podem parar sem mais nem menos já que a procura dos seus serviços é incomensurável. Passado esse teste, espera-te o trânsito, que por essa altura do ano e com as obras de ocasião, sabe Deus!!!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá conseguimos uma boa negociação. Passadas algumas horas, tinhamos a mercadoria no camião e começava outro teste de paciência: aguentar e aturar o trânsito... Que são outros quinhetos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembrei-me dos meus tempos de menino no Lobito, onde o preço do ajudeiro variava segundo o estatuto ou apresentação do cliente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fica um conselho: se decidires trazer mercadoria ou carga via aeroporto 4 de Fevereiro, por essa altura do ano, prepara o bolso e o coração, porque só pelos "Roboteiros" e o camião fretado podes pagar metade ou mesmo quase o preço de compra da mercadoria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até breve!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-116559946747411018?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/116559946747411018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=116559946747411018' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116559946747411018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116559946747411018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/12/roboteiros.html' title='ROBOTEIROS'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-116207780413569738</id><published>2006-10-29T00:08:00.000+01:00</published><updated>2006-10-29T00:23:24.146+01:00</updated><title type='text'>DIZEM AS MÁS LÍNGUAS</title><content type='html'>Quero partilhar convosco uma inquietação da nossa operadora móvel UNITEL. Acontece que pela segunda vez, num espaço de quinze dias, ficamos com sinal fraco para não dizer sem sinal de telefone. Para conseguir-se uma ligação na mesma rede é preciso um exercício de paciência e persistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quase duas semanas encontrava-me no Namibe e vi-me privado do sinal telefónico. Imaginem meus amigos e minhas amigas alguém que depende do telemóvel para trabalhar e vir-se de repente privado desse precioso bem, sem mais nem menos. O mais aborrecido é que ninguém diz absolutamente nada. Falha técnica ou de sinal... Nada de nadica!!! E o pessoal lá vai tentando até conseguir uma ligação que por sorte não cai no número errado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrando-me em Benguela, volta a acontecer a mesma situação. De novo vejo-me aflito para trabalhar já que dependo dos contactos telefónicos. E mais uma vez, ninguém diz nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como me sinto em casa, ganhei coragem e comecei a comentar o facto com pessoas amigas. Acreditem ou não, mas as respostas foram unânimes: está em Benguela algum manda chuva! Isso aqui é sempre assim. Quando vem um mandão de Luanda o sinal da UNITEL fica impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil acreditar nessas coincidências. Mas que as más línguas as vezes dizem a verdade ,lá isso dizem. Ou então será falsa a força do mujimbo (boato/notícia oficiosa)???!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem por cá anda ou já andou sabe bem o quanto custa caro não dar ouvidos aos mujimbos ou às más línguas. Pensando bem, na altura em que falhou o sinal no Namibe estava por lá uma delegação de manda - chuvas vinda de Luanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coincidência ou não, alguma coisa está errada. Basta pensar que quando não há delegações de manda - chuvas o sinal não apresenta problemas. Então que se passa???!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-116207780413569738?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/116207780413569738/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=116207780413569738' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116207780413569738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116207780413569738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/10/dizem-as-ms-lnguas.html' title='DIZEM AS MÁS LÍNGUAS'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-116195537927591944</id><published>2006-10-27T13:35:00.000+01:00</published><updated>2006-10-27T14:50:30.636+01:00</updated><title type='text'>NAS ESTRADAS DE ANGOLA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De volta à Luanda, a cidade da Kianda e da confusão. Vim a fugir com medo de ver essa nossa página bloqueiada. Mas para nossa satisfação concederam-nos mais uma oportunidade. Os novos compromissos não nos permitem manter uma presença regular nem na net, nem na blogsfera. Ainda bem! Eu cá não me queixo, porque podia ser bem pior.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em três meses e qualquer coisa de Angola já viajei mais do que tinha feito na minha curta vida. Nem mesmo os anos de Portugal me proporcionaram tamanhas oportunidades. Hoje quero partilhar convosco o sofrimento de muitos angolanos que fazem das viagens por terra de uma cidade a outra o seu sustento e dos seus. É uma verdadeira odisseia. É uma tarefa herculiana. Mas lá eles vão conseguindo! Como? Só Deus sabe. O pior de tudo é que as opções são bastante reduzidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tive oportunidade de viajar por terra de Luanda ao Lobito, como já referi em apontamentos anteriores. Confesso: sempre que repito a odisseia, vou-me surpreendendo com o avanço das obras daquilo que seria a reconstrução da estrada. Digo seria porque as obras em muitos troços não passam de um autêntico tapa - buracos. Espero estar enganado e que se trate apenas de fase pré-preliminar dos trabalhos. De contrário, é caso para dizer cuidado com a brincadeira e atenção aos senhores da fiscalização das obras públicas... Mas dá para ver o Morro do Shingo no Sumbe...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O meu cepticismo aumenta quando fazemos o percurso Luanda - Ndalatando. Aqui, sim! Com o agravante de ter que se usar uma picada depois do Zenza do Itombe, porque o percurso via Morro do Binda é um autêntico Deus nos acuda! Com as chuvas, não quero imaginar como deve ser duro viajar por essa via até Malange ou às Lundas. Mas os angolanos são de uma paciência e criatividade únicas, pesa embora seja abusada e pisada todos os dias. São outros quinhentos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesses lados o estado das obras é encorajador porque há reposição de asfalto e pontes, mas a qualidade do tapete deixa muito a desejar. Aliás não dá para exigir muito porque a lógica aqui é fazer qualquer coisa que dure um ou dois anos. Asfalto doradouro pode ser subversão já que levará muitas pessoas ao desemprego porque acabam-se as justificações para obras nas estradas... Parece mentira né???!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Andando um pouco mais por aquela via encontram-se sinais evidentes de trabalho de tapa - buracos. Lá onde o asfalto do "coló" sobreviveu às investidas da guerra, da natureza e do tempo vão-se tapando os buracos que existem! O mais caricato é vermos que a terraplanagem dá sinais de auto-estradas. Mas quando apanhámos pedaços de estradas recém-asfaltadas vemo-las a "emagrecerem". Se alguém está a espera de encontrar auto-estradas nacionais por essas bandas "desengane-se"...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mudando de rota, viajámos do Lubango ao Namibe. Que maravilha! Ver a Serra da Leba! Isso ai não tem explicação possível. É de uma beleza indescritível! Só visto! De todas é a estrada mais bem apresentada, com um asfalto que indicia muito trabalho e algum tempo de reflexão. São obras feitas para a posteridade. O único senão é o seu tamanho... Mas quando comparadas com as outras não minto se afirmar que são as melhores do país. E está tudo dito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Finalmente! Vamos satisfazer uma curiosidae. Quem tiver coragem que faça experiência e nos desminta! Analisemos o exemplo que se segue: viagem de Luanda à Benguela/Lobito de avião demora entre 45 minutos a1h! O que é super confortável. Mas se parar e tentar fazer as contas, rapidamente chega a conclusão que é mais rápido ir de autocarro e demorar entre 7h a 8h certas. Há dúvidas???!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vejamos: quando o avião tem a previsão de sair às 7h da manhã o check-in é as 5h. Quem vive longe tem de levantar entre as 3h e as 4h! O Avião acaba por sair entra as 7h e as 8h e qualquer coisa, quando não sai duas horas depois ou é simplesmente cancelado!!! Chegados ao destino é outra espera para levantar a bagagem e as várias filas de identificação e revista. Corre-se o risco de chegar à casa entre as 12h e as 15h!!! A demora é ainda maior se o trajecto for de outra cidade qualquer para Luanda. Basta pensar que os aviões saiem de Luanda com a demora anterior e quando se chega ao aeroporto de Luanda a espera pela bagagem é de cortar a respiração!!! Isso ainda quando o tapete rolante funciona, porque se faltar a luz ou estiver avariado, então...!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem sai de autocarro: parte as 6h e pode chegar na paragem 5 minutos antes. Por volta das 13h ou 14h e qualquer coisa, seguramente está em casa no Lobito ou em Benguela... Parece anedota né???!!! Está lançado o desafio é só experimentar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se tiver carro pessoal do tipo land cruiser ou prado, então é mil vezes melhor, não obstante o cansaço. Aliás é o que faz o pessoal do Lubando quando quer ir ao Namibe...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até Breve!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-116195537927591944?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/116195537927591944/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=116195537927591944' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116195537927591944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/116195537927591944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/10/nas-estradas-de-angola.html' title='NAS ESTRADAS DE ANGOLA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-115893805157646615</id><published>2006-09-22T15:46:00.000+01:00</published><updated>2006-09-22T16:14:11.663+01:00</updated><title type='text'>ANGOLA EM (IN)MOVIMENTO 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nas últimas três semanas voltamos a percorrer o país por terra para usar as "novas" estradas, obra dos chineses. Desta feita, partimos de Luanda em direcção a Ndalatando, província do Kwanza Norte. As imagens do programa "Angola em Movimento" dão-nos a ver as boas estradas que estão a ser reabilitadas e construídas pelos chineses e pela Becom (Brigada de Construção Civil da Casa Militar, cujo chefe é também o responsável da Gabinete de Reconstrução Nacioanl). Animados por aquelas imagens, é difícil resistir à tentação de viajar por terra e ter a oportunidade de rever o morro do mbinda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para nossa alegria, logo que se começa a deixar o trânsito caótico de Luanda, a presença de chineses é bem visível na quantidade de "estaleiros" com indicações em chinês, de camiões basculantes a ser guiados por chineses e ... de muita poeira al longo das estradas... Tudo isso indica-nos que há algum trabalho a ser feito nessa via. Depois, deparámo-nos com boas estradas, onde é possível viajar a velocidade de 120km/h e para os mais corajosos a 160km/h. O grande risco é cruzar com um camião conduzido por um chinês, já que eles têm fama de ser maus condutores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embalados por esses pedaços de estrada, o viajante impaciente e entusiasmado é capaz de começar a fazer as contas do tempo que se leva até chegar a Ndalatando. Mas desengane-se porque ao sair do Nzenza do Itombe entra-se por desvio de terra batida que leva mais ou menos três ou quatro horas a ser percorrido, a uma velocidade que vai desde os 20km/h a 60km/h. Tudo isso é possível porque São Pedro fechou as torneiras. Mas se por um azar ele decide regar os campos adeus picada e conforto e bem vindo o calvário do Mbinda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem tem o azar de sair de Ndalatando pelo Mbinda leva 3 a 5 horas para chegar ao Dondo. O curioso das partes de estrada asfaltadas é deparar-se com pedaços por asfaltar. Quando se tem a sorte de dar boleia a um habitante local ou agente da ordem pública e pergunta-se-lhe sobre aqueles pedaços por asfaltar ou pela ausência de trabalhos nalguns lugares, a resposta pronta é desconcertante: "esse pedaço é da responsabilidade da Becom. Os trabalhos pararam antes de começar porque a máquina avariou pelo caminho. Estão a espera da peça para fazer trabalhar a máquina". Ao perguntarmos quem o responsável da Becom. A resposta sai com dificuldade: O chefe da casa civil, o mesmo que coordena o gabinete de reconstrução nacional que controla até os chineses".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O curioso é saber que as obras de reconstrução das estradas avançam a bom ritmo. Mas quem quer ver e observar a qualidade do asfalto que está a ser colocado pergunta-se: isto é para durar quantos dias? Faço fé que aquilo que os meus viram seja apenas uma primeira camada de alcatrão, porque se for a definitiva, é caso para dizer: onde não funciona a fiscalização das obras que se fazem até a eficiência chinesa gera inificiência e delapida o erário público.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até lá que alguém nos ajude e que Angola continue em movimento!!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-115893805157646615?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/115893805157646615/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=115893805157646615' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115893805157646615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115893805157646615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/09/angola-em-inmovimento-1.html' title='ANGOLA EM (IN)MOVIMENTO 1'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-115893634987049690</id><published>2006-09-22T15:42:00.000+01:00</published><updated>2006-09-22T15:45:49.886+01:00</updated><title type='text'>NÃO LEVE MOCHILAS QUANDO É 11 DE SETEMBRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Luanda, 11/09/06, residência da Embaixadora dos Estados Unidos da América em Angola, Cynthia Efird. Mais de vinte pessoas aguardavam sentadas pela cerimónia oficial de assinatura dos acordos de financiamento de pequenos projectos de 8 ONGs nacionais, orçados em USD 140 mil. Estavam todos, entre beneficiários, pessoal do protocolo e jornalistas, menos a anfitriã, que levava mais de meia hora de atraso. E quando não se sabe onde está a diplomata, difícil ainda é saber quanto tempo mais resta esperar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O vazio ainda continuava a ocupar o lugar da representante de Jorge Bush em Angola, para a impaciência dos jornalistas encarregues de cobrir o acto. Já os beneficiários olhavam com algum nervosismo aos termos de referência sobre a mesa – que assinariam em breve aos olhos da imprensa e do “diplomaticamente recomendável”, sem que tivessem antes a oportunidade de analisá-los. As comidas e bebidas prontas a servir nos quatro cantos do quintal emprestavam ao ambiente um cenário de festa. Ainda assim, de repente, vêm-me à mente as palavras de uma amiga europeia. “Em casa da embaixadora americana, em 11 de Setembro?! Era o último lugar que eu queria estar!”. Na verdade, eu já não sabia se queria estar aí ou se era só mais um daqueles compromissos sociais inadiáveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Instantes antes da consumação da cerimónia, cada um dos representantes das Organizações financiadas recebe do protocolo, com surpresa, um envelope e a respectiva explicação em tom baixo: “gostaríamos que voltasse às dezanove para ter um contacto com o Assistente da Secretaria de Estado para a Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho; está de visita em Angola e queria ter uma conversa breve com as ONGs”. Por volta das dezassete a embaixadora e o Assistente se despedem dos convidados num até já e “visitarei os vossos projectos!”, e desaparecem por uma das portas da misteriosa residência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se para alguns não fazia sentido regressar dentro de 2 horas, quando até não estava programado, resolvemos, o meu colega e eu, comparecer – mesmo que não seja em trajo formal, como recomendado. Usamos meia hora de atraso como consolo. Quem trabalha/vive nisso de desenvolvimento com a sociedade civil não tem “horas nem agendas” de reunir, o que se resolve muitas vezes com uma mochila e/ou com o hábito de estar preparado para tudo e a qualquer hora. Por falar em mochilas, amo-as há mais de vinte anos, minha fiel companhia, e ainda hoje não vejo nada mais prático a usar como carteira ou como “escritório móvel”!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na portaria exibimos os convites do envelope e entramos. Era tudo, menos o anunciado. O quintal estava em festa, literalmente cheio e tão “barulhento” – com todo o mundo a falar – como as nossas praças (mercados informais). Única diferença: ali não se anunciavam preços ou produtos e o inglês substituía o Umbundu ao lado do português. Pela primeira vez na vida, éramos uma ilha rodeada de figuras públicas por todos os lados: políticos, sociedade civil, diplomatas, jornalistas, etc. De repente se tornou tão simples apertar a mão a qualquer pessoa à Embaixadora, ao presidente da Unita, etc., (como nos sonhos), entre nacionais e “expats”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O assunto “Angola, catorze anos sem eleições” era tentação sempre presente nas conversas. Afinal Os políticos desfilavam fazendo cara bonita, tal como prostitutas caçando clientes. Pouco antes das 20:15, quando: “Desculpa, posso falar consigo um minuto?”, dirigiu-se a mim um senhor. “Acho que sim!”, respondi-lhe enquanto tentava descobrir o motivo. “Epa, estás a ver, aqui vem muita gente e a mochila…” Entendi muito antes do homem terminar o sermão e facilitei: “estás a propor que lhe entregue a minha mochila?” Enquanto se engasgava esse angolano, o mesmo senhor dos envelopes – esquecido de ter subjectivamente convidado para um encontro e não para uma festa, ainda por cima sem música – vem e reforça o que para mim já estava claro. Lá entreguei a mochila ao segurança, não vá eu ser acusado de transportar bombas para importunar a pobre embaixadora e os demais ali presentes, que disfarçavam o medo do terrorismo nas bonitas roupas e nos sorrisos mecânicos que a diplomacia ensina. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É verdade! As coisas chegaram a tal ponto que, ao que parece, já não dá para confiar em ninguém, até mesmo nos guardas da nossa residência. E se você for um dia conviver em ambiente americano e quiser evitar desconfortos, o melhor é não levar a sua amada mochila. Porque tem outro significado quando é 11 de Setembro. Conselho de amigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por: Gociante Patissa, Lobito.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-115893634987049690?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/115893634987049690/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=115893634987049690' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115893634987049690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115893634987049690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/09/no-leve-mochilas-quando-11-de-setembro.html' title='NÃO LEVE MOCHILAS QUANDO É 11 DE SETEMBRO'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-115652572404368350</id><published>2006-08-25T17:39:00.000+01:00</published><updated>2006-08-31T18:10:31.800+01:00</updated><title type='text'>ANGOLA EM (IN)MOVIMENTO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quem tem a sorte ou oportunidade de regressar ou passar por Angola, vindo do strange, uma das coisas de que seguramente tem saudades é ver a nossa TPA. Esta, no tempo da outra senhor, significava Televisão Popular de Angola. Com a abertura do país à democratização passou a significar Televisão Pública de Angola. Numa altura em que o lema era o "P" cai, com muito sacrifício, conseguiu manter o "P" de "Popular", embora significando "Público". Na verdade, não é fácil despir-se de "hábitos populares" simplesmente porque a moda é democratizar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, com a proliferação das parabólicas ou DSTV, como são conhecidas aqui, "o tempo da TPA já era", como dizem os Kalibrados. Por isso, já é hábito traduzir-se TPA por "Tenha Paciência Amigo". Nessa situação, a saudade transforma-se num ápice em desilusão. Mas antes que tal aconteça, dentre outros, há um programa que chama atenção ao recém - chegado "Angola em Movimento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Angola em Movimento" é um programa cujo figurino lembra o saudoso "Nação Coragem". A diferença é que tenta vender um cartão postal de uma Angola em Movimento; com grandes obras públicas (fruto do empréstimo chinês, da alta do preço do petróleo e do fim do conflito armado), sobretudo no sector das vias de comunicação, escolas e hospitais ou centros de saúde... Em fim, o programa está concebido para mostrar aquilo que todos esperam ansiosamente: estradas em reabilitação ou construção, escolas e hospitais a serem contruídos e inaugurados... As imagens são tão convincentes que quem por cá passa, vindo do strange, ganha vontade de empreender uma viagem por terra para ver como o país (i)move-se. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não querindo fugir à regra, decidimos fazer uma viagem por terra, de Luanda ao Lobito. Segundo anunciaram, essa é a via que estará totalmente reabilitada até Dezembro de 2007. Então mais um motivo para ver como (não)vão as obras de reabilitação dessa via. Mas para minha (des)consoloção nem obra, nem máquinas, nem chineses vi durante as 8 horas de viagem. Como era domingo, tentei acreditar que os trabalhadores tinham repouso ao fim de semana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas então as máquinas? Os sinais de algum trabalho? E os chineses que trabalhavam até durante a noite? Para não ser acusado de nada, decidi calar-me e repetir a proeza, no meu regresso e num dia de semana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, meti-me à caminho do Lobito a Luanda, numa segunda - feira. Entretanto o filme repetiu-se e chinês apenas vi 5, na cidade do Sumbe. Seguramente estariam em repouso, enquanto outros (des)trabalhavam. Mentira. Nem um, nem dois... Mas as obras (não)avançam e até Dezembro de 2007 teremos a estrada toda reabilitada... É a Angola em (in)Movimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem tiver a ilusão de andar por terra para ver como vão as obras de reconstrução das estradas, por favor, desengane-se e prepare-se para ver Angola em (in)Movimento. Mais do que isso, prepare bem o coração e a paciência porque os buracos continuam a conviver com restos de alcatrão lá onde ainda existe... noutros lugares só mesmo poeira e buracos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imagino quando a chuva chegar!!! Nem quero pensar nas outras vias com menos publicidade e campanha!!! Talvez o anúncio da data do registo eleitoral pode acelerar os trabalhos que já começaram!!!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até breve!!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-115652572404368350?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/115652572404368350/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=115652572404368350' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115652572404368350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115652572404368350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/08/angola-em-inmovimento.html' title='ANGOLA EM (IN)MOVIMENTO'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-115566295810315489</id><published>2006-08-15T18:25:00.000+01:00</published><updated>2006-08-15T18:29:18.120+01:00</updated><title type='text'>POR QUANTAS VEZES MAIS...???</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma voz, a habitual para ser sincero, lançava ao vento palavras de consolo, equilibrando-se entre o repouso agora e um espaço melhor num futuro distantíssimo, enigmático.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Não sei quantas vezes mais terei ainda de voltar aqui, mas a chatice de cá estar é sempre a mesma”, desabafei com um amigo. Já fora, no fim de tudo, uma senhora em trajo preto desabafava impotente com uma suposta amiga (ambas para mim eram desconhecidas, sendo a viatura e a viagem a única coisa em comum entre nós): “uma gaja nunca vem aqui para relaxar… é sempre com problemas. Possas!”&lt;br /&gt;          &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltará a sorrir tão cedo a pobre mulher? Talvez (espero que sim!), mas o rosto transparecia abalo, com um suspiro sentido, enquanto tentava sentar-se no pára-choques traseiro empoeirado da viatura, que não sabia a quem pertencia nem o sujeito que a conduziria. Nestes momentos, qualquer carro dá, não há lugar para formalidades. No fundo todo o mundo vai ao mesmo sítio e volta já, já, à base – excepto, claro, a pessoa do dia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E os primeiros instantes no destino então são os mais ingratos, sobretudo quando no quintal – cujo branco não é sinónimo de uma paz sincera, racional, mas apenas de conformismo, face a uma derrota sem recurso impeditivo – a leitura daquele texto de costume caminha para as últimas linhas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como sempre, já sei o que vem a seguir. Mas me retiro, e é agora, para não olhar de frente, pelo menos desta vez, o passo mais concreto de toda a cerimónia (aquele momento que põe de parte toda a natureza de aparências que normalmente norteiam o socialmente recomendável em termos de apresentação individual e de discursos em relação ao personagem único; o momento pragmático do “terra p’ra terra”). Dou dois passos à retaguarda devagarinho para não dar nas vistas (péssimo momento para um eventual show-off!). Uma obra de arte castanha, que atende pelo nome de caixa, capitaliza as atenções, disputando nalguns casos com os rostos húmidos daqueles directamente mais atingidos (oh, e há sempre!).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O filme é repetido e o impacto também. Enquanto deixo o círculo em busca de forças, sinto as pernas trémulas, a cabeça doendo… Estão muito frescas as imagens de uma conversa de “amizade em trabalho” que travamos na única pensão do Cubal, há um mês. Tudo agora passa para a classe de um passado sem interacção, juntamente com os seis anos da relação de colegas de “profissão”. É mais uma repetição da triste constante: a vida um dia nos junta e, logo, logo, nos separa…!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O homem da bata branca, de livro de capa azul na mão, com os olhos por detrás dos óculos, continuava a apregoar o Senhor e o descanso eterno, enquanto amigos e familiares se rendiam em segurar as poucas pás disponíveis. E cada pausa do seu discurso corajoso era preenchida por um barulho agudo, num compasso que se tornou perfeito face à peculiar frequência ao longo dos anos. O buraco tinha de ser tapado, o homem ficaria mesmo!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A poucos passos, um atraente vaso na cabeceira de uma campa de humilde aparência salta à vista. É natural ou artificial? Agacho-me, arranco uma folhinha e o verde húmido entre o meu polegar e indicador, ao esmagá-la, diz tudo. De um verde nutrido e uma flor amarela sorridente, foi trazida para cá no meio de lágrimas e choros de uma família que depositava para sempre mais um ente querido, como essa, hoje, agora. Não há dúvidas. Ela, a flor, sem me dizer há quanto tempo não recebia irrigação, só mostrou que tem conseguido sobreviver, ao lado de um vasto universo de flores artificiais em vasos com água.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por mais voltas que dermos vamos lá sempre ter… no cemitério. Como é chato, principalmente quando cada visita representa sempre a partida de alguém conhecido e/ou chegado, para nunca mais se voltar a ter novidades?! Como doem as habituais irrespondíveis perguntas lançadas aos choros por órfãos, viúvos/as e familiares em geral? Como é ingrato sabermos que o fim da vida dessa pessoa é o início de um problema para muitos, o de dar seguimento ao seu projecto de vida? O hoje lá se vai, mas quem sabe o amanhã? Ou melhor, é coisa de a pessoa se perguntar: por quantas vezes mais terei de voltar ao cemitério?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por: Gociante Patissa, em memória de Gabriel Agostinho, o “Gaby” da Okutiuka, Lobito, 12/08/2006 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-115566295810315489?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/115566295810315489/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=115566295810315489' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115566295810315489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115566295810315489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/08/por-quantas-vezes-mais.html' title='POR QUANTAS VEZES MAIS...???'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-115471604110869227</id><published>2006-08-04T18:44:00.000+01:00</published><updated>2006-08-04T19:27:21.150+01:00</updated><title type='text'>GESTOS DE ÁFRICA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há um ano,  tive a oportunidade de conhecer as terras de MANDELA. Não sou propriamente a melhor pessoa para falar da África do Sul. Além de ter permanecido por lá noventa dias, embora não como turista, é pouco tempo para perceber muitas dinâmicas. Acresce-se o facto de ser um grande admirador dos Sul-africanos e apaixonado pelo milagre da sua transição para a democracia. O exemplo de coragem e a capacidade de aceitação e superação deles bate fundo e forte no meu pequeno coração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas hoje quero partilhar convosco a beleza e expressividade de um gesto. Passando pelas ruas de JB, Pretória, Petermarsberg(?) ou Durban há um gesto feito pelas mulheres que chama atenção aos observadores atentos. Uma mulher que se preza, quando sauda alguém que não conhece ou então com quem não tem muita intimidade não dá dois pares de beijos. Antes, estende-lhe a mão direita enquanto a mão esquerda segura, ligeiramente, o pulso da mão direita. Até aqui, nada de especial. A novidade, acessível à pessoas atentas, está no movimento que faz com a perna direita. Esta fica, simultaneamente, um pouco atrás e ligeiramente flectida. É um gesto muito rápido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Intrigado com a situação e porque a curiosidade era muita, perguntei a uma amiga porque faziam aquilo. É sinal de respeito! A resposta foi, no mínimo surpreendente. Entei voltei à carga: mas vocês não fazem isso com toda gente? É verdade! Quando as pessoas já são da nossa intimidade nós vamos deixando de parte algumas regras de cortesia ou algumas formalidades sociais. É tão simples quanto isso. A questão não é fazer com  uns e outros não, mas sim adaptar as regras sociais ao contexto. Fiquei estupefacto e sem palavras...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O " problema" voltou à baila quando fui ao Moxico, em meiados de Julho de 2006. No final de semana, fomos convidados a almoçar em casa do amigo do meu colega. Para meu espanto, a esposa do amigo repetiu o mesmo gesto e fiquei apreensivo. Para completar a confusão, quando fomos convidados a sentar à mesa, ela ofereceu-nos uma bacia com água morna para lavar as mãos e uma toalha.  O dono de casa começou a comer com as mãos e nós seguimos o gesto. Foi, simplesmente, divino. Nunca vi coisa igual...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para complicar o quadro, perguntei ao nosso amigo se a esposa era sul-africana. Ele respondeu-me que era do Bié! Na minha incredulidade, dirigi-me a ela em Umbundu e fui respondido à letra. Então, perguntei: donde é o amigo? Sou do Luena! Muita confusão em tão pouco tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vez no hotel, interroguei o meu colega sobre os gestos que tinha presenciado e contei-lhe a minha experiência da África do Sul. Ouviu-me, pacientemente, e disse: meu irmão a África está cheia de gestos e sinais comuns. Mudam os nomes, mas dizem a mesma coisa. O gesto da saudação também encontras na Zâmbia, Zimbabwe, Moçambique... Basta que a mulher seja educada num meio conservador e, uma vez adulta, tenha coragem de apresentar a sua educação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E aquela de lavar as mãos com água morna e comer com as mãos, enquanto os talhares permanecem arrumados? É uma experiência que trouxemos da Zâmbia. Lá, as pessoas que se prezam, usem gravata ou não, mantêm esse gesto. Os talheres ficam arrumados à mesa, mas quase ninguém os usa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gostei da experiência e, sobretudo, da transnacionalidade dos gestos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até breve!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-115471604110869227?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/115471604110869227/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=115471604110869227' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115471604110869227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115471604110869227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/08/gestos-de-frica.html' title='GESTOS DE ÁFRICA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-115445481509923917</id><published>2006-08-01T18:15:00.000+01:00</published><updated>2006-08-01T18:53:35.630+01:00</updated><title type='text'>COSTANGUEIRO II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sentei pa descansar, quando apareceu um amigo completamente chateiado e aos berros. Tentei fingir que estava demasiado ocupado com os meus problemas, mas foi impossível. O meu amigo estava inconsolável. Foi assim que decidi falar com ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então mano, qual é o problema? Tas  a ver aquela via que sai da rotunda do zamba II e pessa pelo bairo azul? Yá tou a ver ( tive de fingir, porque não conheço Luanda, nem estou a ver..., talvez  na imaginação, mas nem ai...). Apanhei ai o hiace pa ir ao trabalho, mas inventaram de fazer obra logo naquela estrada. Resultado: cortaram uma faixa da estrada e na que resta há muito engarrafamento. Pa variar, quando decidi ir à pé pa chegar ao salu antes de me marcarem falta, doutro lado da estrada as obras deram cabo de um cano de água e a rua ta toda "alagoada"( seria alagada se fosse apenas molhada, mas como formaram-se lagos...). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para passar é preciso apanhar um costangueiro. Como havia muita gente apressada e poucos costangueiros, eles começaram a cobrar 100kz por cada travessia. Que absurdo! É o dobro do preço do taxi. Mas pronto né! Um gazo tem que bazar po salu e pronto, paga. Mas o pior tava pa chegar. Quando mesmo chegou a minha vez pa passar, epa quase a chegar no passeio o costangueiro começou a reclamar: Kota é muito bebucho, tem que dar 200kz, se não desce. Puto tas a gozar ou quê? Vou descer como? Então paga senão desce aqui mesmo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para meu azar: o puto fez-me descer! Com os sapatos e as claças entrei naquele alagoado e era uma vez: falta no salu, sapatos rebentados, e roupa molhada. Aquem devo pedir a responsabilidade pelos prejuízos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Será que temos que fixar também o preço dos costangueiros pa travar a concorrência desleal ou &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e preciso ter cuidado com os trabalhos nas estradas? Precisa-se, com urgência, recuperar a ética da responsabilização e fiscalização das obras públicas, porque no fim da linha é o pacato cidadão que paga a factura pesada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até breve!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-115445481509923917?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/115445481509923917/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=115445481509923917' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115445481509923917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115445481509923917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/08/costangueiro-ii.html' title='COSTANGUEIRO II'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-115375115460659966</id><published>2006-07-24T14:44:00.001+01:00</published><updated>2006-07-24T15:46:18.546+01:00</updated><title type='text'>COSTANGUEIRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desta vez, escrevo a partir de Luanda, a »cidade da confusão». Encontro-me na também cidade da Kianda desde 05 de Julho. Já estive nas cidades do Lobito e Benguela e a imagem não foge muito da confusão de Luanda. Tive também a sorte de viajar ao Luena, onde fiquei 8 dias a trabalhar na preparação e realização de uma conferência sobre o papel das eleições na promoção da democracia e da reconciliação nacional. Em próximos apontamentos, espero poder falar dessas emoções e impressões de regressar à terra e viajar pelo leste.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje quero partilhar convosco uma nova profissão criada pelos angolanos: "Costangueiro". Quando cheguei à casa, nas conversas com as minhas irmãs falaram-me de certo grupo de pessoas que só comem quando chove. Diante da minha indiferença, uma das minhas irmãs perguntou: « mano, sabes porquê eles só comem quando chove»? Do alto da minha sapiência respondi: « porque são agricultores e sem chuva têm dificuldades de regar os campos e conseguir alimento». Em uníssono, as minhas irmãs puseram-se a rir da tuguisse e ignorância do mano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Refeitas da piada e parvoíce do mano, a mais velha pôs-se a explicar: « mano, eles só comem quando chove porque são costangueiros»! «Costa quê»?, returqui eu. «Costangueiro, mano»! «Explica lá isso bem»! Rematei. «Mano, conheços os candongueiros né»? «Ya conheço»! «Então candongueiros e costangueiros são dois meis de transportes. Enquanto o candongueiro te leva de carro, o costangueiro te leva nas costas; enquanto o candongueiro tem sempre clientes e trabalho, o costangueiro só trabalha quando chove, porque é quando as ruas e as estradas estão cheias de água e para as pessoas passarem têm de ser levadas às costas».&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De regresso à Luanda e pelos lados de São Paulo deparei-me com um cenário desolador: em pleno cacimbo, isto é, quando não chove, as ruas estavam completamente alagadas e os costangueiros empregados. Então telefonei à minha irmã e disse-lhe: « mana, aqui em Luanda os costangueiros não dependem da chuva pa trabalhar. Há sempre clientes que precisam ser levados às costas para atravessar certas ruas, porque o asfalto e os canos de água não se entendem. Paga o pacato cidadão e o costangueiro ganha o seu pão». Até Dog Murras desconseguiu explicar e cantar essa verdade, já que ele só diz « nosso bairo é o mesmo... quando chove é sartar, se cair maka é teu»!!! E quando não chove? Porque precisamos de costangueiros? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Atenção: não sou contra aqueles que ganham digna e honestamente o seu pão! Mas essa de levar os outros às costas pa atravessar os lagos ou charcos ao longo das estradas e ruas não dá.&lt;br /&gt;Até breve!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-115375115460659966?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/115375115460659966/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=115375115460659966' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115375115460659966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/115375115460659966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/07/costangueiro.html' title='COSTANGUEIRO'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-114549165356614138</id><published>2006-04-20T01:04:00.000+01:00</published><updated>2006-04-20T01:07:33.583+01:00</updated><title type='text'>«HÁ QUATRO ANOS!!!E QUATRO ANOS DEPOIS???»</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há quatro anos…&lt;br /&gt;Morreu Savimbi em combate, no Leste de Angola. Foi exibida pela Televisão Pública de Angola(TPA) a imagem do corpo de Jonas Savimbi cravado de balas, moscas e profanado. Para quem tinha dúvidas ou alguma esperança no regresso do líder ou numa reviravolta, tudo ficava claro. Era chegado o fim de uma odisseia começada em 1966 no leste de Angola.&lt;br /&gt;Há quatro anos…&lt;br /&gt;Nasceu um duplo desafio para o General Paulo Lukamba “Gato”: 1º parar as hostilidades e devolver a paz aos angolanos; 2º salvar a UNITA de um fim inglório e transformá-la num partido político capaz de abraçar a disputa político, sem recorrer a meios militares.&lt;br /&gt;Há quatro anos…&lt;br /&gt;O General “Gato” mostrou-se à altura do acontecimento e das circunstancias. Por um lado, suspendeu as hostilidades e entabulou negociações com as FAA, assinando-se um cessar fogo, que teria na assinatura do memorando de entendimento, em Luanda na casa mãe das leis, o seu ponto alto. Por outro lado, o General “Gato” começou a percorrer o longo e difícil caminho da unificação e transformação da UNITA. É um caminho que teve o seu ponto alto no congresso que elegeu o Sr. Samakuva como presidente da UNITA. A unidade da UNITA permanece difícil, com altos e baixos…&lt;br /&gt;Quatro anos depois…&lt;br /&gt;A paz é uma realidade inquestionável. O mérito do presidente da república, o engenheiro José Eduardo dos Santos, na conquista da paz militar é incontornável. Os frutos da paz são visíveis na livre circulação de pessoas e bens, na reabilitação das infra-estruturas, na estabilização macro-económica, na corrida de investidores estrangeiros…&lt;br /&gt;Quatro anos depois…&lt;br /&gt;A defesa e garantia dos direitos e liberdades fundamentais dos angolanos é feita de modo tímido ou insipiente. A igualdade perante a lei é uma miragem, para a maioria dos angolanos. A juventude rural e das periferias das grandes cidades continua condenada a um desemprego crónico, quando não está sub-empregada. Os salários da função pública permanecem aquém do custo de vida…&lt;br /&gt;Quatro anos depois…&lt;br /&gt;Continuamos a espera da normalização das instituições políticas do país. As eleições continuam no segredo dos deuses. A oposição e o partido no poder continuam com agendas desencontradas. As grandes questões nacionais ainda são monopólio e privilégio dos “iluminados” dos partidos, “grandes intérpretes” do pensar e sentir nacional. O investimento na educação e na saúde, que mais não são senão o investimento no Homem Angolano e no futuro do país, são uma miragem.&lt;br /&gt;Quatro anos depois…&lt;br /&gt;A UNITA ainda vive os seus dramas e o sonho de ser o maior partido da oposição. A FNLA continua abraços com a sua crise interna de liderança. Os outros todos não inspiram segurança enquanto alternativa ao governo do MPLA… Por esse andar, quando as eleições forem anunciadas, não é muito difícil prever que sirvam para confirmar o óbvio…&lt;br /&gt;Quatro anos depois…&lt;br /&gt;Consola-me saber que pesa sobre a nossa geração, gravemente privada de oportunidades, o desafio de trabalhar e lutar por uma democracia pluralista em Angola e não apenas eleitoral. Esse desafio já começou e temos de procurar pelas oportunidades já que elas tardam em aparecer ou manifestar-se de forma clara e transparente. Eu acredito na nossa geração… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-114549165356614138?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/114549165356614138/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=114549165356614138' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/114549165356614138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/114549165356614138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/04/h-quatro-anose-quatro-anos-depois.html' title='«HÁ QUATRO ANOS!!!E QUATRO ANOS DEPOIS???»'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-114437392354572821</id><published>2006-04-07T01:24:00.000+01:00</published><updated>2006-04-07T02:50:02.973+01:00</updated><title type='text'>O "KAIRÓS*" DA UNITA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De regresso à terra, tive a oportunidade de voltar às nossas conversas com a avó Cambundu, aquem o peso da idade vai vergando. Desta feita, obriguei-a ir bem fundo da sua memória e resgatar de lá alguns dados e referências históricas que me ajudassem a compreender um fenómeno que me tem intrigado de algum tempo a esta parte: A "UMBUNDIZAÇÃO" DA UNITA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A avó Cambundu olhou bem fundo para os meus olhos e pediu-me que a levasse ao quintal para sentar-se à sombra da mulembeira. No seu estilo maternal, convidou-me a sentar-se bem perto das suas cansadas pernas e, afagando a minha carapinha, como o fazia na minha infância vezes sem conta, constatou com surpresa que seu netinho estava a tornar-se num homem calvo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muita hesitação, avó Cambundu começou a narrar a sua pesada e dura história. «Em 1961, quando começou a luta de libertação nacional estava a trabalhar nas roças no "nano"(1). Tinha ido lá atrás do teu avô que já lá estava faz três anos. Com os ataques dos nossos irmãos do catanga(2) e com a resposta dos brancos, nós tivemos de fugir e conseguimos chegar mais tarde na nossa aldeia de Etunda Mbulu. Meu filho quando chegamos na nossa aldeia a alegria voltou nos nossos rostos e a força para recomeçar a vida era maior, porque «v'ondjo v'ondjo, nangõ katulila mo omumã!»(3).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu filho, nesse ano, alguns familiares fugiram para muito longe e não conseguiram chegar na nossa aldeia. Mais tarde, quando as coisas ficaram calmas, eles voltaram lá nas roças do "nano" para ganhar a vida. Eles eram muito jovens e tinham medo de voltar a aldeia e serem apanhados pelos cipaios e levaram um castigo pesadíssimo ou serem levados de volta e perderem o pouco a que podiam ter direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1974, quando as tropas da FNLA entraram nas zonas das roças começaram a correr e expulsar todos os trabalhadores das nossas terras. Alguns foram mesmo mortos. O povo teve medo que se voltasse a repetir o 1961, então quase todos saírem de lá e voltaram nas nossas aldeias. Perderam tudo, mas mesmo tudo o que tinham e nunca mais perdoaram os da FNLA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegaram aqui nas nossas aldeias, começaram a ouvir falar da UNITA. Esses vinham dos Luchazes(4) e falavam a língua dos luchazes e a nossa, mas eram muito diferentes da FNLA porque não ameaçam e andavam sempre a falar boas coisas. Havia muitos deles que eram camponêses ou filhos do povo e nós conhecíamos muito bem. Eles aconselharam-nos a não desistir e continuar a lutar e a trabalhar a terra. Foi assim que o povo que estava cansado e triste, rapidamente, simpatizou com a UNITA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a UNITA foi corrida das cidades em 1975/76, muitos acompanharam a UNITA porque acreditavam que a guerra que vinha de cima é muito perigosa e os do "nano" matam tudo. Por isso, o melhor é fugir. Mas o pior ainda tava para acontecer, meu filho». O sol já se punha e a avó começou a sentir frio e pediu-me que a levasse para dentro. Frustrado, fiz-lhe a vontade e deixa-a deitada na sua cama. Finalmente, quando me dirigia para porta de saída, a avó chamou-me e perguntou se eu queria ouvir mais um bocadinho antes dela dormir. Eu disse-lhe que sim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então avó Cambundu retomou a conversa, mas sem a sequência que estava a espera. « No ano da fome(5), houve kwata-kwata(6) nas nossas aldeias para ir de novo nas roças. Mas desta vez o povo fugiu para as matas e foi entregar-se na UNITA. Foi muita gente, mas muita muita gente mesmo. Cátê aqueles que foram apanhados muitos conseguiram fugir de lá e foram nas matas. Desta vez eles estavam dispostos a lutar e defender a suas aldeias e os seus velhos e crianças. E a guerra teve que durar muito tempo, porque era muito abuso. O teu avô, nesse tempo, dizia aos teus tios «kapeli-ko: ove watopa onambi ya nhõhõ vaenda layo»(7).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse entretanto, avó Cambundu adormeceu e deixou-me com água na boca. Mas, prometo voltar mais cedo e aproveitar gravar algumas histórias da minha querida avó e tentar parlhar algumas delas convosco. Fica a ideia que há momentos históricos fortes marcados com erros da FNLA e do Governo do MPLA que ajudaram a UMBUNDIZAR a UNITA. Esses elementos não tiram mérito à capacidade de mobilização dos dirigentes desse partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas: * Kairós=tempo de graça; (1) Nano: equivale a norte; (2) Catanga: equivale a provenientes do Zaire;&lt;br /&gt;(3) V'ondjo v'ondjo nangõ katulila mo omumã(literalmente= mais vale ter uma casa, ainda que não se coma nela o fígado). Em casa estamos sempre bem, mesmo quando não temos posses para comer do bom e do melhor.&lt;br /&gt;(4)Luchazes: equivale a leste;(5) ano da fome: equivale a 1977/78; (6)kwata kwata: é a guerra do "apanha apanha" para levar os campoêses do sul para as roças do norte;&lt;br /&gt;(7) Kapeli-ko: ove watopa, onambi ya nhõhõ vaenda layo(literalmente=Cuidado: se fores burro, tiram-te o direito de chorares e sepultares a tua mãe). Se não te acautelares, tiram-te a liberdade conquistada e não serás capaz de cuidar da tua mãe, dos teus e da tua terra; outros contarão a tua história, por isso, resiste!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-114437392354572821?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/114437392354572821/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=114437392354572821' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/114437392354572821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/114437392354572821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/04/o-kairs-da-unita.html' title='O &quot;KAIRÓS*&quot; DA UNITA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-114075202173349797</id><published>2006-02-24T02:30:00.000Z</published><updated>2006-04-07T02:58:08.986+01:00</updated><title type='text'>AGORA É QUE VÃO APANHAR CAFÉ!!!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há quatro anos, num belo domingo 24 de Fevereiro de 2002, encontrava-me numa das Igrejas do Lobito a meditar, momentos antes da Missa Dominical das 10h00. Nesse instante, entra uma senhora amiga, na casa dos seus 50 anos, toca-me no ombro esquerdo e diz « sekulu wafa, kalye wendi k'ondalatu! v'ukanoli o café k'imbo lyamale!» (1). Confesso que entendi o que disse, mas não compreendi e nem consegui fazer o devido enquadramento. Intrigado, tentei concentrar-me na missa que estava prestes a começar.&lt;br /&gt;Quando terminou a missa, saí da Igreja e fiquei lá fora a conversar com amigos. Eis que aparece o nosso pároco que se junta ao grupo e participa da conversa. Dada a nossa proximidade, seguimos juntos para almoçar. Durante o almoço vieram-me as frases da senhora e disse-as ao padre, na esperança que ele me ajudasse a fazer o devido enquadramento. Para meu espanto, jovem da casa dos vinte anos, aquelas palavras tinham uma verdade histórica que eu desconhecia completamente.&lt;br /&gt;No rescaldo da guerra imediatamente a seguir a Independência, entre os anos de 1976 a 1978, houve uma brutal escassez de alimentos e paralização dos campos de algodão e café do norte de Angola. Para fazer face a esse desafio, o governo de Angola reeditou a guerra do Kwata-Kwata (2) nas terras do planalto e sul de Angola (3) afim de obter trabalhadores agrícolas indispensáveis para revitalização da agricultura nas roças do norte.&lt;br /&gt;Se com a independência, os camponêses do planalto e sul de Angola puderam sonhar com o fim do seu recrutamento forçado para aquelas roças, a sua reedição por um governo independente foi um golpe duríssimo na sua ilusória liberdade. O líder da UNITA, Jonas Savimbi, agastado com a fraqueza e quase exaustão das forças que conseguiram sobreviver à retira das cidades, em direcção as matas do leste (Jamba), onde se reorganizará a luta de resistência, aproveitará esse facto mais a presença dos cubanos para moblizar aqueles camponêses e relativos à sua causa. O aproveitamento político desse facto e o apelo à resistência a guerra do Kwata-Kwata e a invasão cubana atraiu para as matas muita gente farta da opressão e brutalidade das roças. Conta a história que foi assim que Savimbi conseguiu pôr fim a guerra do Kwata-Kwata. É bem conhecida a máxima Umbundu que Savimbi usava com frequência «ise okufa, etombo livala» (4).&lt;br /&gt;Talvez isso explica, em parte, porque pessoas da minha geração naturais das zonas do planalto e sul de Angola tenham crescido em meios onde os adultos nutriam (e nutrem) uma grande admiração e respeito, quando não devoção, pelo mais velho (Savimbi), que consideravam seu libertador tanto da opressão colonial quanto da opressão do novo governo, malgrado todos os dizeres verdadeiros ou não das atrocidades do mais velho.&lt;br /&gt;Mas para os nascidos depois da independência continua a existir muitas coisas difíceis de compreender, hoje, porque a história foi-lhes negada por muito tempo. Os que a viveram preferem calar, quando não a contam com muita amargura, sendo difícil distinguir o facto da sua recriação. Dessa forma aprendi mais um pouquinho da nossa difícil e complicada história política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Morreu o mais velho, agora ireis apanhar café em terras do norte como contratados;&lt;br /&gt;(2) Guerra do Kwata-Kwata: literalmente, guerra do apanha-apanha. Foi desencadeada pelas autoridades coloniais para apanhar camponêses e enviá-los às roças, sobretudo do norte de Angola. As famosas levas de contratados Ovimbundu ou Bailundo;&lt;br /&gt;(3) Planalto e Sul de Angola: pessoalmente, não gosto de usar essas expressões, mas servem para identificar o antigo corredor do Planalto de Benguela ou zonas de povoamento Ovimbundu; assim como, as zonas do norte, identificam as de povoamento Kimbundu mais Kikongo (roças do Uige);&lt;br /&gt;(4) Prefiro antes a morte, do que a escravatura. É um forte apelo a resistência por justa causa: manter a dignidade e a honra do convento.Mas não se compreende plenamente sem a sua complementar: «na floresta, a árvore que não obedece ao vento quebra». Isto é, quando a resistência não é possível, a sabedoria aconselha obediência para sobreviver e contar a história.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-114075202173349797?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/114075202173349797/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=114075202173349797' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/114075202173349797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/114075202173349797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/02/agora-que-vo-apanhar-caf.html' title='AGORA É QUE VÃO APANHAR CAFÉ!!!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-114060646110199618</id><published>2006-02-22T10:05:00.000Z</published><updated>2006-04-07T02:54:10.006+01:00</updated><title type='text'>A CHANA DA VERGONHA!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há quatro anos morria, nas chanas do Leste de Angola, Lucusse, Jonas Malheiro Savimbi. Para uns, morria o pai fundador da UNITA, líder histórico, carismático, controverso... Para outros, simplesmente, um criminoso de guerra, um sanguinário... enfim, um "Calvário Chamado Jonas"*. A par das lutas político-partidárias e das questões intestinais ou figadais, relacionadas com o nome e a pessoa de foi Jonas Malheiro Savimbi, quero reflectir sobre uma coincidência histórica ou não e de algum desagrado com a mídia televisiva, dependendo do ângulo de leitura do leitor.&lt;br /&gt;A expressão que dá título a esta reflexão é do dr. Savimbi. Foi usada em Agosto ou Setembro de 1974, aquando da assinatura do acordo de cessar fogo entre o MPLA-Neto e o exército português, no Lucusse. Jonas Savimbi, nessa expressão, resume aquilo que para ele significou a "traição portuguesa".&lt;br /&gt;Quando se dá o 25 de Abril, em Portugal, o MPLA encontrava-se dividido em três facções: Neto, Chipenda e Joaquim Pinto de Andrade. Chipenda era o comandante das forças do MPLA, na frente Leste. Uma vez em ruptura com o MPLA-Neto, significava que esta ala não tinha presença na frente leste. Mas para mostrar que o MPLA-Neto tinha presença no Leste de Angola, foi criado um cenário militar de guerrilha para acolher o dr.Agostinho Neto que vinha de helicópetero das forças armadas portuguesas para assinar o cessar fogo no interior de Angola. Devido a encenação e ao simbolismo que revestiu e revestirá para o MPLA-Neto, Jonas Savimbi chamou ao Lucusse "A CHANA DA VERGONHA", porque marcava "a primeira traição" de Portugal aos destinos do povo angolano.&lt;br /&gt;No dia 22 de Fevereiro de 2002, Jonas Savimbi morre no Lucusse, aquela que há 28 anos era a "CHANA DA VERGONHA". Porque o seu fim se deu no Lucusse e não noutro lugar? É mera coincidência ou quereria significar alguma coisa mais? Será que quereria terminar onde começou a UNITA (Muangai) e não foi a tempo? Ou quereria completar o círculo da traição começada no Lucusse? Mas então qual é a traição final: a dos seus companheiros e/ou do povo que dizia defender e o terá entregue? Ou a sua em relação aos seus companheiros e/ou ao povo que dizia defender? Como a nossa intenção não é responder a esses interrogatórios, mas colocar a questões passaremos para a análise de outro ponto: tratamento da imagem.&lt;br /&gt;As imagens que nos chegaram e foram distribuidas pela TPA constituiram, entre outras coisas, uma elevada profanação da sacralidade da morte. Aprendemos desde tenra idade que os mortos são sagrados e, malgrado a lógica da guerra, devem merecer um mínimo de dignidade.&lt;br /&gt;Para quem acompanha as imagens de sinistralidade dos ataques terroristas que tiveram lugar em países ocidentais, desde o 11 de Setembro, há-de constatar que os mortos não têm rosto. Fala-se do número, mostram-se, as vezes, alguns corpos, mas sem rosto, isto é, reserva-se a dignidade a que têm direito. Mas então que fizemos dos nossos princípios sagrados? Dir-me-ão: ele não respeitava os vivos! Quanto mais os mortos? Pois bem, quando não temos elevação moral suficiente para preservarmos a dignidade que existe em nós, penso eu, que nos tornámos pior do que aquele que queremos sancionar.&lt;br /&gt;Queria partilhar com todos, mas sobretudo os meus coetâneos que sobre a nossa história podem não ter algumas informações, daí a incursão pela história na primeira parte. Na segunda, é um desagrado pela nossa mídia no tratamento das imagens dos mortos, doentes de sida, estropiados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Título do livro do ex-deputado do MPLA, Alexandre Gurgel " Um Calvário Chamado Jonas"(1999/2000?)???( que alguém me ajude a precisar a referência!!!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-114060646110199618?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/114060646110199618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=114060646110199618' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/114060646110199618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/114060646110199618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/02/chana-da-vergonha.html' title='A CHANA DA VERGONHA!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-113990090027364499</id><published>2006-02-14T05:50:00.000Z</published><updated>2006-04-07T03:01:04.906+01:00</updated><title type='text'>DASABITUAÇÃO DA LÓGICA ILÓGICA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É segunda feira. São 19h30, encontro-me na biblioteca João Paulo II da Universidade Católica Portuguesa. Depois de horas passadas a estudar, eis que me levanto e arrumo as minhas vikuatas*. Nesse instante, sinto atrás de mim alguém a fazer o mesmo e, então, viro-me para identificar a pessoa: era um irmão nosso. Despachei-me e saí à toda pressa, mas estacionei à entrada fingindo ler uns periódicos, já que o nosso irmão seguia-me. Quando ele saiu, a ordem inverteu-se: começei a seguir o meu seguidor. Apanhei-o antes dos semáforos.&lt;br /&gt;Para não variar, meti conversa com o nosso amigo e percebi que era um compatriota. Perguntei: o que fazia pela Católica? Respondeu: estou a fazer uma Pós-graduação. Donde és? Sou de Luanda. Desculpa, na verdade vivo em Luanda, mas sou do Lobito. Wau, exclamei lá bem dentro de mim, e voltei a carga: de que zona és, no Lobito? Restinga! Que chique, disse para mim mesmo. Em que rua da Restinga? Para meu desalento, o nosso compatriótica sentiu-se encurralado e disparou: porquê tanta pergunta? És angolano? Conheces o Lobito? Confesso que fiquei engasgado, porque o interrogatório estava a correr tão bem que não temi que fosse voltar a ficar em desvantagem. Então respondi: sou angolano! Não se nota? Não! O teu sotaque é diferente!!! Fiquei triste, porque até agora estava convencido de que o meu sotaque voltara ao "normal", mas engano meu!!!&lt;br /&gt;Passado este momento, o nosso amigo abriu o coração e disse: na verdade, sou do Kuito-Bié. Não percebi o jogo, porque estava desabituado dessa lógica das omissões ou adopção de novas naturalidades. Por sorte, fez-se luz e comecei a raciocinar, passando-me pela cabeça o filme todo de quantos angolanos conhecidos e anónimos das terras do Huambo, Bié e Interior de Benguela que negaram as suas naturalidades com medo de represálias ou de fecharem-se-lhes as portas da sorte ou oportunidades, daí optarem por ser, preferentemente, de Luanda ou Lobito, quando não Catete!!!( basta ler "Os Predadores" de Pepetela").&lt;br /&gt;A guerra que assolou o país parece ter criado indelevelmente cidadãos estratificados por categorias absurdos: diz-me donde és e dir-te-ei quem tu és. Que absurdo! Que sinismo! Mas é a verdade verdadeira sobre a nossa história recente e, pior ainda, futura, já que não se vislumbra vontade política nem académica para nos livrar-mos da propaganda militar e política. Peço desculpa por ter dito vontade académica, na verdade queria dizer propaganda escolar, uma vez que a cultura académica está mais lenta que a reabilitação do CFB(Caminho de Ferro de Benguela).&lt;br /&gt;Na recta final da nossa conversa, perguntei pelo nome do nosso amigo. Disse-me primeiro o nome português, como manda a boa regra de etiqueta angolana. Pensando consigo que acabara o interrogatório, voltei a carga:João** quê? João Kambundi! Então pus-me a explicar-lhe o nome Umbundu e, para meu espanto, o irmão soltou um sorriso e disse: na verdade és mesmo da zona! A frase saiu como um suspiro de alívio, porque percebera que eu era um dos seus e a conversa tomou outro rumo, com o nosso Umbundu a mistura. O resto do filme fica para mim!!!&lt;br /&gt;Pensei que você tem o direito de saber que muito do que toma por adquirido, hoje em Angola, faz ainda parte duma lógica de guerra e propaganda política. Onde ser-se das terras do planalto central ou interior de Benguela era e, infelizmente, continua a ser sinónimo de pertença à UNITA. Este mito foi alimentado pela própria UNITA para justificar e legitimar a sua luta em defesa duma suposta "maioria" e pelo próprio Governo do MPLA para legitimar a sua luta contra um líder étnico e seus sequazes. Tudo lógica da guerra e propaganda política, com meias verdades, ofuscando a «verdade efectiva».&lt;br /&gt;Como resultado: temos pessoas que para sobreviverem e terem acesso a oportunidades razoáveis, no seu próprio país, tiveram que renunciar as suas naturalidades "incómodas" e guardarem bem longe a sua memória colectiva até o uso da sua língua, inventando outras histórias e heróis para os filhos. Desafio: a nós, geração das incertezas e oportunidades, cabe o desafio de separar, no discurso do dia-a-dia a propaganda política da «verdade efectiva dos factos».***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É pura realidade e qualquer semelhança com a ficção é apenas coincidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Vikuatas=haveres, pertenças&lt;br /&gt;**Nome fictício, mas o segundo é o nome duma raíz usada na Kissangua(sumo de milho) "Mbundi", sendo "Kambundi" o diminuitivo por prefixação.&lt;br /&gt;***Maquiavel, "O Príncipe"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-113990090027364499?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/113990090027364499/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=113990090027364499' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113990090027364499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113990090027364499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/02/dasabituao-da-lgica-ilgica.html' title='DASABITUAÇÃO DA LÓGICA ILÓGICA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-113750728557633067</id><published>2006-01-17T14:13:00.000Z</published><updated>2006-04-07T03:03:24.730+01:00</updated><title type='text'>RAUL DAVID NÃO MORREU</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“No news is good news”. Lembrei da máxima inglesa segundo a qual nenhuma notícia é boa… porque agrada uns e desagrada outros. Só que, me recusava a acreditar que existisse alguém alegre com a notícia da morte de Raul Mateus David. Enquanto viveu, Tio Raul, como era tratado, conquistou para si vários títulos: poeta, historiador, escritor, actor, ex-adido cultural da embaixada de Angola no Zimbabué, etc. E não será a idade nem a morte que apagarão o que escreveu com suor e muita massa cinzenta. Se não for recordado por isso, que ao menos seja por (aos 86 anos) deixar entre órfãos um bebé, e 11 livros publicados. Um verdadeiro homem de obras!&lt;br /&gt;A morte por cá é, na realidade, um infortúnio de difícil convivência, cujo efeito só o tempo ajuda a aceitar. As formas de manifestação do inconformismo são variadíssimas: canções, danças, conversas, forma de vestir, nomes que se atribuem aos órfãos, etc. Traiçoeira, inesperada, infausta… E nesse caso, nem a mediática idade foi tida e achada na hora de avaliar eventuais factores para o falecimento do Velho, nascido no município da Ganda. Reacções: notas fúnebres de todo o lugar inundavam as redacções da mídia, parecendo mais um daqueles engarrafamentos na estrada Lobito/Benguela quando mais um rico vai a enterrar. Excelente momento para se dissipar qualquer dúvida sobre a importância de Raul David nos mais diversos segmentos sociais.&lt;br /&gt;Porém, e sem querer julgar ninguém, quem viu o talk show Janela Aberta, da TPA – Televisão Pública de Angola, edição de segunda-feira, 21 de Fevereiro, entendeu, nas palavras de Analtina Dias, co-apresentadora, como nem tudo corria bem na vida de Raul David. Sem precisar ir a fundo, com cara de consternação revelou Analtina que, “por vezes, quando alguém goza de um status social, a impressão que temos é a de que tudo vai bem; mas o lado triste é que os apoios não vêm quando mais se precisam”. Quem viu o Janela Aberta ficou a saber igualmente, através da Jornalista, que Tio Raul esteve internado numa das clínicas do município do Lobito, onde há alguns dias vinha recebendo tratamento, com “uma recuperação satisfatória, segundo os médicos”. Não é preciso ser génio para perceber nas entrelinhas eventuais causas secundárias.&lt;br /&gt;“O governo de Benguela já criou uma comissão para preparar as exéquias fúnebres do escritor Raul David, falecido no princípio da noite passada, aos 86 anos”, ouvia-se num dos noticiários da Rádio Nacional de Angola. Confesso que não sei, ao certo, de que horas era referente o noticiário. Nessa vida, às vezes fica difícil distinguir quando começa a manhã e quando termina a noite, pois é, como digo, se isolarmos as horas do relógio e as lógicas da sucessão dos dias e das noites; a questão é simples: tanto se sonha de dia (quando nos ferra o sonho de uma vida melhor num toque de magia – já que com o salário nem vale a pena contar); como também passamos as noites acordados (quando nos ferram ou a insónia constante da falta de mosquiteiros ou a carga emocional do dia a dia). É Angola a crescer, e estamos cá para contribuir!&lt;br /&gt;A recente homenagem do Ministério da Cultura foi a sua última “ceia” com intelectuais de Benguela, quando, com gosto e carinho, se enalteceu, na voz do historiador Arjago, a vida e obra de Raul David, o homem também conhecido pelo seu “português e vestir de português/branco”.&lt;br /&gt;Ainda guardo em memória as estórias e fábulas que ouvi de Raul David, quando em 1996 eu frequentava as gravações de um programa infantil da TPA-Benguela. Com ansiedade aguardo a oportunidade de assistir ao “Comboio da Canhoca”, filme de que o Velho foi actor, ler “Colonizados e colonizadores” – livro seu bastante referenciado. Nunca é tarde demais.&lt;br /&gt;Vai a enterrar em breve no Cemitério da Camunda com toda a pompa e já imagino o desfile de alguns que disputarão com o caixão a atenção da imprensa. Detesto oportunismos e, não tendo havido em vida ligação entre nós, não vou ao funeral. Do meu canto acompanharei tudo, porque como Umbundu aprendi que “onambi lonambi ikwete una Yaloña” (“cada macaco no seu galho”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: se para uns recordar é viver, para outros é sofrer duas vezes. Nas vésperas do primeiro aniversário do passamento físico do escritor angolano, Raul David, resolvi retomar esse texto que elaborei naquela altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gociante Patissa, Lobito&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-113750728557633067?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/113750728557633067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=113750728557633067' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113750728557633067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113750728557633067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2006/01/raul-david-no-morreu.html' title='RAUL DAVID NÃO MORREU'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-113594917434548035</id><published>2005-12-30T13:11:00.000Z</published><updated>2006-04-07T03:05:46.493+01:00</updated><title type='text'>HÁ UM ANO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando tudo parece indicar que não há força para continuar com o nosso blog, é com alguma satisfação que assinalamos o nosso primeiro ano de vida. Diz o povo que começar é ter meio caminho andado. Pior mesmo é não começar. No meio das dificuldades, o importante é não perder a vontade de fazer caminho caminhando.&lt;br /&gt;A sabedoria Umbundu é eloquente quando diz «otchinimbu wateta k'onhohã otcho tch'ove»( qui potui capere caepi, diriam os latinos)*. Na verdade, fiz a minha parte que é criar um espaço de exercício de cidadania. A sua manutenção depende de todos: aqueles que escrevem, os que lêem e nos criticam, sugerindo mudanças.&lt;br /&gt;Esperamos continuar nesse caminho de servir e facilitar o exercício de cidadania. Vai um obrigado especial ao Padre Martinho Kavaya, no Brasil, que nos escreveu na primeira hora; ao Gociante Patissa, no Lobito, que nos tem brindado com as suas brilhantes crónicas; ao Pedro Romão, no Porto, que nos autorizou a republicar os seus artigos do angonotícias no começo, mas parece ter-se "desabituado" de escrever; ao Samy de Jesus, em Benguela, que nos brindou com a sua crónica eclesial; aqueles que prometeram enviar-nos os seus textos, mas ainda não o fizeram... Aqueles que nos visitam e divulgam, são motivo de nossa satisfação e orgulho.&lt;br /&gt;Parabéns a todos nós. Até 2006.&lt;br /&gt;*O provérbio Umbundu corresponde a ideia de «dever cumprido, apesar das contrariedades da vida» ( da cobra é nosso o pedaço que temos na mão).&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-113594917434548035?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/113594917434548035/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=113594917434548035' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113594917434548035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113594917434548035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/12/h-um-ano.html' title='HÁ UM ANO'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-113284885424308633</id><published>2005-11-24T16:12:00.000Z</published><updated>2006-04-07T03:06:15.136+01:00</updated><title type='text'>LÍNGUA MATERNA OU OFICIAL?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quinta-feira, 23/09/05. Sei que há quem esteja à espera da hora 19, para se sentar diante do canal 2 da TPA, porque “…é dia de mudar de vida!”, como nos tortura em jeito de publicidade a turma do “Angola dá sorte”. Uns realmente ganham, eu porém faço parte dos que só perdem. Aliás, o primeiro sinal, hoje, é ter perdido o sono antes das duas da manhã.&lt;br /&gt;Deixo a cama, pego nos meus livros, ligo o diskman e uns kizombas dão-me banho. Tento ler, mas me vem à cabeça a pressão social (aquilo que queremos não nos quer; aquilo que não desejamos nos persegue). Insisto, mas não consigo mesmo concentrar-me à leitura. Então recorro ao meu habitual consolo – um bloco e uma bick azul – e ponho-me a escrever. De princípio a letra é feia, mas vai ficar bonita logo no computador.&lt;br /&gt;Disse um angolano na Tuga, certo dia, que a vida se resumia em duas grandes desvantagens: uma era ser jovem e a outra ser mulher. Fiquemos hoje com a primeira. Ora não se tem a idade nem a qualificação ideal para certas oportunidades, ora já se passou dos 30 anos e não dá, mesmo depois de estabelecido o parâmetro 15-35 anos como padrão de juventude. Reclamamos, insultamos as instituições, praguejamos e tudo o mais. Mas também nos lembramos de certas conquistas colectivas e vemos que vale a pena lutar, basta estarmos atentos ao que vai pela imprensa e lubrificar sempre os mecanismos da amizade. Afinal, o autor de “renúncia impossível”, que a dado passo reconhecia “atingi o zero”, foi presidente desse país.&lt;br /&gt;Encontrava-me ainda em Luanda, num seminário, quando um telefonema amigo me incentivou a concorrer à uma vaga numa companhia petrolífera. Confesso, não acredito em nenhum concurso no meu próprio país, muito mais quando dirigido por irmãos angolanos. Mas tento, às vezes, não ser carrasco de mim mesmo e retribuo a consideração dos amigos que gastam do seu saldo e da sua saliva em conselhos. Assim, anteontem, juntei o monte de documentos e fui ao centro de emprego, do Ministério do Trabalho, na minha cidade. (É curioso como a nossa vida é em tamanho A4: certidões de nascimento, contratos, títulos de salário, cartas de despedimentos, certidão de casamento, facturas de luz e telefone, etc., tudo em A4.)&lt;br /&gt;Uma vez lá, encontro um senhor cuja testa parecia estar há anos sem saber o que é sorrir. Pronto, saúdo e avanço, a final não estava ali para semear amizades. Na secção a seguir, uma senhora dá-me o formulário e algumas instruções. Escrevo tão rápido que, volta e meia, tinha tudo preenchido… e a discussão inicia com a atendedora: tudo porque preenchi o Umbundu como sendo a minha língua materna. “A nossa língua materna é aquela que falamos”, dizia ela. Pois claro, mas é essa mesmo a minha língua de berço; tanto o português como o inglês, eu aprendi foi na escola. Que azar me arranjei?! A senhora submeteu-me então a uma cátedra: “língua materna é aquela que herdamos do colonizador, porque é a língua que nos une; olha, um zairense, por exemplo, na escola fala lingala? Claro que não, moço!” Impotente e em desvantagem, disse-lhe apenas que era complicado. “Pois, mas estou-te a fazer entender agora que, no espaço língua materna, escreva português, porque o Umbundu é dialecto apenas!”, ditava ela. Os meus suspiros e reticências não a impediram de pegar no corrector e, a mando dela, eu declarar o português como “minha língua materna”, relegando o meu doce Umbundu ao segundo plano. Deixei o Centro de Emprego bastante contrariado, quase irritado. Já não basta o que basta, agora também me roubam a minha história, a minha dignidade? Será que por necessitar de uma carreira, perco o direito de ter nascido no Quimbo, ter o Umbundu como primeira língua da minha vida, ligada às primeiras memorias que guardo com honra!?&lt;br /&gt;Agora são três e um quarto, e tento voltar à cama, mendigar algumas horas de sono. Se penso em pessoas como tu, por isso não tenho sono, ou se não tenho sono e por isso penso em pessoas como você, isso importa. A verdade é que, às vezes apetece desistir de tudo e morrer por algumas semanas. Mas depois a nossa consciência diz-nos não ser justo, já que ainda resta algo de que nos orgulharmos: os amigos que temos, o espírito lutador e as conquistas acumuladas diante de tanta impossibilidade. Força, há que erguer a cabeça, ainda que nos pisem sobre ela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gociante Patissa, Lobito&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-113284885424308633?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/113284885424308633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=113284885424308633' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113284885424308633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113284885424308633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/11/lngua-materna-ou-oficial.html' title='LÍNGUA MATERNA OU OFICIAL?'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-113284843661301630</id><published>2005-11-24T16:05:00.000Z</published><updated>2006-04-07T03:08:07.723+01:00</updated><title type='text'>BEIJOU MILHÕES DE HOMENS E MULHERES NA BOCA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Nós nos conhecemos quando era 15”, dizia o mestre pintor ao seu ajudante. E o mestre pintor o falava com bastante emoção, tanta que denotava doces lembranças de um passado recente na companhia dela, a baixinha, acastanhada, molhada, a quem ansioso agarrava nas horas mortas, no fim de mais um dia de trabalho, durante o fim de semana, etc.&lt;br /&gt;Se perguntasses a quem naquele momento passasse e ouvisse a passagem acima citada, quanto à tal personagem conhecida quando 15, talvez pensasse numa moreninha bem feita. Quero dizer: pele macia, corpo de viola e um rosto tão bem desenhado que evidenciasse a atenção que o Senhor Criador dispensou quando a esculpiu. Afinal, uma das vantagens da colonização foi ter trazido, à Angola, cabo-verdianos que encheram Benguela de lindas morenas. Mas, na verdade (e desculpe a desilusão), não era da “quinzinha” que estavam a falar; ou melhor, falavam duma “quinzinha” que agora já é a “cinquentinha”, mas que antes teve de passar por “trintinha”, uma assim tão popular como as catorzinhas. O que eu penso ser surpreendente é o facto de ela só existir há menos de 5 anos na província de Benguela, mas já ter beijado milhões de lábios de homens e mulheres. Vadia, promíscua… apetitosa.&lt;br /&gt;Não sei se é por ela ser amiga da maioria que a intitularam de “a nº 1”, já que deste número só tem desgraças e estragos. Voltando à conversa dos dois colegas de profissão, o ajudante e o mestre pintor, afinal estavam a referir-se à cuca, cerveja em garrafa fabricada pela Soba-Sociedade de Bebidas de Angola, na vila da Catumbela, produto da BGI.&lt;br /&gt;No Umbundu, a minha língua materna, o som “kuka” tem forte relação com “okukuka”, que significa envelhecer. Será por isso que os miúdos estão a ter corpos de empresários, principalmente na barriga? Caras empapuçadas, mentes cansadas, enfim, será aí que ela nos leva, ao envelhecimento precoce? Poucos pensarão assim, e também p’ra quê chiar muito, se então a nْ 1 é querida por todas as faixas etárias, sem excepção? Atenção, por respeito à ciência, justo seria abrir uma excepção para os bebés… mas como, se até os fetos cucangolam? P’ra quê e quem sou para discordar da realidade?&lt;br /&gt;Ainda volto a reflectir um pouco na passagem da conversa do mestre e o seu ajudante. Para mim, a graça e ao mesmo tempo tristeza reacenderam quando descobri que as palavras do mestre pintor subentendiam uma grande vitória pela perseguição, sem trégua, infligida ao processo de subida de preços da cuca ao longo dos tempos, desde os 15.00 kz até aos actuais 50.00 kz. A célebre frase “o monte é cem”, entenda-se do monte três cervejas, ainda respira em nossas mentes, tanto como respira a conjugação transitiva directa “cucangolo, cucangolas, cucangola, cucangolamos, cucangolais, cucangolam”. A Catumbela, com tantos problemas sociais que tem, a mesma que se cansou de lutar pelo estatuto de município, ascendeu à categoria de “capital provincial… da cerveja”.&lt;br /&gt;A estrada é estreita, o número de carros e o de acidentes crescem na província, particularmente no troço Lobito – Benguela. “Se beberes não conduza, se conduzires não beba”, a velha máxima de estrada é cada vez mais moribunda. Tão bom seria ver isso também numa placa ao lado dos mais de cinco placares publicitários da “nossa” cerveja, bem vistosos ao longo da via, quando não se vê nem sequer uma publicidade fazendo alusão, por exemplo, à epidemia do século VIH/SIDA, ou do tipo “estudar é produzir” (saudosismo à parte) ou “a criança é o garante do amanhã”, ou “democracia é escolher livremente”…&lt;br /&gt;Nós, Angolanos, precisamos nos divertir e entretermo-nos para se ultrapassar as marcas da guerra. Mas quando alguns já querem condicionar as suas capacidades de raciocínio pelos efeitos do álcool, ignorando voluntariamente a necessidade de segurança e de desenvolvimento, hei…alto ali!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor: Lofa Kakumba&lt;br /&gt;Adaptação Gociante Patissa,Lobito&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-113284843661301630?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/113284843661301630/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=113284843661301630' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113284843661301630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113284843661301630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/11/beijou-milhes-de-homens-e-mulheres-na.html' title='BEIJOU MILHÕES DE HOMENS E MULHERES NA BOCA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-113224206329130189</id><published>2005-11-17T15:38:00.000Z</published><updated>2006-04-07T03:08:43.143+01:00</updated><title type='text'>TRINTA ANOS DE IGREJA EM TRINTA ANOS DE ANGOLA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Misturado aos trinta anos de Angola está a presença da Igreja nos momentos bons e maus por que passam os angolanos. A ânsia pela independência tem o olhar e a mão de pessoas singulares e colectivas da Igreja Católica. Prisões, maus tratos e deportações marcam a história da Igreja antes da independência. Depois desta, e na estrada dos trinta anos de independência, a história está feita de prisões, mortes, destruições, desapropriações, privações, lágrimas, esperanças e de pronunciamentos diante de situações boas e más da vida dos angolanos.&lt;br /&gt;Os pronunciamentos dos Bispos nestes trinta anos de independência são feitos normalmente através de cartas, de mensagens e de notas pastorais nem sempre vistos com bons olhos. Houve quem visse neles uma intromissão, outros quiseram que fossem uma caixa de ressonância dos ressentimentos que nutriam contra o regime vigente no país, outros ainda esperavam que eles manifestassem o pensar de uma sucursal do partido único. No entanto os Bispos fazem sempre questão de lembrar que essa não é missão nem papel da Igreja.&lt;br /&gt;Primeiros dez anos&lt;br /&gt;Os primeiros anos de país são de grande expectativa e de apreensão crescente por parte dos angolanos. A guerra continua, para espanto de todos. O sossego esperado não aparece. A morte e a destruição reinam em Angola e não poupam nada nem ninguém. Nem mesmo a Igreja e os seus missionários.&lt;br /&gt;Os Bispos apreensivos chamam a atenção de governantes e de homens de boa vontade para a necessidade da reconciliação entre todos. “Os angolanos anseiam pela paz a que têm direito, porque não há outra alternativa: ou o extermínio da população, ou a reconciliação da pátria dilacerada” - lembram os Bispos que acrescentam: “a quantos presidem aos destinos deste martirizado povo, ou que de qualquer outro modo interferem na questão da paz da nossa terra, pedimos que façam o melhor que podem para que acabe a guerra e venha a paz e a reconciliação de toda a família angolana”.&lt;br /&gt;Desta fase da história faz parte a primeira reacção governamental, pública, a um pronunciamento da Igreja.&lt;br /&gt;Segunda década&lt;br /&gt;Esta começa com um grito que ao mesmo tempo é uma palavra de ordem e um encorajamento por parte dos Bispos: “Firmes na Esperança”! Comemorando dez anos de independência o retrato do país está bem desenhado na carta pastoral de Fevereiro de 1986: “Nós angolanos, celebramos os dez anos de independência, infelizmente dez anos de armas nas mãos. Como se tanto não bastasse, o espectro da guerra alarga-se cada vez mais, guerra fratricida que vai desgastando o país. Até forças estrangeiras fazem da nossa terra campo de batalha. Somos dizimados física e moralmente. A fina flor da nossa juventude vai tombando na frente dos combates. E muitas vitórias anunciadas são vitórias de morte e destruição.&lt;br /&gt;Nós, porém, repetimos: «a Paz é possível» ”.&lt;br /&gt;A paz na visão dos Bispos, já nessa fase, não só é possível, como é uma exigência. Daí que: “em nome das crianças, em nome dos velhos, em nome dos mutilados, em nome da juventude, cujo futuro até agora foi gravemente hipotecado, em nome de todos os que sofrem os horrores da nossa guerra, pedimos a quantos podem congraçar as partes desavindas – e neste caso poder é dever – que dêem os passos necessários, indispensáveis para o sol auspicioso da paz brilhar na nossa terra”.&lt;br /&gt;Esta é também a fase das primeiras negociações entre o MPLA e a UNITA. Gbadolite, primeiro, e, Bicesse, depois. É a seguir a cimeira de Gbadolite, no ex-Zaíre, e o por ocasião dos catorze anos de Angola que o pronunciamento dos Bispos conhece a segunda reacção oficial, pública, da parte do governo.&lt;br /&gt;Os acordos de paz de Bicesse, bem como as primeiras eleições em Angola merecem vivos aplausos por parte do Episcopado católico: “Felizes os Obreiros da Paz”! Lembra Ele que “… todas as forças são poucas para levantar Angola, a começar pelas vias de comunicação, verdadeiras artérias da sua vida socio-económica. Praza a Deus que lhe não faltem ajudas isentas e bastantes. Quanto a nós Angolanos, todos não somos de mais para tão urgente e patriótica missão. A pátria conta com todos nós”.&lt;br /&gt;Cinco anos de desespero&lt;br /&gt;A segunda metade da década dois de Angola é das mais conturbadas da história. O conflito pós eleitoral é o mais violento de sempre. As esperanças e a boa vontade das pessoas são ignoradas. A apreensão cresce e “A Igreja não pode conformar-se com este estado de frustração e o sofrimento em que o povo se vê novamente imerso. Por isso aqui vimos falar em nome dele, gritando a todos os políticos e responsáveis pelo processo eleitoral de Angola: «Salvai-nos, que perecemos». Trinta dias depois os bispos perguntam: “Uma nova guerra como iria acabar? Com negociações? Com diálogo? Com algum mediador? Então escutem-nos. E com urgência. Aquilo que um dia iriam fazer para a guerra acabar, façam-no já agora para ela não começar”.&lt;br /&gt;A pergunta não é respondida. O apelo não é levado em conta. A situação deteriora-se rapidamente. A fome, a dor, a miséria e a morte graçam pelo país. A ajuda humanitária é muitas vezes condicionada e usada como forma de pressão. As armas falam alto por toda Angola. Contudo a CEAST grita: “Em nome do povo e em nome de Deus, pedimos de todo o coração ao Governo e a UNITA que regressem imediatamente à mesa das conversações, e não venham de lá sem um cessar-fogo assinado que acabe com o inferno desta guerra injustamente imposta ao povo angolano”.&lt;br /&gt;Terceira década&lt;br /&gt;Os acordos de Lusaka marcam a terceira década de vida de Angola. Tal como por ocasião dos de Bicesse, esses acordos foram saudados pelos bispos com alegria e satisfação. Eles lembraram aos políticos e não só, que “o amor à Pátria é uma força poderosa que a torna una e coesa. Mas como pode haver amor à Pátria se não houver amor aos compatriotas? Sem este, a Pátria estaria exposta à sua própria ruína”.&lt;br /&gt;A paz e a tranquilidade de Lusaka duram pouco tempo. A guerra volta ao país. Volta também a destruição. Os Bispos apreensivos lançam um veemente apelo aos homens da guerra e fazem saber que “as motivações da guerra em Angola têm sido qualquer coisa menos o bem dos angolanos”. E acrescentam: “ É impossível amar o povo e fazê-lo sofrer. E quem o não ama não é digno de ser seu governante”.&lt;br /&gt;Os acordos do Luena fecham os anos de guerra em Angola. A preparação para as eleições e os três anos sem guerra devolvem aos poucos a esperança de dias melhores aos Angolanos. Desenvolvimento e progresso é desejo de todos. Vale no entanto recordar a chamada de atenção dos Bispos: “Se queremos construir deveras o futuro da Nação, temos a certeza de que isso jamais será possível sem consciências rectas, sem homens honestos e responsáveis na sua profissão, no seu emprego, no seu cargo, nos seus negócios, na sua vida, já pública já privada. Sem homens desta têmpera, o País não se pode erguer à dignidade que merece”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo destes trinta anos, dois pronunciamentos têm resposta imediata da parte do governo de Angola. O primeiro é feito no Lubango. Neste os Bispos reagem ao facto de o Governo e o Partido terem declarado ser o marxismo-leninismo a linha ideológica oficial de Angola. A crítica à religião intensifica-se. A tendência à criar divisão dentro da Igreja e à separar esta da Igreja Universal acentua-se. Na carta pastoral os Bispos aproveitam para elucidar os cristãos e o povo sobre a fraqueza do sistema ideológico escolhido.&lt;br /&gt;A reacção é forte. O editorial do Jornal de Angola de 26.01.1978, traz como título, e a vermelho, “OS BISPOS E A CONSPIRAÇÃO”. Seguem-se uma série de dificuldades para a Igreja. Missionários são impedidos de entrar. A Emissora Católica de Angola é confiscada. Aumenta a pressão sobre trabalhadores e funcionários católicos.&lt;br /&gt;Uma outra reacção pública do governo tem a ver com a mensagem de 11.11. 1989. “Os últimos acontecimentos da história recente dizem-nos que os povos hoje caminham para a Paz, o progresso, a liberdade, a democracia. Um sistema político deste género dignificará a nação angolana, o seu povo e os seus chefes.&lt;br /&gt;Não queiramos para Angola caminho diferente”.&lt;br /&gt;A direcção nacional para os assuntos religiosos repudia a mensagem e taxa-a de panfleto clerical. “O documento subscrito pelos “Bispos Católicos de Angola” procura torná-los intérpretes “do povo sofredor” de Angola.&lt;br /&gt;Mandatos desta natureza estão regulamentados por instrumentos jurídicos estabelecidos pelos direitos e deveres dos cidadãos, consubstanciados na lei constitucional a que todo o povo deve obediência incluindo “os Bispos Católicos de Angola”.”&lt;br /&gt;Na mesma edição do Jornal de Angola, o jornal comenta a mensagem sob o título: «A DEUS O QUE É DE DEUS». Eis, um extracto do comentário: “Os bispos católicos e os fiéis da sua igreja têm outros meios e lugares próprios para buscarem a paz que dizem desejar, sem terem a pretensão de dar conselhos a quem deles não necessita, ou de se substituírem ao estado em que se integram. “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samy de Jesus, Jornalista da Rádio Benguela&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-113224206329130189?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/113224206329130189/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=113224206329130189' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113224206329130189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113224206329130189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/11/trinta-anos-de-igreja-em-trinta-anos.html' title='TRINTA ANOS DE IGREJA EM TRINTA ANOS DE ANGOLA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-113222484760506830</id><published>2005-11-17T09:44:00.000Z</published><updated>2006-04-07T03:09:15.016+01:00</updated><title type='text'>«A UNITA NÃO SE ADAPTA A CIDADE»</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O título é tirado de um artigo de opinião do jornalista e escritor angolano, José Eduardo Agualusa, publicado em finais de 1992,na revista portuguesa de "Política Internacional", a seguir ao massacre de Luanda e na eminência da guerra pós-eleitoral. O artigo propunha-se compreender a lógica do conflito angolano a partir da politização da etnicidade e, ao mesmo tempo, um esforço de paz do autor.&lt;br /&gt;No essencial, sendo um artigo descritivo, Agualusa limita-se a expor aquilo que são as suas percepções sobre as causas da guerra, desde 1975. Subjaz ao seu argumento a teoria essencialista da etnicidade, que admite ser a etnia algo essencial, i.e.,co-natural e inalterável. Esta teoria impede-o de olhar para o lado dinâmico da etnicidade, captável pela teoria instrumentalista. Com uma terceira via, i.e., a junção das duas abordagens, conseguiria captar os lados estáticos e dinâmicos da etnicidade e, muito provavelmente, as suas conclusões seriam outras e muitos mais aplicáveis.&lt;br /&gt;A par do lado mais teórico, o artigo peca por defeito ao não considerar as contradições das elites dos movimentos de libertação nacional como prolongamento daquelas da sociedade angolana colonial, com a sua esclerose de classificação: brancos, assimilados de facto e por escolaridade e os indígenas... Também não capta a intensidade diversificada do colonialismo de região para região.&lt;br /&gt;Posto isso, é importante dizer o seguinte: as contradições entre as leites angolanas não eram, necessáriamente, inconciliáveis. Mas no contexto da luta armada era algo difícil de superar, por uma razão que nos parece óbvia: as elites luandenses, bem ou mal, estavam habituadas a conviver entre os três grupos com dificuldades razoáveis; as elites bakongo olhavam para aquelas como prolongamento do colono, que os espolheu das suas terras e o obrigou-os a um exílio forçado; as elites do planalto, consciencializadas da sua situação de opressão e exploração pela educação protestante,olhavam para as elites luandenses como prolongamento daqueles que levavam os seus para as roças do norte (=k'ondalatu).&lt;br /&gt;A UNITA surge em 1966, numa altura em que FNLA e MPLA disputavam a primazia da representação da luta de libertação nacional angolana. Saídos da FNLA, os líderes da UNITA não terão ficado indiferentes ao resultado do 15 de Março de 1961, quando camponeses Ovimbundu foram barbaramente mortos pelas duas partes:UPA/FNLA e tropas coloniais. Estava assim instalada a dificuldade de coabitação com a FNLA.&lt;br /&gt;A opção de entrada pelo leste, pensamos estar ligada a proximidade com o Congo-Belga, de onde vinham; com a independência da Zâmbia e boas relações com Kaunda; com a presença pouco intensa dos colonos nas terras do fim do mundo; e, sobretudo, disputar um espaço de luta aberto, já que a FNLA gozava de uma hegemonia na zona norte.&lt;br /&gt;Vamos dar um salto para 1974-75, por razões de economia de tempo e espaço. Quanto a penetração na cidade, depois do 25 de Abril de 1974, é obvio que cada um dos movimentos contou com os trunfos que tinha na mão: a sua composição e o conhecimento dos lugares. Sendo os dirigentes do MPLA, esmagadoramente, provenientes de Luanda e conhecedores do meio, tinham supremacia de afirmação em relação aos outros. Os dirigentes da UNITA, esmagadoramente, provenientes das regiões do planalto central,fizeram o lógico:implantar-se nas cidades do Huambo, Benguela e Bié, já que tinham membros dessas zonas. Na disputa de Luanda, a UNITA estava em desvantagem por não conhecer o meio e, para ajudar a festa, foi apoiada pela África do Sul do Apartheid, regime abominado em África.( Talvez aqui o «pecado» seja a homegeneidade étnica). A FNLA tentou disputar a capital, mas tinha a desvantagem dos seus homens que, por razões óbvias, não dominavam ou não falavam mesmo o português e, para ajudar a festa foi apoiada pelos zairenses de Mobuto, regime detestado na região.&lt;br /&gt;Num contexto em que quem tem a capital ganha a luta, o MPLA tinha tudo ao seu alcance para ser o «primo inter pares». Com a incapacidade de conviverem e partilharem os ganhos da luta, só restava o que conhecemos: afastar os outros da capital.Chega-se,assim, ao que interessa: a UNITA recua para o Huambo, donde é corrida, restando-lhe, mais uma vez a mata para sua sobrevivência, enquanto a FNLA regressa a procedência e desaparece.&lt;br /&gt;Volto ao princípio dessa nossa conversa: há uma incapacidade congénita da UNITA em adaptar-se à cidade ou as circunstâncias da luta de libertação e depois de sobrevivência empurraram-na para a mata, donde conseguiu reerguer-se? A mata foi uma opção ou consequência do desenrolar dos acontecimentos? O presente da UNITA, i.e., os últimos três anos, mostram que ela é capaz de viver na cidade(=Luanda), basta que tenha tempo e oportunidade para se socializar. Aliás, Huambo e Benguela/Lobito são cidades, por sinal segunda, terceira e quarta de Angola.&lt;br /&gt;Termino com o leitor que teve paciência de nos acompanhar e, certamente, dirá: qual é a tua agora? O que pretendes? Queres negar que os maninhos são uns gajos da mata ou inadaptáveis à cidade? Ou apenas perder tempo e dar largas à tua imaginação e mostrares um pouco da tua lata? A resposta é simples: trazer para debate ideias feitas ou «verdades auto-evidentes» que analisadas com algum rigor e desapaixonadamente, embora com dose de subjectividade própria das ciências sociais, podemos apurar e afinar as nossas percepções. Também estamos certos de que os leitores não estão esquecidos da finalidade deste espaço:debate!!! ndanda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-113222484760506830?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/113222484760506830/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=113222484760506830' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113222484760506830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113222484760506830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/11/unita-no-se-adapta-cidade.html' title='«A UNITA NÃO SE ADAPTA A CIDADE»'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-113095560919812458</id><published>2005-11-02T18:18:00.000Z</published><updated>2005-11-02T18:20:09.226Z</updated><title type='text'>NUMA ALDEIA PERTO D'AQUI</title><content type='html'>HÁ DOIS ANOS QUE O POVO LUTA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lá do asfalto, a menos de 95 quilómetros dos Hummer’s, dos Jeeps Vx, dos Toyotas Rav4, um pouco distante dos concursos de “Miss”, existe uma “Ombala” chamada Tchiaia. Quase perdida em arbustos, fica a quarenta minutos a pé no sentido leste da via do Samboto. É a sede de cinco aldeias, nomeadamente, Pedreira, Kandongo, Samangula, Kawio e Tchiaia, todas elas pertencentes à comuna do Sambo, município do Tchikala Tcholohanga, província do Huambo. Lá onde os telemóveis são só brinquedos dos adultos visitantes, onde a energia eléctrica só está na memória de alguns que conhecem, quando muito, a sede da comuna, as crianças têm um sonho: o de receberem enxadas e sementes para sustentarem suas famílias.&lt;br /&gt;A aldeia ressurgiu há dois anos e carece de quase tudo: desde à alimentação, serviços básicos de saúde, acesso à educação e ensino, até ao apoio na actividade agrícola – a principal fonte para o auto-sustento. Entre os populares, há os retornados da Zâmbia, alguns são viúvos, outros velhos incapacitados e boa parte das crianças é órfã. O apoio do PAM terminou em Maio último enquanto que as últimas chuvas com granizo destruíram as plantações. Hoje, o sustento das famílias, cuja dieta forçada é a batata-doce, é uma responsabilidade partilhada com a própria criança logo que completa 11 anos. Vive-se do cultivo e do fabrico de carvão. O ganho diário pelo biscate no campo é 200 Kz por adulto e 150 Kz quando se é mais jovem; já no carvão, uma criança pode fabricar até cinco sacos de cada vez. “Mete-nos até vergonha ter de pedir ajuda, nós que sempre fomos um povo trabalhador”, desabafou um adulto.&lt;br /&gt;Desde cedo, as crianças dominam a auto-medicação usando raízes silvestres. É a alternativa face à inexistência de um posto de saúde e à escassez de dinheiro para pagar um enfermeiro particular pelo tratamento. “Quase todos os recém-nascidos faleceram este ano, só na sede da Ombala. Até agora, o número total é de 17 óbitos, dos zero aos 2 anos e meio”, revelaram alguns líderes da comunidade. A fonte de água para o consumo é um dilema: todo o mundo sabe que é antiga e tem bichos, incluindo cobras, mas não existe outra alternativa.&lt;br /&gt;A única escola foi construída por uma ONG, em 1996, e a sua cobertura foi saqueada durante o conflito armado. Nela, três professores atendem 300 crianças, da iniciação à segunda classe, sendo parte considerável dos alunos maiores de 14 anos. Os que passam para a 3ª classe enfrentam sete quilómetros a pé para chegarem à escola na sede da comuna de Sambo.&lt;br /&gt;O consumo excessivo do kaporroto, aguardente produzido localmente, é companhia dos adultos às tardes, distraindo uns e fazendo brigar outros. Bebe-se mais do que se come. Pelas manhãs, o movimento das crianças divide-se em dois galhos: umas indo à lavra, outras para a escola. Destinos diferentes, mas algo em comum: todas cheias de feridas de bitacaias e suas roupas de tão sujas e rotas (na vida real) até parecem indumentárias de teatro comunitário.&lt;br /&gt;Se o Mpla é o único partido na zona, a igreja católica ganha concorrente, a adventista, que já tem um fiel dedicado (a aldeia tem mais de 200 homens). Mas a última campanha de evangelização dos adventistas provenientes do Huambo, durante um fim-de-semana, deu mais pontos aos católicos, de si já líderes das simpatias em função de alguma caridade recente aos órfãos e vulneráveis: tudo porque, no culto, um visitante terá dito que “os irmãos que adoram no domingo, adoram no mesmo dia que os palhaços”, o que ofendeu até as autoridades locais. Nos finais de semana o futebol é rei, sem técnica, táctica e onde ninguém sabe perder; mas vale a intenção: “assim as crianças se distraem das makas da guerra… e nós também”.&lt;br /&gt;“Kwachas” e “MPLosos” de ontem, angolanos unidos hoje pela paz, há dois anos que lutam pela sobrevivência, pelo direito de recomeçar a vida em Tchiaia, sua aldeia do coração. Qualquer apoio é para ontem e aqui fica o SOS. Para além do governo de Angola, quem será o rico, o político, o amigo ou filho do Huambo que pode ajudar esse povo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gociante Patissa, Huambo, 30 de Outubro de 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-113095560919812458?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/113095560919812458/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=113095560919812458' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113095560919812458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/113095560919812458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/11/numa-aldeia-perto-daqui.html' title='NUMA ALDEIA PERTO D&apos;AQUI'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-112957116325292458</id><published>2005-10-17T18:06:00.000+01:00</published><updated>2005-11-20T19:29:38.280Z</updated><title type='text'>O IMAGINÁRIO DAS NOSSAS PATRÍCIAS!!!</title><content type='html'>Vou tentar ser o mais fiel possível e descrever-vos o que presenciei. Não é novidade para quem vive em Lisboa e tem olhos para ver e ouvidos para ouvir. Vinha eu no metro, em direcção ao Rato, perdido nos meus pensamentos, o que é normal quando não tenho um livro, revista ou artigo para ler, ou estou, simplesmente, sem disposição para tal.&lt;br /&gt;Entre sentar e não sentar, decidi-me sentar, assim que o metro ficou descongestionado na estação de Entrecampos. Sem querer, o lugar vazio era ao lado de uma patrícia que trazia o filho no colo. Pelo rosto e fisionomia, a patrícia aparentava estar na casa dos vinte e tais ou trinta e poucos.&lt;br /&gt;Na estação do Marquês de Pombal, entra uma outra patrícia que, reconhecendo a primeira, senta-se junto a ela e começa a conversa habitual. Procura saber como a outra está, o trabalho, os miúdos... Nesse entretanto, a primeira começa a lamentar a atitude do filho, porque é bastante lento, o que lhe faz chegar atrasada em quase tudo, porque tem que deixá-lo na escola. « Fogo! Aquele miúdo é muito lento. Tenho muita pena dele, porque quando crescer, com essa lentidão, não conseguirá trabalhar nas obras. Será um desempregado». &lt;br /&gt;Prontamente a outra ripostou:« Epa não! Tas a gozar ou quê? Ele não vai trabalhar na obra coisíssima nenhuma. Então fartaste de trabalhar na limpeza e cafés e o teu marido nas obras para quê? Metes o teu filho na escola para quê? Todo esse esforço e sacrifício é pa ele continuar nas obras? Nada disso! Ele será doutor!»&lt;br /&gt;Apesar do percurso entre o Marquês de Pombal ao Rato ser demasiadamente curto, esse é um daqueles momentos que nos apetece continuar a viagem e seguir o diálogo para meter uma colherinha de açucar. Mesmo assim, não perdi a oportunidade de dizer uma palavra, quando já íamos a subir as escadas: « sim senhora, apoiado. Ele não vai as obras! Nem sequer precisa, basta estudar!»&lt;br /&gt;Continuei o meu percurso, enquanto a conversa das duas ia ficando distante. Sozinho continuei a falar. Pus-me a reflectir na conversa e no disparate que tinha dito. Na verdade, se o puto não estudar e não tiver estímulo para o fazer e se os pais estiverem determinados em ficar aqui( leia-se Portugal), a porta que se lhe abrirá é a das obras. Aqui precisa-se de gente forte e dispachada.&lt;br /&gt;Com uma família cujo background é como o que estámos a descrever, os filhos precisam de muita sorte, força de vontade e uma benção especial para romperem esse círculo vicioso, que os espurra para o desânimo e reprodução do status social dos pais. Uma mãe assim,sem exemplos de sucesso, tende a transmitir aos filhos aquilo que é o seu mundo: ir as obras e ganhar dinheiro, por isso não precisa perder tempo com os estudos. Ou seja, pode ser lento e até desleixado com a escola, mas não pode sê-lo em relação as obras, porque senão tá feito.&lt;br /&gt;Por outro lado, consola-me perceber, a partir da outra, que há gente desse mesmo meio, que pensa diferente, isto é, esforça-se, para que os filhos tenham melhores oportunidades e estejam preparados para as aproveitar. É muito reconfortante ouvir isso. Assim, o meu apoio tanto com a cabeça, quanto com as palavras que disse,faz todo sentido. Temos direito de aspirar pelo melhor e não importa a nossa origem. É preciso pensar que os nossos filhos merecem melhor futuro que nós, por isso todo esforço em prol desse futuro é bem vindo.&lt;br /&gt;Força gente lutadora. É preciso romper as amarras do passado e ir pa frente. Salvemos as gerações futuras. Parabéns àqueles que exercitam o seu direito de pensar/sonhar alto e diferente.&lt;br /&gt;Qualquer coincidência com a ficção, é a mais pura verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-112957116325292458?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/112957116325292458/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=112957116325292458' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/112957116325292458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/112957116325292458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/10/o-imaginrio-das-nossas-patrcias.html' title='O IMAGINÁRIO DAS NOSSAS PATRÍCIAS!!!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-112879719300205728</id><published>2005-10-08T18:17:00.000+01:00</published><updated>2005-10-08T19:55:59.630+01:00</updated><title type='text'>AÍ! COMO DÓI!!!</title><content type='html'>Aí! Como dói??!!! Assim exprimiu-se Walter Ananás "Tchifuto Mbungu", numa das suas músicas, relatando o dia-a-dia dos Angolanos. É uma maneira belíssima de começar essa nossa reflexão.&lt;br /&gt;Todo indivíduo interessado em questões Africanas e amante do melhor que África já produziu, certamente conhece ou já ouviu falar  do celebérrimo testamento de Nelson Mandela  "I am prepared to die"( Nelson Mandela, Rivonia Trial, Pretoria Supreme Court, 20 de Abril de 1964... disponível nas obras "Long walk to freedom" e "From Freedom to the Future"). Esse testamento, lido em 4horas, há 41 anos, podera apenas figurar nos arquivos do passado sinistro do Apartheid. &lt;br /&gt;Infelizmente, muitas das injustiças que levaram Mandela a lutar contra o sistema, continuam a fazer parte do dia-a-dia da maior parte dos Angolanos. O mais disconcertante é que são Angolanos a infrigir e condenar outros Angolanos à situações de indigna humanidade, levando alguns mais velhos a preferir o tempo colonial ( Cf. Justino Handaga "Akulu valivela kaputo").&lt;br /&gt;É difícil resistir à tentação de traduzir o Testamento de Mandela para esta página porque encaixa perfeitamente na situação actual de Angola, bastando para o efeito substituir os valores estatísticos - no que toca à escolarização -; as palavras White, Black, National Party, African National Congress, South Africa e as datas por realidades correspondentes em Angola e, pronto, temos tema de conversa.&lt;br /&gt;Na secção que designámos por "Extremes and remarkable contrasts", lê-se: "A África do Sul é o país riquíssimo de África, e pode ser um dos mais ricos do mundo. Mas é o país de grandes extremos e contrastes. Os brancos  disfrutam o que pode bem ser o elevadíssimo standard de vida no mundo, enquanto os Africanos( leia-se negros) vivem na pobreza e miséria..." Mandela vai descrevendo as condições de vida desumanas dos Africanos/negros, desde a habitação, emprego... até à escolaridade, para no fim sugerir duas possíveis formas que podem corrigir o quadro sombrio. "Há duas maneiras para combater a pobreza. A primeira é a educação formal e, a segunda dar oportunidade aos trabalhadores para aumentar os seus conhecimentos e melhorar os seus rendimentos..."&lt;br /&gt;Justino Handanga, o músico que está na moda em muitas cidades de Angola, ajuda-nos a interpretar o testamento de Mandela para a nossa realidade. Na sua música, "Twatekateka", retrata a vida dos mutilados de guerra, que lutaram pelo país, nas várias guerras  que tivemos, e hoje estão reduzidos a mendigos para poderem sobreviver. O que mais dói é perceber que estão privados até do direito de ter filhos, porque " okutchita ndukusole, pole katchitava momo ku Suku ekandu...nda otala hale ohali kukanene ukwene k'ilu ly'eve"( para quem passa necessidades básicas é desumano ter filhos para condená-los à mesma realidade ou pior).&lt;br /&gt;Já na música "Valivela kaputo", fala do sentimento partilhado pela grande maioria dos mais velhos sem esperança, porque os filhos passam o dia a apanhar migalhas em vez de ir à escola; os pais dedicam-se ao corte de lenha e queima do carvão para garantir algum sustento, mas quando o corpo não obedece de tantas dores, então a fome aperta em casa... quando as crianças estão doentes, os hospitais não possuem remédios... No meio desse marasmo de indignidades e desumanidades os mais velhos preferem a época colonial!!!!!!!!!&lt;br /&gt;O que mais me cansa e aborrece é quando me apresento como Angolano e os meus interlocutores ripostam: "Angola é um grande país e muito rico!!!" Imediatamente corrijo a situação com o nosso "infelizmente", o que os deixa um pouco ou muito disconfortáveis. A razão é simples: o nosso maior drama é termos um país podre de riquezas naturais e que leva os nossos dirigentes e parceiros a esquecer a maior riqueza: o POVO ANGOLANO!!!!!!! Este sim, conseguiu independência política há 30 anos!Mas para que serve uma independência privada de direitos básicos e fundamentais e, para agravar condena a grande maioria do povo a vegetar indigna e desumanamente.&lt;br /&gt;Os nossos contrastes falam por si: uma dúzia de irmãos vive exageradamente na maior abaundância, enquanto a grande maioria vegeta na pior indigência; uma dúzia frequenta as melhores escolas com bolsas e apoios chorudos, enquanto a grande maioria está condenada a frequentar aulas debaixo de árvores sentada em latas de leite em pó, quando havia, agora que é luxo... uma dúzia faz do luxo seu lixo, enquanto a grande maioria faz do lixo seu luxo, disputa comida com os cães!!!!!!!!&lt;br /&gt;É para irmãos negarem dignidade e direitos fundamentais à irmãos que lutámos pela nossa independência??? Para irmãos condenarem os outros a um eterno fracasso, reproduzindo o sistema social???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-112879719300205728?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/112879719300205728/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=112879719300205728' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/112879719300205728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/112879719300205728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/10/como-di.html' title='AÍ! COMO DÓI!!!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-112843942498465896</id><published>2005-10-04T16:22:00.000+01:00</published><updated>2005-10-04T16:23:45.003+01:00</updated><title type='text'>VOLTEI AO NAMIBE II</title><content type='html'>Um outro choque desta vez tinha a ver com a noção de raridade do cartão postal da cidade. Ao visitar o deserto (de Calahari que se estende ate Africa do Sul) constatamos que, afinal de contas, o sentido de raridade da welvitchia mirabilis está no facto de apenas existir no deserto do Namibe, mas não significa que exista um só pé. “Quem vai ao Tombwa vê montes e montes, umas grandes e outras pequenas”, enfatizou o guia auxiliar, Salvador Francisco. E, ao contrário do que julgava, a discussão no primeiro dia em volta do bom estado de conservação das estradas não se havia esgotado. Já de regresso ao parque de campismo, um toque no meu ombro esquerdo chamou-me a atenção e quando atendi me foi “enfiada” a pergunta:&lt;br /&gt;– Do aeroporto a cidade viste algum ponteco, algum túnel sob a estrada?&lt;br /&gt;– Não! Respondi-lhe sem hesitar.&lt;br /&gt;– Pois – continuou – não há ravina nem nada. Isso tudo contribui para o bom estado das estradas…!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos no estádio Joaquim Morais, por volta das 11:30 horas, decorria mais uma sessão de treinos, orientada por Romeu Filemon, antigo preparador físico da Académica Petróleos Clube do Lobito nos anos 1999-2000. E não era tudo, três atletas usavam camisolas que um dia foram equipamento oficial do Clube do Buraco. As condições do campo Joaquim Morais indignaram os excursionistas, que chegaram a dar razão àqueles que abandonaram o Sonangol do Namibe. Destes, referenciou-se Hugo, um dos goleadores destacados do girabola. O quintal de adobes vai se “esfarelando” a cada dia, muro partido várias vezes, enfim uma sensação de que o estádio está votado ao abandono apodera-se de quem aí se desloca pela primeira vez, tudo a contrastar com a saúde excelente do relvado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A TPA funciona no 5º piso do edifício mais alto da cidade do Namibe e que tem, curiosamente, apenas 5 andares. A Delegação local, acredite-se, tem feito esforços, mas carece de investimento para se ajustar ao ritmo das principais províncias de Angola, devido a sua dimensão turística e económica. É normal que não seja ainda um centro de produção, mas que até ao momento o sinal do canal 2 da TPA ainda não esteja disponível… é grave. “Se você quer ver Canal 2 tem de ir aos matos, lá nas administrações comunais e municipais onde tem parabólica”, desabafou um munícipe. Não é de admirar que em alguns pontos da cidade haja mais antenas parabólicas de Tv’s estrangeiras do que árvores. E mais grave ainda é estar bem estampado na “testa” do edifício, e eu cito, “Televisão Popular de Angola”, em pleno ano 2005, quando já vão quase 10 anos que, de popular, a nossa TV passou à Pública de Angola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximando-se a uma residência azul, o autocarro afrouxou a velocidade até estacionar num parque improvisado defronte. “Aqui é o hotel dos que cometem crime”, dizia simpático o guia principal. O autocarro reagiu com gargalhadas à piada oportuna, enquanto os olhos focaram-se nas instalações da Comarca, situada no bairro do Platon, um pouco fora da cidade (talvez por uma questão de coerência, já que se quer o crime cada vez mais distante possível). “Reeducar não é tarefa fácil…”, lia-se num letreiro à entrada. Instantes depois retomou-se a marcha em direcção a praia azul, nas escadinhas, a zona de preferência dos banhistas geralmente vindos do Lubango. Os nomes “Praia azul” e “Escadinha” faziam lembrar algo bem familiar: a Baia Azul e a Caotinha, em Benguela. Para além do “azul” e da rima em “inha”, ambas têm muito em comum com as “nossas”. Tratam-se de praias limpas. E quando digo limpa sei do que estou a falar (pelo menos ninguém viu no chão camisinhas – usadas por amor ao amor ou ao dinheiro – cheias “daquilo”, como facilmente acharíamos no Lobito, de meio em meio metro, na parte oeste da ponta da Restinga!). Mas a área “das Escadinhas” em particular “perde por goleada” comparativamente a Caotinha. Isolando todas as outras potencialidades desta última, a praia do Namibe, também considerada discoteca móvel, apenas tem um restaurante, para além de que quase não há táxis para facilitar os banhistas “órfãos” de carro. Mas, enfim, aprendi que Namibe é um daqueles casos cuja potencialidade não se avalia por comparações, mas, sim, pela dimensão das almas dos seus habitantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As instalações do Banco Africano de Investimento (BAI) dão um reflexo de luxo na rua onde se situa o Concelho provincial da Juventude que, diga-se em abono da verdade, não fica a dever muito em termos de aparência. O irónico é que o movimento associativo é nulo; questionei cinco pessoas, todas bem posicionadas até, e nenhuma sabia da existência de ONG’s e associações voluntárias nacionais, excepto no município da Bibala onde intervêm ONG’s da vizinha província da Huila. Quanto à beleza do BAI, razões há que bastam: por um lado se trata da casa dos dinheiros, que deve manter-se maquilhada para atrair clientes, mas, por outro, havia sido inaugurada em menos de duas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abertura oficial do Festival, na manhã de 2ª feira, 11 de Abril, foi marcada por discursos do Director Provincial da Juventude e Desportos, Pedro Mussungo, e do governador provincial em exercício, António Correia. Pedro Mussungo teve o discurso mais objectivo que já ouvi de um político/governante – sem sofismas nem cara-de-pau – parecendo mais um texto jornalístico. Danças tradicionais e músicas ao vivo abrilhantaram o palco. Uma dessas músicas tinha o sopro do mar e o sabor do ananás, talvez por ser cantada por Cândido Ananás, filho da Terra, e referir-se às belezas naturais de Angola. As actividades enquadradas no Festival Jovem Namibe/05, resumem-se em: produtivas, lúdicas, culturais e recreativas, desportivas e de investigação. É uma iniciativa do Governo provincial do Namibe, através do Ministério da Juventude e Desportos, com parceria do Concelho Provincial da Juventude. Sob o lema “Angola 30 Anos, Juventude Clamemos Pela Pátria”, enalteceu valores como a solidariedade e promoveu a troca de experiência entre os 300 delegados das províncias de Benguela, Huila e província anfitriã, que se representou pelos cinco municípios, nomeadamente, Camucuio, Virei, Tombwa, Bibala e Namibe. Fiz amigos dentro e fora de Benguela. Mas tive a oportunidade de descobrir alguém que é o Namibe em pessoa: Pequena de corpo, mas com uma alma de grande dimensão; aparentemente fria e fechada, mas inteligente, doce, rica e solidária como o mar, abundante como as estrelas intocáveis, enfim, alguém com quem se precisa conviver para melhor conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na visita ao Tombwa, saltou à vista o Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional que administra desde os cursos mais técnicos aos administrativos, por 900 kwanzas mês, uma iniciativa que deveria servir de exemplo para as restantes províncias do país. O receio de muitos é formar-se e não ter emprego, devido a falta de políticas tendentes ao primeiro emprego, e principalmente ao elevado número de indústrias abandonadas no país. Um desses exemplos é o antigo Porto Mineiro de Moçâmedes (PMM), o 3º maior porto de Africa, segundo Pedro Mussungo, que servia para o carregamento de minério para a Ásia (China e Japão) e que faliu pouco depois da independência. Enquanto visitávamos o PMM, uma comissão chinesa se fazia ao local, possivelmente para identificar potencialidades e necessidades do monstro adormecido. “Não é a primeira delegação”, garantiu Pedro Mussungo, o guia sénior, que no entanto não acredita num eventual ressurgimento do PMM dentro de dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos namibenses têm no mar o seu cordão umbilical, tanto é que um dos bairros da Comuna de Forte Santa Rita se chama “Saco-Mar”, por situar-se na reentrança causada pelo acasalamento do rio Giraúl com o mar. Mas atraiu-nos um velho concertador de redes de pesca, sentado na areia e mergulhado profundamente no pensamento, a escassos metros do Parque de Campismo, com quem Filipe e eu travamos um dedo de prosa. Natural da Baia das Pipas, 36 km, cose redes desde 1975, profissão que aprendeu com um padrinho, quando aos 20 anos terminou a tropa colonial sem formação académica que lhe desse um emprego no escritório. A linha e a agulha com que cosia “vêem mesmo da fábrica, no Lobito ou em Benguela”. Ganha honestamente setecentos kwanzas por dia, e enquanto não terminar o biscate não tira folga nem mesmo para almoçar. A poucos metros, um senhor mestiço de caixa de óculos aguardava ansioso pela conclusão da obra. “Essa rede é para pescar no rio Kunene”, disse o velho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente marcado para domingo, 17 de Abril, o regresso da caravana veio sofrer sucessivos adiamentos, e só aconteceu na tarde de 5ª e manhã de 6ª feira, respectivamente, para a insatisfação dos delegados. Sob instruções, nalgumas vezes incoerentes, via telefone, ia-se mais de duas vezes por dia ao aeroporto, quando não fosse o caso de ficar lá todo o dia no autocarro e voltar à tardinha para o Campismo “vazio e frio”. Por mais patriotas que fossemos, ficar sem almoçar de domingo até 5ª feira, numa altura em que já se havia esgotado o subsídio de ajudas de custo, soava humanamente a abandono institucional. Mais ainda, numa altura em que alguns delegados precisavam voltar para os seus locais de trabalho, escolas, outros deviam regularizar sua situação militar, participar de concursos públicos para a função pública e ainda aqueles que tinham algum familiar doente. Em consequência um delegado regressou de táxi e um outro de voo da Air Gemini, ambos por meios próprios. Talvez fosse esse o grande teste das entrelinhas do lema: “Angola 30 anos, Juventude Clamemos pela Pátria”. Infelizmente, não consegui chegar ao Bentiaba (ex-São Nicolau), onde meu avô foi preso de 1961-1966, acusado de “Turra”. Mas tenho uma certeza: O regresso ao Namibe me permitiu corrigir a perspectiva anterior. Mesmo que nunca mais volte lá, Namibe será sempre a segunda província de meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gociante Patissa,&lt;br /&gt;Activista de Educação Cívica e Direitos Humanos e Radialista Amador&lt;br /&gt;Bairro da Santa-Cruz, Lobito, Caixa postal 208-Catumbela&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-112843942498465896?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/112843942498465896/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=112843942498465896' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/112843942498465896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/112843942498465896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/10/voltei-ao-namibe-ii.html' title='VOLTEI AO NAMIBE II'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-112807250221596154</id><published>2005-09-30T10:04:00.000+01:00</published><updated>2005-09-30T10:28:22.790+01:00</updated><title type='text'>RASGOS DA VIAGEM!</title><content type='html'>Aos 30 dias do mês de Junho, deixamos o aeroporto da Portela-Lisboa rumo à South Africa, passando por Luanda. Depois de 3 anos na Tuga, habituados a alguma eficiência e funcionalidade do sistema, não estávamos preparados para aceitar a burocracia e/ou quase inexistência de eficiência dos nossos serviços. Tivemos a opção de viajar pela nossa TAAG, motivados pela máxima " é nacional, é bom, tem qualidade e eu gosto!".&lt;br /&gt;Para começar, quando se entra no avião da TAAG, os lugares para bagagem de mão já estão lotados. Então a solução passa por viajar com a bagagem de mão junto dos pés ou, com um pouco de sorte no banco ao lado, porque o passageiro desistiu da viagem ou por outra razão... Mas deixemos a TAAG para próximos "RASGOS".&lt;br /&gt;É deveras inexplicável e algo frustrante quando se deixa o avião, entra-se no autocarro em direcção à sala de controlo dos Serviços da Emigração e Fronteiras. Quem por lá já passou tem alguma ideia. Quando o agente não vai com a sua cara pode demorar cinco ou mais minutos com o seu passaporte ( o que é incompreensível... mas pronto...). A dificuldade maior prende-se com o azar de ter que esperar hora e meia para recolher a bagagem e, se nos damos ao trabalho de levantar a cabeça para o tecto admirano-nos a ausência de estuque sinal de obras em curso ou inacabadas, porque os tubos e fios de canalização estão à vista.&lt;br /&gt;Depois de desesperar pela bagagem começa a procissão de saída: bilhete para identificar a bagagem 1º posto; alfândega para saber o que trazemos 2º posto ( que nos pode levar 10 minutos ou mais...). Finalmente, aguarda-nos o baile do transporte e do trânsito...(voltaremos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-112807250221596154?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/112807250221596154/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=112807250221596154' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/112807250221596154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/112807250221596154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/09/rasgos-da-viagem.html' title='RASGOS DA VIAGEM!'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-111972111280007895</id><published>2005-06-25T18:33:00.000+01:00</published><updated>2005-06-25T18:38:32.813+01:00</updated><title type='text'>VOLTEI AO NAMIBE, AMEI O NAMIBE</title><content type='html'>(Iª PARTE)&lt;br /&gt;Sábado, 9 de Abril, acordei com mais certeza ainda de que queria mesmo viajar. Acordei apaixonado pelas minhas lembranças, pela vontade de pesquisar, apaixonado por uma pátria agora sem guerra e que oferece, à medida de cada bolso, a possibilidade de ser palmilhada de lês a lês, enquanto o vírus marburg não nos levar a vida. Fazer turismo é finalmente algo que passei a amar cada vez mais. E essa viagem tinha a vantagem de ter as despesas com avião e alojamento pagas pelo Estado, por ser uma saída à convite do Ministério da Juventude e Desportos para representar a província de Benguela na 2ª edição do Festival Jovem Namibe 2005, sob o lema: “Angola 30 Anos, Juventude Clamemos pela Pátria”, de 11 a 16 de Abril. A ansiedade se reforçava ainda mais, pelo facto de já ter estado só por algumas horas no Namibe. Se para muitos “recordar é viver”, para outros “recordar é sofrer duas vezes”. Para mim seriam as duas coisas, embora só estando Namibe teria a certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte elementos compunham a delegação de Benguela, quando o voo apenas tinha capacidade de levar catorze. Logo, dez delegados partiram na primeira caravana, às 10:40 horas, para o voo buscar os restantes às 13:30 horas. Tínhamos a missão de melhorar ou, no mínimo, manter a prestação da equipa que participou da edição anterior do Festival no ano passado. No aeroporto, onde cada delegado recebeu 4 mil e trezentos kwanzas para ajudas de custo, eu dançava e contava gracinhas, mantive o entusiasmo, mesmo depois de perder o telemóvel. Quem ficou abalado foi o Filipe, meu companheiro de viagem, que só voltou a sorrir com o reaparecimento do telemóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ar observava a obra da natureza. À medida que o avião avançava, o verde dava lugar ao castanho, solidariamente a vegetação dava lugar ao deserto; era a passagem de Benguela para o Namibe. Ironicamente, os rios que nessa época estão com o caudal sempre alto, pareciam pequenos fios de água movente acastanhada, que contornando serras seguiam fielmente seu destino: o mar. A larga extensão de deserto arenoso nalguns momentos tinha tanta paz e magia que parecia um lençol encarnado sobre uma cama onde dentro de instantes um casal apaixonado estaria a fazer amor, com doses repetidas de orgasmo. Em uma hora e meia de voo tem-se a ilusão de ser a terra tão pura, tão inofensiva…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo voltou a juntar-se às 15 horas e foi “recebido por um funji com calulu e feijão de óleo de palma”, no Parque de Campismo Raul de Sousa Júnior, à beira-mar plantado, na marginal do Namibe. Que espectáculo é a marginal, onde os homens construíram bancos com palas de sombra feitos de betão para tantos e vários proveitos! (Namorar seria um deles, ler, meditar…) Completavam a paisagem, num perímetro de 1,5 km, cerca de 96 roulotes montadas no quadro das festas do mar, com diferentes nomes, incluindo “família Payhama”. No pequeno receptor soava o programa “Rádio Jovem”, da Rádio Namibe. Um dos colaboradores do Rádio Jovem em Luanda interveio por telefone. Tratava-se de Moisés Luís, apresentador do “Revista Musical” da Televisão Pública de Angola (TPA). A conversa girava em torno da participação pouco frutífera dos músicos e artistas angolanos no Award (gala de premiação) da Chanel-O, televisão Sul-africana; ainda no programa, a jovem cantora Yola Araújo em directo e via telefone apresentava a alma do seu mais recente trabalho discográfico “Um pouco diferente”, e não escapou à algumas perguntas “atrevidas” do locutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde de sábado e o domingo serviram para nos acomodarmos ao clima e às tendas onde nos alojamos, mas também para observar parcialmente alguns pontos de referência da cidade. Três guias e um autocarro foram postos à disposição dos benguelenses. O curioso é que, excepto a moça, os outros dois guias também não são naturais do Namibe; um é da província de Malange e o outro do Zaire. Minha paixão pela cidade e pela natureza crescia progressivamente por cada surpresa e pela hospitalidade. Meus olhos seguiam instintivamente o movimento das ruas, o dançar do mar, a vaidade do vento, o sorrir de cada rosto e, não sendo crime, o balançar de algumas bundas… Enfim, agradava a ideia de estar de volta no Namibe, dois anos após a última vez, em Agosto de 2003. Mas logo fiquei chocado, enquanto de autocarro girávamos pela da cidade: o mercado informal, vulgo praça do Mandume, já não existe. Aquela moldura humana e o movimento de compra e venda no espaço à entrada, bem nas costelas da cidade, perto da Pensão das Organizações Kilembeketa, a praça que para sempre guardarei na memória, hoje deu lugar à monotonia. Transformou-se numa pálida paragem de táxis internos e para o Lubango. “O terreno foi recebido pelo dono. A praça agora fica no Cinco”, justificou a moça do protocolo, que servia de guia para os delegados de Benguela. Mal sabia ela que mais do que uma praça se havia mexido com o meu passado…!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê 5 de Abril? Se calhar deram ao novo bairro o nome de 25 de Abril, dia revolução pela libertação das colónias portuguesas! Parecia consensual entre os excursionistas, até o guia principal e o motorista nos contarem, pouco depois, a origem do bairro e significado do nome “Cinco”. É que no dia 5 de Abril de 2002, o bairro “Nação” foi drasticamente assolado pelas cheias do rio, resultando em danos materiais consideráveis e alguns mortos; tão grave assim que o bairro foi extinto e os moradores tiveram de ser instalados em terreno baldio fora da cidade, no sentido leste, onde ergueram suas residências com um ordenamento do Governo. Os “heróis” baptizaram o novo bairro de “5 de Abril”, como um marco eterno daqueles que sobreviveram da catástrofe e/ou daqueles “oportunistas” que passaram a ter um pedaço para construir. “Muitos desses que viviam nas garagens e nos anexos aqui na cidade, vieram a correr para ganhar um pouco de terreno para construir”, lembrou o motorista. Lá diz o velho adágio umbundu: “pu’ungunda ukuanjeke opo pekuto li’ukuavipepe” (desgraça de uns, felicidade para outros). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando o 5 de Abril e de volta no centro urbano, mesmo com os assentos sem estofos do nosso “caio” (marca do autocarro), não notamos um único salto. Havia de facto, e sem exagerar, mais saltos no avião do que na estrada, com um tapete de asfalto genuinamente negro e com uma camada de aparentemente quinze centímetros. É uma das poucas situações em que “negro” indica algo de “positivo”. Negro e limpo, o lençol de asfalto dava a sensação de que estaríamos a sonhar ou então recuando até a era colonial, mas não. Era apenas uma obra feita por homens, nos dias de hoje. Alguém entre os excursionistas apontou o facto de chover pouco no Namibe como sendo razão da excelente condição das estradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O retracto mental que eu tinha, dum Namibe cidadezinha sem movimento apesar da vantagem do mar, fruto de quatro horas de observação, se desfazia. Na verdade, o que voltei a ver foi uma cidade vasta e limpa, com muitas ruas e edifícios, não sendo também ínfimo o número de carros. Mas como a natureza é mãe do contraste, há uma divergência entre a imagem radiante do Edifício dos Caminhos-de-ferro de Moçâmedes e o estado das carruagens, cuja cor se assemelha às vestes dum menino de rua lavador de carros. No Namibe, algumas partes se parecem mais com a restinga do Lobito e certas esquinas de Benguela, já outras lembram Luanda. Três semelhanças numa só cidade, Namibe; onde na mesma rua em que os mercados e lojas luxuosas disputam a atenção dos interessados, também coabita um muro de adobes idoso e bem vistoso. Era o Namibe, cidade mística, afinal impossível de conhecer em quatro horas. Ao todo, vi nas ruas apenas 4 jovens zungueiros (vendedores ambulantes) e um maluco. Por que será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando pelo hospital Central do Namibe e suas dependências é visível o investimento do Governo no sector social, cenário que condiz com as estruturas do Instituto Médio Normal de Educação (IMNE) e do pólo Universitário. Este último em estreia, vai leccionar cursos do sector marinho (biologia marinha, electricidade e gestão) albergando 400 estudantes, entre os quais provenientes de Luanda e de outras províncias. O desafio do próximo ano é arrancar com as especialidades do Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED): história, geografia, psico-pedagogia, para só citar alguns. As novas instalações do IMNE têm 12 salas de aulas, uma construção que levou cento e oitenta dias, no ano passado, e à cargo da empreiteira Cardis, sob gestão da Gespconsult Lda. Infelizmente, à semelhança de resto do país, no Namibe o IMNE funcionava em instalações da igreja católica, com gastos consideráveis no arrendamento mensal, segundo o guia. A alguns metros a leste, na estrada que dá ao aeroporto, a mesma via que liga o Namibe aos municípios do Tombwa e Virei, fica o lar dos estudantes que, cansado de bronzear-se ao sol exige alguma intervenção. Mesmo não tendo observado o interior, pelo menos a pintura já não tem brilho, enquanto que o capim invadiu o pátio, um favor da natureza que se encarregou daquilo que os homens não fazem, a jardinagem, talvez por falta de iniciativa, ou talvez por comodismo. De resto, a cidade é conhecida pela escassez das chuvas, tanto assim que já um mês se passou desde as últimas chuvas. “Aqui dificilmente chove”, reforçou o guia principal, Vidigal Lopes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paragem a seguir foi no Aeroporto Yuri Gagarine, que dista aproximadamente 8 km da cidade do Namibe. Uma rotunda oval logo à chegada chama à atenção não apenas pela tentativa de vegetação, mas pelos símbolos político-militares que constituem o memorial em três cenários: Numa placa de mármore sobre uma estrela, lia-se em letras maiúsculas: “A la memoria del piloto cubano 1º TT. Pedro Pablo Reinoso Bernal, que cayera en el cumplimiento de su deber internacionalista en Namibe el 13.2.88”; o 2º rectângulo oblíquo mostra: “A la memoria del suboficial Luis Moinelo Dias quien cayera en el cumplimiento de su deber internacionalista en 17-5-89”; uma asa de mig, aparentemente tombado, apresenta no centro um círculo colorido com a bandeira do MPLA, ao lado de uma metralhadora neutralizada. Chocante é a monotonia do aeroporto às 2ªs, 4ªs e 6ªs feiras, quer se trate dos voos da Taag, quer de operadoras privadas. “Aqui o movimento de negócios é parado” – lamentou o motorista do autocarro – “Muitas vezes a mercadoria que vem no porto volta ao Lubango” – continuou. Falando em negócios, alguém ainda terá de me explicar a razão do “exagerado” número de farmácias, plantadas de palmo em palmo, mormente na periferia. Impressionante! Certamente, um estrangeiro desinformado talvez se julgasse estar no Uige, a terra campeã das mortes, por doença causada pelo vírus marburg. No aeroporto, dois jornalistas da TV Bahia do Brasil, Júlio César e Wanda Chase, voltavam ao Brasil depois das filmagens sobre a cultura dos povos da Huila e Namibe. Conversamos brevemente sobre as vantagens e jogos de cintura no jornalismo e ofertaram-me um CD de Daniela Mercury. Gostei. (Continua na próxima edição)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gociante Patissa, sábado, 7 de Maio de 2005&lt;br /&gt;Activista de Educação Cívica e Direitos Humanos e Radialista Amador&lt;br /&gt;Bairro da Santa-Cruz, Lobito, Caixa postal 208-Catumbela&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-111972111280007895?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/111972111280007895/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=111972111280007895' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111972111280007895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111972111280007895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/06/voltei-ao-namibe-amei-o-namibe.html' title='VOLTEI AO NAMIBE, AMEI O NAMIBE'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-111728794024803254</id><published>2005-05-28T14:42:00.000+01:00</published><updated>2005-05-28T14:48:30.780+01:00</updated><title type='text'>ACONTECEU EM ANGOLA</title><content type='html'>Esta crónica foi escrita em Maio de 2000 e publicada no jornal de parede "Encontro", no Seminário Maior do Bom Pastor/Filosofia, em Benguela-Angola. Publico-a aqui sem nenhuma alteração, porque sobre o 27 de Maio de 1977 pouco mudou, ou seja, sabemos tanto hoje como sabíamos há cinco anos. Bom proveito!!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ACONTECEU EM ANGOLA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kusseteka natural de Bimbe/Bailundo-katapi, filho do soba da aldeia e de mãe desconhecida. Kusseteka teve um sonho no tempo do tuga: ser médico para resolver as mil “mbwandjas” de saúde de seus irmãos. Por benção dos “olondele” conseguiu. Virou grande médico. Era adorado e glorificado por todos os “aldereiros”, porque para cada doença tinha um remédio. Depois de tomar os remédios os doentes ou ressuscitavam ou morriam. Era tal a proeza e o milagre de Kusseteka!&lt;br /&gt;Soba morreu. Kusseteka, único ‘macho’, ficou soba. Habituado a ser único médico a cuidar dos doentes no seu consultório/escritório sem concorrência, nem conselho de ninguém, porque só ele que é o sô doutor... Dias depois mandou partir o ‘ondjango’. Houve descontentamento da parte dos kotas: brincadeira essa de Kusseteka! Foi o primeiro fracasso de Kusseteka.&lt;br /&gt;Mas... kota Nito não quis ficar na massa reagente. Então, organizou sua malta e... pronto a acabar com a brincadeira de Kusseteka e voltar aos velhos tempos! Mas...Kusseteka, por sorte dos santos, tinha uma força maior e conseguiu ganhar e esmagar a revolta. Assim, no dia 27 de Maio de 1977 tomou a palavra e disse a todos “aldereiros”: «não haverá perdão para todos os indivíduos envolvidos na intentona nitista. Eles são uma grande bactéria. O antibiótico é a pena de morte». E ... seus pupilos gritaram: viva kota Kusseteka. Vamos caçá-los e iliminá-los! Viva! Viva!!!&lt;br /&gt;A partir de então até então, reinou um grande recalcamento na aldeia. Ninguém mais ousou abrir o bico. Encerraram-se as portas!&lt;br /&gt;Mas ... os viventes daquela época, hoje querem mostrar que ainda podem falar e exigir justiça. Porém ... os pupilos de kota Kusseteka ‘estão de olho’, pronto a ver e a acertar nas bactérias com o remédio certo. E ... os “aldereiros” vão vivendo aos soluços, sem poder de exigir justiça, salário justo e atempado, escolas, saúde, pão, água, habitação... O medo faz moradia na aldeia. Ninguém quer ter a mesma sorte de kota Nito e dos nitistas... Mas ... pupilos de kota Kusseteka, o medo está a acabar... por isso...!!!&lt;br /&gt;Até breve.&lt;br /&gt;*Qualquer coincidência com a ficção, esta é a pura realidade!&lt;br /&gt;KALOMBONDE&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-111728794024803254?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/111728794024803254/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=111728794024803254' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111728794024803254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111728794024803254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/05/aconteceu-em-angola.html' title='ACONTECEU EM ANGOLA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-111422304164247573</id><published>2005-04-23T03:19:00.000+01:00</published><updated>2005-04-23T03:24:01.646+01:00</updated><title type='text'>DEPUTADOS DA OPOSIÇÃO DEVIAM FILIAR-SE NO MPLA</title><content type='html'>&lt;div style="styleDocument: [object]"&gt;Deputados da oposição deviam filiar-se no MPLA, excepção seja feita aos do PRS&lt;/div&gt;&lt;div style="styleDocument: [object]"&gt;«Habemus Provedor de Justiça»!? Acabava de ver a notícia da eleição do novo Papa, que recaiu sobre o Cardeal Joseph Ratzinger, quando tomei conhecimento do e-mail que me foi enviado pelo meu amigo e distinto cidadão, Luís Araújo, que preside a associação cívica SOS Habitat, no qual me dava conta da eleição de Paulo Tjipilica ao cargo de Provedor de Justiça. Não há muito tempo, neste espaço, quando ainda se conjecturava a sua eleição, manifestei as razões da minha discordância e apresentei o enquadramento teórico e jurídico em que se conforma a figura de Provedor de Justiça, pelo que, hoje, se afigura desnecessário repeti-las. Na altura, como aliás fica confirmado, tinha plena consciência da impotência em que me encontrava ao emitir a minha opinião; fi-lo por imperativo cívico, dado que não compreendia, e continuo sem compreender, como é que alguém, como o cidadão em causa, que não oferece as mínimas condições políticas de independência, pode ser proposto, e inclusivamente eleito, para exercer um cargo cuja a margem de manobra e o poder de intervenção reside sobretudo na autoridade pessoal de quem o preside. No entanto, houve reacções que se seguiram – vindas de organizações cívicas angolanas, designadamente uma posição pública conjunta assinada pela Associação Justiça, Paz e Democracia, pela SOS HABITAT, pelo Centro Nacional de Aconselhamento (NCC), pelo RTC – Coligação para a Transparência e pela ADPCI, na qual solicitaram a todos os Deputados que criassem uma comissão de inquérito para aferir da idoneidade de Paulo Tjilipila, e apelavam para os perigos de se eleger uma pessoa sobre a qual recaem graves acusações públicas de práticas contrárias ao Direito e à Justiça – que fizeram nascer em mim a expectativa de que os Deputados, sobretudo os da Oposição, dificilmente aceitariam a referida pessoa. Não se pode, de ânimo leve, não dar atenção às acusações públicas que pendem sobre a pessoa em causa, mais ainda porque o cargo de Provedor de Justiça está, em muito, dependente da especial relação de confiança que os cidadãos e organizações cívicas estabelecem com o titular do cargo. Ocorre que Paulo Tjipilica não tem, na actualidade, qualquer credibilidade política, não só junto da sociedade, como também nos círculos do poder. Como poderá assim defender os direitos e interesses dos cidadãos em confronto com os poderes públicos? A nossa memória ainda está bastante fresca: Paulo Tjipilica acaba de sair do Governo, tendo, inclusive, batido recorde na manutenção do mandato enquanto membro do Governo central; esteve mais de 10 anos a dirigir o Ministério da Justiça, com uma oportunidade soberana de fazer reformas tão desejadas há muito. Porém, só lhe ficámos a conhecer a retórica vazia. Que não nos enganemos, não foi por competência que o mesmo se manteve tanto tempo à frente dos destinos da Justiça, não, até porque não parece que a competência tenha sido, algum dia, o critério seguido por quem tem poder de nomear e exonerar os Ministros; pelo contrário, quanto a nós, foi por cumplicidade, por estar comprometido e por ter perdido a capacidade política de propor e fazer. Sendo assim, importa perguntar, mas só àqueles que têm um mínimo de juízo e razoabilidade (porque aos outros nem vale a pena, uma vez que já sabemos do que são capazes, ou melhor, do que foram capazes: nomear um Provedor que será apenas uma figura cosmética, de «fachada» e «encenadora»): porque razão foi eleito Paulo Tjipilica? Não creio que haja alguma razão que seja minimamente convincente e defensável. Continuo a pensar que se trata de pura acomodação política. O que não é de estranhar, sendo uma iniciativa do partido governante, que, ao fim ao cabo, sempre nos habituou a manter toda a «lixeira» de pseudo «ex-governantes» activos e acomodados no poder, como se estivessem algemados com uma corrente elástica. Todavia, o que é profundamente obsceno e deplorável, e deixa-me completamente destroçado, é o facto de a oposição ter viabilizado a eleição de Paulo Tjipilica. A eleição do Provedor, nos termos da nossa Constituição, só pode ser conseguida com uma maioria de 2/3, o que, no actual quadro, obriga a um compromisso entre o partido governante e o maior partido da Oposição. Neste sentido, em minha modesta opinião, a Oposição tinha uma excelente oportunidade para exercer o seu papel, que não seria de se opor cegamente, tratava-se simplesmente de apresentar candidatos alternativos, que oferecessem o mínimo de garantias exigível. Perante o que aconteceu, é legítimo dizer que provavelmente andámos enganados; temos acreditado que, apesar de tudo, existe uma Oposição angolana capaz de opor-se construtivamente ao Governo, capaz de condicionar certas opções estratégicas e capaz de apontar um rumo diferente ao país, quando, infelizmente, parece que não tem tal capacidade ou, na pior das hipóteses, ela própria não existe. Se assim for, devemos nós desenganar-se! É facto que uma solução de compromisso pode estar na origem do voto favorável da oposição, excepção seja feita ao PRS. Se não tiver sido por solução de compromisso, possivelmente a UNITA terá viabilizado a eleição influenciada pelo factor étnico (o que é pouco provável) ou pela errada convicção de que estavam perante um antigo correligionário, que ainda conserva os valores e princípios que juntos comungaram, ao invés de olharem para o perfil e postura política dessa pessoa, hoje. Seja qual tiver sido a motivação é, sob todos os prismas, reprovável. Se for uma solução de compromisso, a UNITA estará tremendamente desorientada, porque revelaria não ter bem a noção estratégica que resulta dos ganhos parciais na consolidação de instituições vitais da democracia, como é o caso da Provedoria de Justiça. E se for verdade que a UNITA embarcou numa solução de compromisso, assim como os demais partidos da oposição, inclino-me a acompanhar o grito de revolta, tal como o expressou o meu amigo Luís Araújo no seu e-mail: «é melhor formalizarem a filiação partidária no MPLA», para que não continuemos a ser enganados, pensando que existe uma oposição, quando, na verdade, existirá apenas no «mundo das ideias». Com a viabilização do Provedor de Justiça, a Oposição banalizou o parlamento. A partir de agora deverá ficar calada quanto a matérias de igual natureza. Não parece que seja assim que se constroem alternativas e se mobiliza a sociedade para a mudança. Ainda que das alternativas que indicassem, se as tivessem ao menos apresentado, nenhuma fosse aprovada, a sociedade tomaria consciência de que existem pessoas capazes que podem a fazer a diferença e melhor do que o que tem sido feito até aqui, o que seria, sem dúvida nenhuma um ganho. E as pessoas não teriam que ser necessariamente da UNITA ou de outro partido da Oposição, poderiam até ir buscar alguém que fosse próximo do MPLA, mas cujo o perfil oferecesse a tal margem de manobra que já referi. Para terminar, vale referir que acompanhado do e-mail do meu amigo, Luís Araújo, vinha uma carta do escritório das Nações Unidas em Angola, dirigida às organizações cívicas angolanas, sensibilizando-as para a importância que terá a interacção com o Provedor de Justiça ora eleito, e afirmando que o Provedor de Justiça poderá fazer muito dependendo do papel que as organizações tiverem. Primeiro, acho infeliz a carta, discordo do ponto de vista que apresentam. É enganador. Porque sabemos, à partida, que o Provedor eleito não terá qualquer capacidade política para afrontar o poder estabelecido, porque ele próprio é parte e está mancomunado com este poder. A sua eleição é uma tremenda encenação, falseada de «democracia». É por isso que entendo que os representantes dos escritórios da Nações Unidas em Angola deveriam ter alguma contenção e evitar fazer pronunciamentos que denigrem e desprestigiam uma instituição internacional tão valorizada como a ONU. O problema que se coloca não é de fazer alguma coisa para constar dos relatórios, «para o inglês ver», trata-se, efectivamente, de ter as garantias mínimas de que o Provedor vai actuar em defesa dos cidadãos, dos princípios e valores constitucionais e dos mais nobres interesses públicos em jogo. São essas garantias que não existem, porque o Provedor eleito, com todo respeito que a sua pessoa nos merece, é um impotente «ab initio». &lt;/div&gt;&lt;div style="styleDocument: [object]"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="styleDocument: [object]"&gt;Pedro Romão, Estudante de Direito e Membro da Associação Justiça, Paz e Democracia &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-111422304164247573?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/111422304164247573/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=111422304164247573' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111422304164247573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111422304164247573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/04/deputados-da-oposio-deviam-filiar-se.html' title='DEPUTADOS DA OPOSIÇÃO DEVIAM FILIAR-SE NO MPLA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-111420242451728990</id><published>2005-04-22T20:33:00.000+01:00</published><updated>2005-04-23T19:42:29.070+01:00</updated><title type='text'>O NOSSO JURISTA</title><content type='html'>&lt;div style="styleDocument: [object]"&gt;É de novo quinta-feira, são 20h30. Desta feita, encontro-me novamente no aeroporto da Portela, já não para tentar despachar mais uma parte da bagagem de um colega que se encontra na terra, mas sim para dar um grande abraço de bom regresso a uma compatriota. Ela terminou o curso de medicina dentária, com bastante brilho, por isso, vai com grande satisfação de dever cumprido.&lt;br /&gt;Para nós que ficamos é sempre motivo de orgulho e de tristeza ver alguém que está de volta à casa. Orgulho porque é mais um filho (a) da terra que termina um curso superior e vai engrossar o leque dos quadros superiores do país, contribuindo assim para o seu desenvolvimento e crescimento, se bem aproveitados. É motivo de tristeza, porque ficamos privados da sua companhia física, do seu carinho, da sua amizade... de tudo que a sua presença representa, pelo menos até ao próximo reencontro.&lt;br /&gt;Entretanto, não é de quem parte que nos apraz falar, mas sim do nosso "amigo jurista" que voltei a encontrar no aeroporto da Portela. Foi um reencontro difícil, confesso. Não queria acreditar naquilo que os meus olhos viam!!! Depois de uma longa hesitação, tomei coragem e aproximei-me do "nosso jurista", na expectativa que me fosse reconhecer, mas nada. Desanimado com o meu esforço não correspondido, aproximei-me mais do "jurista" e abordei-o como os outros: « boa noite! Será que me pode ajudar? Preciso muito enviar para Luanda uma impressora para um amigo». O "jurista" olhou-me bem nos olhos e, eu saisfeito de que ele me tivesse reconhecido, esbocei um sorriso amigo para quebrar o gelo, falicitar a negociação qui ça enviar de graça - e ai estaria feito porque eu não tinha impressora nenhuma - , mas o "nosso jurista" não me reconeheceu - que bom porque livrei-me de ser descoberto! -. Em resposta ao meu pedido, ele puxou-me à parte e perguntou: « quanto pagas?» Atónito, respondi-lhe: « nada, por isso estou a pedir-lhe um favor!». Ele pura e simplesmente não achou piada e dirigiu-se para outros que ali estavam com ar de quem paga bem.&lt;br /&gt;Retirei-me com vontade de perguntar-lhe: então, ainda não voltou para o tribunal no exercício das suas funções? Tirou algumas férias por motivos válidos e está a aproveitar fazer um bocado de esquema, pondo em prática o direito comercial? Mas logo no aeroporto, não acha arriscado demais, já que os seus colegas podem passar por si nas suas vindas e idas? Será uma situação comum, daí não se importar com a escolha do lugar?&lt;br /&gt;Seja verdade ou não, deu-me um aperto e pensei nos milhares funcionários da função pública, com salários altamente atrasados, mas sem alternativa à vista porque sem recursos que lhes permitam desenrascar-se em esquemas como o do "nosso jurista" ou semelhantes; pensei naqueles funcionários públicos cuja única alternativa - para cumprir o mandato do chefe : viver de esquemas ou fontes alternativas - é carregar ainda mais o fardo do pobre com as famosas gasosas na escola e na saúde; pensei naqueles que não podem recurrer a empréstimos sérios porque sem posses que cubram os riscos, restando-lhes o jogo da kixikila ( empréstimos semanais que têm origem no Roque entre os vendedores), que não raras vezes agrava a sua situação em si já periclitante...&lt;br /&gt;&lt;div style="styleDocument: [object]"&gt;Consegui pensar no nosso UÍGE abraços com a epidemia do Marburg, cujo fim parece tardar. Pensei nos funcionários da saúde do UÍGE cujo heroísmo é indescritível. Com salários de miséria, quando chegam, porque na maioria das vezes demoram uma eternidade, mas não cruzaram nem cruzam os braços e trabalham abnegadamente para tentar salvar as vidas possíveis de salvar!!! &lt;/div&gt;&lt;div style="styleDocument: [object]"&gt;Consolei-me, finalmente, com a certeza de que há ainda gente honesta e de bem que, não obstante os salários de miséria, o seu atraso e o conselho do chefe de viver de fontes alternativas ou seja de esquemas, luta por manter-se na sua profissão e honrá-la com dignidade. Está de parabéns o pessoal de saúde do UÍGE que vai fazendo pequenos milagres, não obstante todas adversidades.&lt;/div&gt;&lt;div style="styleDocument: [object]"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="styleDocument: [object]"&gt;Upindi Pacatolo&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-111420242451728990?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/111420242451728990/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=111420242451728990' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111420242451728990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111420242451728990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/04/o-nosso-jurista.html' title='O NOSSO JURISTA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-111262001735174771</id><published>2005-04-04T14:04:00.000+01:00</published><updated>2005-04-04T14:06:57.356+01:00</updated><title type='text'>TRÊS ANOS DE PAZ, E AGORA?</title><content type='html'>Como comemorar a paz de 4 de Abril, com a guerra em CabindaNeste mês de Abril, Angola celebra o fim da guerra que durante quase três décadas dilacerou profundamente a nossa sociedade. Felizmente o triste calvário, de confronto armado, de matanças de civis inocentes, de destruição incalculável das infra-estruturas, de retrocesso transversal a todos os níveis, parece ter terminado. E digo parece ter terminado porque Cabinda tem estado em guerra; porventura sem a mesma intensidade - e com certeza sem a mesma cobertura mediática - daquela que verificávamos na guerra levada a cabo pelos dois grandes movimentos de libertação, hoje na veste de partidos políticos. É por isso, de certo modo, contraditório falar de paz em Angola, enquanto uma província sua se confronta com um indesmentível estado de guerra, a menos que, afinal, Cabinda não é Angola. Segundo relatos do clero local e da organização cívica Mpalambanda tem havido confrontos armados, se bem que esporádicos, dado que a guerrilha ficou desarticulada, que têm dizimado vidas humanas de civis inocentes, e está instalado em Cabinda um clima de quase estado policial, senão de terror, com os cidadãos a viverem em permanente insegurança. Então não foi por causa deste estado de coisas que organizações cívicas, pastores das igrejas angolana, partidos políticos da oposição civil se bateram, durante muito tempo, pelo fim da guerra? E se ela continua em parte do território nacional, porque razão há-de se fazer silêncio? Ou será que as vidas em causa em Cabinda valem menos do que noutras partes de Angola? Ou será que a intolerância política e as ameaças de morte de que são alvo os nossos concidadãos em Cabinda, que não são militares e nem estão nos cenários de confronto armado, não dizem respeito aos angolanos pacifistas, religiosos, humanistas e activistas de direitos humanos? É óbvio, quero crer, que dizem respeito! Sendo assim, apenas posso compreender que só razões de ordem táctica e oportunista estejam em causa; uma vez que a questão de fundo de Cabinda, na sua vertente de luta pela independência, seja politicamente fracturante: ou se é a favor da independência ou não. Ou seja, as pessoas parece recearem reprovar as práticas do Governo em Cabinda, porque temem ser vistos, ou conotados, como defensores da causa dos independentistas. Esse prisma maniqueísta de colocar o problema: de um lado os que são a favor da independência e de outro os que não são, é falacioso, senão falso. Porquanto não ser a favor da independência não é incompatível com a defesa da vida, do diálogo, da tolerância, da estabilidade e da paz social em Cabinda. Torna-se assim lamentável e incompreensível o silêncio que se tem observado em relação ao caso Cabinda; bem se percebe que o Governo está, hoje, com o «baralho» todo e portanto determina as regras do jogo. Contudo, julgo que não vale a pena o Governo continuar a «fazer de conta» que o problema não existe, dado que se trata de um problema real e com raízes profundas, e que não parece que vá terminar brevemente só porque há uma presença esmagadora das Forças Armadas Angolanas, que até terão destroçado a guerrilha das facções independentistas. Apesar de não conhecer, quiçá o mínimo necessário, da história e dos fundamentos subjacentes à questão de Cabinda, que me autorizariam a falar com propriedade, parece-me que o problema é fundamentalmente político e reclama, em consequência, uma solução política. É evidente que não sabemos se no mais profundo da vontade dos cidadãos de Cabinda haverá a aspiração pela independência tal como defendem alguns dos independentistas; será o mesmo que dizer que ninguém pode afirmar com certeza absoluta que as Flec’s representam a maioria dos cidadãos de Cabinda. Ou se, pelo contrário, não será uma consciência de injustiça e marginalização social que está em causa e que atiça o sentimento de autodeterminação em muitos cidadãos que habitam aquela parcela territorial. Porém, ainda que a luta que parte do povo de Cabinda faz resulte mais duma consciência de injustiça e menos de convicção pela genuína autodeterminação fundada, ainda assim estamos perante um problema que reclamaria do Estado soluções pensadas e não apenas sustentada força. É incorrecto e muito leviano refutar o sentimento de independência que se baseia no sentimento de injustiça dizendo apenas que «a ser assim, todas as províncias que se sentem injustiçadas, como são, a título de exemplo, os casos das «Lundas», teriam também direito à independência». A coesão e integridade nacionais asseguram-se mais com a integração e desenvolvimento das várias regiões (ou se quisermos províncias) que compõem o país, dando-lhes a autonomia necessária para que protagonizem, elas próprias, o desenvolvimento, com respeito pela unidade nacional, pela justa e proporcional contribuição pelo esbatimento das assimetrias existentes no todo nacional. Na verdade, com o actual sistema em que os governadores provinciais têm a mínima, ou até nenhuma, legitimidade democrática, mas acabam por ser os senhores «todo-poderoso» nas provinciais, decidindo sozinhos as prioridades do interesse público e o que fazer com os dinheiros que são destinados pelo Orçamento Geral do Estado às províncias, vão-se eternizar e reproduzir os sentimentos de exclusão e injustiça, causadores de convulsões sociais. E o problema torna-se mais grave se tivermos em conta a maior parte das províncias do interior do país, que são tratadas como parentes paupérrimos do Governo central. Faz todo o sentido que no quadro da reforma política do Estado, mormente na elaboração da futura Constituição, se eleja como prioridade incontornável a instauração das autarquias locais. É preciso que os problemas mais próximo dos cidadãos sejam resolvidos pelas autoridades locais que estejam mais próximo deles, partindo do pressuposto de que o Estado proporcionará os meios financeiros e administrativos necessários à execução das respectivas tarefas. As autarquias locais permitem que os cidadãos se sintam envolvidos e participes na governação dos interesses que lhes são mais próximos e dizem directamente respeito, com isso, serena o sentimento de marginalização em face das decisões políticas que influenciam o seu dia a dia; as autarquias locais servem também como uma escola política dos futuros dirigentes da Administração central do Estado e um espaço de acolhimento de todos aqueles que legitimamente aspiram exercer o poder político. Claro que Cabinda é um caso sui generis; mas a sua resolução passa inquestionavelmente pela existência de vontade política, de abertura para o diálogo e de ponderação criativa dos protagonistas políticos e sobretudo dos decisores. Nada obsta a que, no quadro da reforma política em curso no país, se pense num modelo de autonomização para Cabinda. É de elementar justiça que os cidadãos de Cabinda sintam que a sorte natural que tiveram ao nascerem naquele território tem implicações no nível e qualidade de vida que merecem ter - tal como merecem todos os angolanos, porque as riquezas que têm, racional e equitativamente distribuídas, o permitem. Voltando à questão inicial: a continuação da guerra em Cabinda não é nada de surpreendente, atesta bem os precedentes que se foram sedimentando na nossa história recente, de incapacidade de diálogo face a problemas de natureza político. Claro que não advogo que o Estado se demita de assumir a sua função de garante da legalidade. Mas o exercício dessa função não pode cegar o Estado na busca das soluções que acautelem valores maiores em causa, como seja a vida humana, a estabilidade e a paz, que são, afinal, os pressupostos para a instauração de um verdadeiro Estado democrático de direito e de um clima propício ao relançamento da nossa economia. Só neste quadro dar-me-ia por satisfeito e aceitaria comemorar - com a euforia que se apela e em plenitude - o dia 04 de Abril, porque traduziria efectivamente paz em Angola, de outro modo, seria nos iludirmos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Romão, Estudante de Direito da UCP - PORTO e Membro da Associação Justiça, Paz e Democracia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-111262001735174771?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/111262001735174771/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=111262001735174771' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111262001735174771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111262001735174771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/04/trs-anos-de-paz-e-agora.html' title='TRÊS ANOS DE PAZ, E AGORA?'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-111246069425262770</id><published>2005-04-02T16:47:00.000+01:00</published><updated>2005-04-02T17:51:34.256+01:00</updated><title type='text'>AMICI NON SERVI</title><content type='html'>Quando são passados três anos sobre a data da publicação deste manifesto no Seminário Maior do Bom Pastor - Secção de Teologia,Diocese de Benguela e, numa altura em que alguns dos seus signatários e obreiros são padres e diáconos, apraz-nos trazer à luz do dia este manifesto. Publicá-lo, neste momento, é uma forma de honrar a história recente do Seminário e, sobretudo, mostrar como a obra de Deus exige "fazer-se ao largo"..."abrir as portas à Cristo"..."ouvir o sopro do Espírito"..."libertação dos caprichos humanos"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"AMICI NON SERVI"&lt;br /&gt;"CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE LIBERTAR-VOS-Á" (J0. 8,32)&lt;br /&gt;Na "Gaudium et Spes" de Cristo que nos chama a sermos amigos e não servos, assumindo a eucaristia como vida - compromisso, juntos e livres, num só coração e numa só alma, e partindo do programa pastoral dos Bispos 'Justiça e Pão para todos', vimos por este meio, depois de longo tempo de inquieto conformismo, manifestar ao nosso querido pastor, D. Óscar Braga, a nossa mais profunda insatisfação.&lt;br /&gt;Somos livres, criados à imagem e semelhança de Deus. Temos uma dignidade, recebemos uma vocação a qual muito amamos, estimamos e pela qual humildemente lutamos, não como mérito nosso, mas como Dom gratuito de Deus que transportamos em nosso corpo frágil, humilde, mas por Cristo feito santo. Pena é sentirmos que este precioso Dom do Pai serve, hoje, para nossa escravidão e desrespeito e por ele somos obrigados a carregar a cruz da sobrevivência e da ingênua frustração que em nada tem a ver com a cruz do sacrifício e do amor de Cristo. É bastante difícil, ter que abordar um problema que em situações normais nunca deveria ter sido apontado, sobretudo, num ambiente cristão como este e, ainda, num Seminário Maior de Teologia, onde o espírito de fraternidade e justiça devia ser o 'slogan' de cada dia. Mas, o problema existe, persiste e, infelizmente, deve ser abordado, pois, perigosamente, tem sido uma grande contracorrente no projecto vocacional que o próprio Cristo insuflou em cada um de nós. Não é possível caminharmos mais, embora a boa vontade não nos falte, nem a própria certeza do chamamento de Cristo. Ora, quando o estômago está vazio não há cabeça capaz de pensar. Ninguém pede mais senão o suficiente para vivermos como bons alunos e seminaristas com dignidade reconhecida. Assim, tendo presente todos os esforços de diálogo para uma formação mais digna da pessoa humana, e desiludidos pelas constantes respostas irresolúveis dos nossos principais responsáveis, para quem o problema é e continuará a ser uma 'vexatissima questio', com sinceridade, chamamos e apelamos às consciências dos mesmos a reconhecerem a dignidade que nos é devida, não só como cristãos, mas também como seminaristas e ainda como homens. É assim que os seminaristas diocesanos são a 'menina do olho' do bispo? É assim que o seminário é o 'Te Knon'(filho querido) da diocese?&lt;br /&gt;CHEGA de nos amassarmos quando nos podemos amar. Chega de sermos seminaristas só quando se deve cantar na Sé; quando se deve encadernar para o Sínodo; quando pesa sobre nós o dever de cumprir o regulamento, exigindo que nos empenhemos fortemente no trabalho, nos ensaios de cantos, apesar de estarmos fisicamente debilitados pela nossa alimentação lamentável que nos obriga  a fazer dos quartos autênticas cozinhas num real "salva-se quem poder", quando a economia devia ser a base de sustento da vida. Embora estejamos convictos de que a vida cristã busca antes o espiritual que o material, seria ingenuidade e blasfêmia excluirmos o " pão nosso de cada dia" das nossas necessidades não apenas vitais, mas também cristãs. E em decorrência de tudo isso, vemos um grande afrouxamento espeiritual. Para o cumulo, apesar de todo este sofrimento, ainda há professores que se dão ao luxo de reprovar injustamente um aluno por uma única disciplina. BASTA!!!&lt;br /&gt;Exigimos, nós, seminaristas de teologia, que se contorne tal situação no tempo necessário. E enquanto se viabiliza a garantia de condições dignas e verdadeiramente humanas, nós assinantes deste MANIFESTO, ausentamo-nos abruptamente, com firme disposição de regressar tão LOGO SE SANE A PESTE. Desta feita, se no espaço de uma semana não formos devidamente informados através dos párocos ou outros meios justos, sobre as providências tomadas para o nosso bem-estar no Seminário, trataremos de retirar toda a nossa bagagem do mesmo, deixando que Deus decida pela nossa sorte.&lt;br /&gt;Benguela, 23 de Março de 2002&lt;br /&gt;Memória de S. Toríbio de Mongrovejo&lt;br /&gt;Esperando o abrandamento ou o agravamento da situação, mediante as próximas informações, eu teólogo, por punho próprio, subscrevo-me(ver: 3Jo. 1,13-15ª)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-111246069425262770?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/111246069425262770/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=111246069425262770' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111246069425262770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111246069425262770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/04/amici-non-servi.html' title='AMICI NON SERVI'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-111135141787951477</id><published>2005-03-20T20:40:00.000Z</published><updated>2005-03-20T20:43:37.883Z</updated><title type='text'>PORQUE RAZÃO O MPLA NÃO MUDA?</title><content type='html'>Porque razão o MPLA não muda, e se não mudar quem o fará por ele?É muito provável que a pergunta que dá titulo a minha reflexão de hoje seja redutora e sugira igualmente uma resposta pouco aprofundada. Porém, esforçar-me-ei por ver um pouco mais longe daquilo que nos é dado a apreciar pelas aparências do quotidiano de um partido em que muitos, como eu, ainda esperam que saiba se posicionar face aos novos desafios da democracia. É sabido que o MPLA é um partido com elevada responsabilidade no presente e – acredito – no futuro de Angola. Não creio que alguém vaticina o seu desaparecimento no espectro político angolano, mesmo num quadro de pura «concorrência». É, sem dúvida, um partido de poder, desde logo, em virtude do seu passado histórico, e mais ainda, pelo facto de representar uma parte significativa dos cidadãos angolanos, apesar de presentemente não podermos, com precisão, estabelecer a percentagem exacta da sua representatividade.Julgo que agora não importa nos referirmos ao passado, cruel e atroz, que vitimou inúmeras vidas, que estrangulou a estrutura física do país e que nos relegou para um plano infra-humano e social. Porém, do nosso passado não nos podemos esquecer e devemos assumi-lo como lição a não voltar...O que é relevante actualmente é reconstruirmos as nossas vidas, é voltarmos a acreditar que uma nova Angola é possível, baseada na Paz, na Justiça (aproveitando a deixa do Congresso Pro Pace), no respeito pela diferença, na Educação, na democratização das nossas instituições e na estabilização e crescimento da nossa economia. Estes são alguns dos objectivos que devem ser perseguidos pelos partidos que desejam governar Angola, quaisquer que eles sejam. E o MPLA, porque é um partido com vocação de poder não deverá furtar-se deles. Mas não basta apenas a vontade de ser um partido com vocação e querer governar o país... Num quadro de competição política, como o que desejamos para o nosso país, os partidos devem, eles próprios, ser capazes e estarem a altura das exigências do momento na sociedade angolana.Significa isto que os partidos não só devem ter programas consentâneos com a democratização, o Estado de direito e o desenvolvimento sustentado, como também (o que é mais importante), devem ter pessoas com competência, vontade e fôlego, que resulte além da formação, das convicções e experiências de vida. Neste sentido, vejo com enorme preocupação a contribuição do MPLA no processo de democratização do país. Porque não tem as pessoas com esse perfil, ou se as tem, não têm o espaço e protagonismo necessário.Como consequência, o país está refém do MPLA, como esteve, a tempos atrás, de uma estúpida guerra.Fica mal ao MPLA continuar a declarar-se como agente da democratização e desenvolvimento de Angola, quando a sua prática continua a ser a de um partido internamente intolerante à diferença, ao pluralismo de opinião, ao confronto político entre as diferentes tendências – que acho que as há dentro do seu seio. E quando continua a ser um partido avesso à afirmação de novas lideranças, de novas ideias, e de novos métodos que privilegiem a democraticidade, a transparência, o mérito, a sustentabilidade, etc, que são afinal de contas, também, os apanágios dos desafios que se propõem ao país. Preocupa-me que essa postura errática do aparelho partidário do MPLA, pois o MPLA não se reduz àqueles que hoje o dirigem, é mais do que isso, representa um conjunto bastante diverso de cidadãos, que almejam ardentemente por uma nova Angola. E esse aparelho partidário tem rosto. E esse rosto tem nome. Chama-se Senhor Engenheiro José Eduardo dos Santos! Afora o respeito que nutro por ele (e que merece de todos os cidadãos) como, aliás, tenho por qualquer outro ser humano, desconsidero profundamente o método que hoje usa para dirigir o MPLA. Creio que é chegado o momento de o Senhor Engenheiro José Eduardo dos Santos abandonar o poder, devendo em consequência:Deixar que quem tenha vontade de firmemente democratizar o partido e, por via disso, contribuir para a democratização do país, o assuma; Deixar que quem tenha a capacidade e competência de apresentar novas ideias e indicar um novo rumo de desenvolvimento para o país, o faça; Deixar que quem tenha coragem de lutar contra a letargia social, contra a corrupção e contra a injustiça, se apresente primeiro ao MPLA e depois ao país. Por isso mesmo, é lamentável, que ele próprio continue a alimentar a esperança de dirigir o MPLA, ou pôr na sua direcção uma qualquer pessoa da sua conveniência, apenas com a obsessão da sua protecção futura, sem se importar com o futuro do partido e do país. Se isso acontecer, será mais um recuo e não avanço, será mau para um partido, que quer disputar «democraticamente» o poder com os outros partidos políticos. Pode até haver partidos na oposição que, também, não sejam democráticos internamente (o que não deixa de ser igualmente preocupante), mas o MPLA, quanto a mim, deve ser, tal como a UNITA e a FNLA, um partido exemplar e da vanguarda pelas mudanças positivas. Acho que é chegado o momento para que os militantes do MPLA tenham consciência do desafio histórico que lhes assiste: ou optem pelo caminho aparentemente mais difícil, mas que assegura mais vantagens futuras para a maioria dos cidadãos angolanos, ou optem pelo caminho mais fácil e menos digno, submetendo-se mais uma vez à vontade, que prefiro não qualificar, de quem se mostra já incapaz e sem forças para inovar e fazer melhor. Por amor de Deus, não deixem os créditos que têm em mãos alheias, pelo menos uma vez na vida. É importante para a democracia e para o país que o MPLA se regenere com o que tem de melhor dentro de si. Se o fizerem, todos iremos ganhar, para o bem do nosso belo e portentoso país (aproveitando a deixa da campanha patriótica da JMPLA).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pedro Romão, Estudante de Direito e Membro da Associação Justiça, Paz e Democracia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-111135141787951477?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/111135141787951477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=111135141787951477' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111135141787951477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111135141787951477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/03/porque-razo-o-mpla-no-muda.html' title='PORQUE RAZÃO O MPLA NÃO MUDA?'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-111125415421932177</id><published>2005-03-19T16:06:00.000Z</published><updated>2005-03-21T11:36:24.676Z</updated><title type='text'>VERGONHA OU FINURA?</title><content type='html'>O tempo passa e com ele coisas boas e más. Encontrámo-nos e nos desencontrámos com pessoas, umas boas e outras como Deus permite. Mas a vida é feita de pequenas e grandes coisas ... e o olhar dual para a realidade que nos interpela é quase forçoso. Nesse ir e vir, há coisas que vão ficando teimosamente. Assim, é o caso de uma frase que se vai tornando refrão nos nossos encontros e reencontros:«mudámos de continente, mas não mudámos de hábitos e costumes!». Se para algumas coisas e situações este refrão é motivo de orgulho e identidade, para outras é motivo de grande vergunha e pesar. Vamos falar daquelas (coisas e situações de orgulho e identidade).&lt;br /&gt;À boa maneira da terra, fazer anos é um grande acontecimento e serve de pretexto para juntar família e amigos, em casa no final de semana - à volta de um bom calulu, feijão de óleo de palma, sumate, peixe grelhado ( na falta de um bom mukako) e o nosso pirão - para cantar os parabéns, desejar felizes e longos anos de vida, dançar, comer e beber. O momento é também aproveitado para o reencontro de amigos, separados pelas dificuldades e exigências inerentes à vida de emigração; para matar saudades e meter a conversa em dia; aproximações e troca de experiência entre gerações.&lt;br /&gt;A pouco e pouco o ambiente vai aquecendo, e quando o encontro é em casa de alguém de respeito, em vez das nossas músicas e danças "modernas", ouve-se boa música da terra e conversa-se educadamente. O que é quase impossível hoje nas nossas festas e encontros, acontece com toda naturalidade: ninguém dança, simplestemente aproveita-se o momento para reflectir, trocar ideias, identificar pessoas e lugares comuns, recuar no tempo e no espaço distantes (para uns) e próximos (para outros), ouvir os mais velhos e ganhar juízo. Todos portam-se lindamente como se alguém tivesse dito «na minha casa as regras do jogo são essas!»&lt;br /&gt;Entretanto, o tempo passa e os mais novos apercebem-se que os kotas são todos do Lobito excepto um de Benguela. Encorajados pela proximidade, começam a dar sinal de alguma impaciência. Para admiração dos kotas, os miúdos vão exprimindo a sua impaciência e o seu descontentamento não em calão, mas em Umbundu. Com esforço, os kotas percebem que não estão diante de uns miúdos quaisquer.&lt;br /&gt;Nesse instante, porque a conversa já estava temperada com a cerveja, tornando-se quase impossível mantê-la só em Português, um dos miúdos pergunta aos kotas «alguém não fala ou não percebe Umbundu»? Depois de um breve silêncio, a resposta não se fez esperar «ninguém»! «Que alívio! Podemos conversar à vontade , sem correr o risco de ofender alguém por se sentir excluído» - desatou um dos miúdos.&lt;br /&gt;De tão à vontade, os miúdos esqueceram-se do Português e começaram a falar fluentemente em Umbundu. Os kotas espantados e boqueabertos, dão-se conta que a geração da guerra fala tão bem e tão à vontade a língua que eles se desabituaram com o tempo - "não sei se é por vergonha ou finura, mas que finura é essa" (cf. Dog Murras). Do meio da assembleia, uma voz fez-se ouvir« vocês são mesmo do Lobito»? Em uníssono, os miúdos responderam «sim»! A voz carregada de alegria e admiração continuou « mas onde aprenderam a falar tão bem a nossa língua? Nós não falámos e nem entendemos tudo o que vocês dizem»! Intrigados, os miúdos responderam« aprendemos no Lobito, em nossas casas e aperfeiçoamos com nosso esforço e nossa vontade. Nós vivemos o mato na periferia da cidade». «Mas nós também somos do vosso bairro»! Rematou aquela voz do kota.&lt;br /&gt;Sentido-se iluminado, um dos miúdos rematou« vocês cresceram numa época de transição do campo para a cidade, da colonização para a descolonização, em que falar Umbundu ou outra língua nacional era complicado. Vossos pais preferiram ensinar-vos Português e incentivar-vos no seu uso para não ficarem privados de muitas oportunidades, negando-vos assim um bem inalienável e tão precioso que é a vossa língua nacional. Esta ficaria por vossa conta e inteira responsabilidade, uma vez homens e mulheres que podessem lutar pelo seu ensino, defesa e preservação porque vos identifica como nação Bantu. Porém vocês cresceram e envergonharam-se do vosso passado e da vossa memória colectiva penetráveis apenas pela língua nacional. E, o resultado não podia ser outro senão esse.&lt;br /&gt;Quanto a nós, geração da guerra, tivemos outra sorte. A escola deslocou-se para a periferia ( pelo menos os primeiros anos escolares); a cidade deixou de ser tão atractiva; a companhia dos avós e dos pais passou a ser fundamental na ausência de luz eléctrica e televisão. Apredemos o Umbundu! A guerra pós-eleitoral obrigou-nos a fugir muitas vezes e, nessas fugas redescobrimos o valor e o preço da nossa identidade linguística e da nossa unidade na diversidade. Aprendemos a dar valor a um bem inalienável: a língua. Por isso, sempre que nos encontrámos ou comunicámos fazemo-lo em Umbundu, mantendo a preocupação de não excluir ninguém do nosso convívio»! Ouviu-se do fundo da sala«Wamba ondaka!»&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-111125415421932177?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/111125415421932177/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=111125415421932177' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111125415421932177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111125415421932177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/03/vergonha-ou-finura.html' title='VERGONHA OU FINURA?'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-111022012167899525</id><published>2005-03-07T18:24:00.000Z</published><updated>2005-03-07T18:28:41.683Z</updated><title type='text'>CONCLUSÕES DO II CONGRESSO PRO PACE</title><content type='html'>O II Congresso Pro Pace, subordinado ao tema “Construtores de Democracia”, foi aberto no dia 2 na Universidade Católica sob a presidência do Cardeal Dom Alexandre do Nascimento e encerrou hoje com uma Eucaristia na Cidadela Desportiva sob a presidência do Cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz. Entre os oradores, destaque para o Professor Cavaco Silva, ex-primeiro Ministro de Portugal, o Cardeal Renato Martino, o Arcebispo de Luanda, Dom Damião Franklin, o Dr Bornito de Sousa, a Dra Teresa Cohen, o Dr Jaka Jamba, o Rev. Luis Nguimbi, a Dra Vera Araújo e o jornalista Ismael Mateus. O Congresso foi organizado pelo Movimento Pro Pace, presidido pelo bispo do Uíje, Dom Francisco da Mata Mourisca.&lt;br /&gt;A seguir transcrevemos todas as CONCLUSÕES:&lt;br /&gt;“1. DEMOCRACIA E DESENVOLVIMENTO. Em ordem a uma crescente estabilidade política e económica, que estimule os investidores e o desenvolvimento, sejam cada vez mais fortalecidos os mecanismos da nossa democracia, proporcionando a todos os cidadãos as mesmas oportunidades, com pleno respeito pelas suas respectivas liberdades fundamentais. E para que a reabilitação do nosso País bem como o seu desenvolvimento não sofram constrangimentos indesejáveis, saudamos todo o apoio possível da comunidade internacional, que nos ajude nesta hora crucial.&lt;br /&gt;2. DIREITOS HUMANOS E DEMOCRACIA. Seja garantida, em toda a parte, a vigilância e a defesa dos direitos humanos, com especial atenção para o direito à saúde e à reputação, mormente dos velhos, mulheres e crianças. Para tanto, urge proscrever radicalmente a profissão daqueles que, com as suas falazes adivinhações, põem em risco a segurança e a vida dos citados velhos, mulheres e crianças.&lt;br /&gt;3. ELEIÇÕES E DEMOCRACIA. Para as eleições serem livres e justas, sejam também esclarecidas. E para serem esclarecidas, facilite-se a todos os cidadãos, mesmo das zonas mais remotas, o acesso ao conhecimento dos diversos Partidos e seus programas. Pela mesma razão, os eleitores jamais sejam condicionados, de forma alguma, nem por pressões, nem por intimidações, nem por aliciamentos indevidos. Além disso, sejam criados mecanismos adequados que não deixem margem a possíveis fraudes. E se algumas destas acontecerem, sejam submetidas a Tribunal credível que as julgue e sancione.&lt;br /&gt;4. ALTERNÂNCIA DO PODER E DEMOCRACIA. Importa sobremaneira mentalizar os Partidos para a hipotética alternância do poder, de tal maneira que o resultado das eleições, uma vez verificada a sua legitimidade, seja aceito por todos com dignidade, sem contestações infundadas.&lt;br /&gt;5. OPOSIÇÃO E DEMOCRACIA. Os Partidos concorram às eleições com verdadeiro espírito patriótico, colocando o bem nacional por cima do partidário, sabendo ganhar com modéstia e perder sem frustração. Em eleições democráticas, ninguém perde absolutamente, nem os que ficam na oposição, a qual constitui um cargo insubstituível em qualquer regime democrático.&lt;br /&gt;6. LIBERDADE DE IMPRENSA E DEMOCRACIA. O direito à liberdade de expressão tem duas vertentes: a primeira, é o direito de manifestar a sua opinião por meios públicos sobre assuntos públicos que lhe dizem respeito; a segunda, é ser informado sobre as diversas opiniões acerca dos mesmos assuntos. Daqui a exigência da liberalização dos meios de comunicação social, entre os quais os participantes insistem que a Rádio ECCLESIA seja ouvida, quanto antes, em todas as dioceses ou Províncias.&lt;br /&gt;7. CIDADANIA E DEMOCRACIA. Todos os cidadãos têm o direito e o dever de exercer a sua cidadania, participando, cada qual a seu modo, na vida pública. Um dos modos mais expressivos de exercer essa cidadania é a prática da votação eleitoral, especialmente se for autárquica. Então, na perspectiva das eleições nacionais que se aproximam, urge possibilitar as vias de acesso de tal maneira que, por falta desta condição, nenhum cidadão fique impedido de votar.&lt;br /&gt;8.UNIDADE E PLURALIDADE. Os meios de comunicação social bem como quaisquer outros meios de comunicação sejam mensageiros da unidade na pluralidade, de forma a criar na consciência de todos os cidadãos um profundo sentimento de comunhão e amor fraternos, numa Pátria multiforme mas una e coesa.&lt;br /&gt;9. DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA. Para melhor realizar todo este ambicioso projecto, fazemos votos porque se difunda, no meio de nós, a Doutrina Social da Igreja, cuja edição brevemente estará disponível em língua portuguesa.&lt;br /&gt;10. CONGRESSOS DIOCESANOS. Finalmente, pedimos a quem de direito que este Congresso se repita, em tempo oportuno, nas próprias dioceses ou províncias.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-111022012167899525?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/111022012167899525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=111022012167899525' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111022012167899525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/111022012167899525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/03/concluses-do-ii-congresso-pro-pace.html' title='CONCLUSÕES DO II CONGRESSO PRO PACE'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110969728666700259</id><published>2005-03-01T17:11:00.000Z</published><updated>2005-03-01T17:14:46.680Z</updated><title type='text'>A UNITA EMBARCOU NUMA AVENTURA</title><content type='html'>Quando os historiadores se derem ao trabalho, se é que já não o estão a fazer, de investigar a identidade e o papel de actores estrangeiros na guerra que se seguiu às eleições de 1992, o nome da companhia sul-africana Executive Outcomes, EO eventualmente aparecerá nas primeiras linhas. Esta empresa foi citada várias vezes, e por várias fontes, como tendo servido ambas partes do conflito: primeiro a UNITA, e depois o Governo. Supostamente fê-lo fornecendo precioso know-how.&lt;br /&gt;Três anos depois do fim da guerra, o assunto permanece quase "impenetrável". A EO foi desactivada, e o que resta desta está inacessível; o governo não se abre, e a UNITA, diz na voz do general Numa que ela nunca teve contactos com a EO. Entrevistado recentemente pela Voz da América o general Abílio Camalata Numa, ao tempo chefe das Operações, disse que a relação da UNITA com instituições sul-africanas, terminou pouco antes da independência da Namíbia, e em momento algum ela passou pela Executive Outcomes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voz da América- General, já ouviu certamente alegações que dão como certa um "casamento" entre a UNITA e a Executive Outcomes..na verdade o que foi que se passou?&lt;br /&gt;General Numa- Tivemos uma relação com o governo sul-africano da era do aparthied, de 1979, até a fase de transição para a independência da Namíbia. Depois disso nos emancipamos, e começamos a conduzir a nós próprios. Em 1991, em face de fragilização das estruturas do governo em quase todo o país, conseguimos conquistar uma certa supremacia no terreno, controlando áreas de diamantes, o que por sua vez nos permitiu ter dinheiro para comprar armas e sustentar a diplomacia.&lt;br /&gt;Na verdade nunca tivemos uma relação com a EO. Tivemos sim, numa fase posterior, uma certa abertura com países do leste europeu, que foi resultado do desmantelamento das estruturas destes países. Estavam um pouco desorganizados. Houve aí também um certo oportunismo por parte das elites militares daqueles países que começaram a negociar armamento. Tivemos relações com estes, mas nunca tivemos nada com a EO.&lt;br /&gt;VOA- A que país se refere exactamente?&lt;br /&gt;GN- Refiro-me à Ucrânia. Foi com armamento obtido na Ucrânia que sustentamos os primeiros confrontos em 1999; foi com este material que a UNITA conseguiu desbaratar a primeiras unidades que se encaminhavam para o Andulo e Bailundo, o que criou um certo status-quo na situação militar em todo o país. A situação mudou-se posteriormente, como resultado em parte, de problemas internos da UNITA que penso serem do conhecimento de todos.&lt;br /&gt;VOA- Comunicação e abastecimento foram coisas que seguraram as tropas da UNITA até, pelo menos 2000, quando as sanções começaram a apertar .. como é que as coisas eram feitas até aí?&lt;br /&gt;GN- O que não conseguíamos aos camponeses cá dentro, íamos buscar lá fora, sobretudo ao Zaire. Quando Mobutu sai da cena política, a UNITA virou-se para frentes como a Ucrância de onde partiam aviões de grande porte para o Andulo. Isto permitiu-nos sustentar a guerra durante muito tempo.&lt;br /&gt;VOA- Depois houve uma reviravolta .. houve sanções...Que impacto tiveram as sanções na capacidade de resposta das tropas da UNITA?&lt;br /&gt;GN- A reviravolta que se deu, foi em função da situação interna da própria UNITA, e não porque as FAA tivessem tido uma supremacia no terreno. Foi exactamente ao contrário. Dos antigos cabos de guerra que a UNITA tinha, tinham sobrado muito poucos....eu , o Bock, e depois nós tínhamos os nossos lugar-tenentes como o Tarzan, o Antero..e outros oficiais que poderia nomear .. e foi esta base que foi destroçada internamente por questões políticas. Surgiu uma nova geração de oficiais que continuou a sustentar a guerra, mas não podiam dirigi-la de forma vitoriosa, porque enfim, tinham deficiências, não tinham experiência.&lt;br /&gt;VOA- Está a sugerir que do ponto de vista logístico, a UNITA estava em condições de competir com as tropas do Governo?&lt;br /&gt;GN- Estava sim senhora ! A UNITA podia sustentar uma guerra. Mas deixa-me ser franco .. nunca acreditei numa vitória militar quer do governo quer da UNITA. Eu sempre acreditei numa vitória negocial do povo angolano para se ultrapassarem algumas debilidades que persistem até hoje .. sempre acreditei numa vitória que pudesse amenizar estas situações .. Infelizmente a UNITA embarcou numa estratégia aventureira, que permitiu o desmantelamento das suas bases de sustentação, e posteriormente não conseguiu com os oficiais que colocou na ribalta ,controlar a guerra..&lt;br /&gt;VOA- Ao que é que se refere quando fala de estratégia aventureira?&lt;br /&gt;GN- A UNITA conseguiu ter tanques, a UNITA conseguiu ter carros de assalto, a UNITA conseguiu ter uma artilharia reactiva de alto calibre ..Tudo isto criou formas de ver as coisas de ânimo leve. Se este arsenal todo estivesse a ser comandado por oficias competentes, oficiais que no passado tinham dado mostras de valor na condução de homens, na elaboração de estratégias e de políticas, a UNITA poderia chegar a uma situação de equilíbrio com o governo, e fazer uma negociação mais equilibrada.&lt;br /&gt;VOA- A queda do Bailundo e do Andulo, terá sido, no seu entender resultado das insuficiências das elites que fala?&lt;br /&gt;GN- Deixa-me dizer-lhe uma coisa: eu fui preso no dia 15 de Novembro de 1998..Logo, quando inicia a segunda fase da guerra, apenas tomei parte na elaboração dos planos, e não tomei parte na condução das tropas. Eu era o chefe das operações....o general Bock, que era o chefe do EM, participou na fracassada batalha do Kuito, depois disso foi retirado, já na altura o general Vatuva por razões que só o tempo esclarecerá já tinha sido afastado, o Tarzan estava preso, havia outros oficiais que também já não fazia parte do comando de tropas .. é assim.. a base que poderia sustentar a guerra de forma mais equilibrada tinha desaparecido.&lt;br /&gt;VOA- A sua prisão e do general Tarzan, foram feitas por ordem de Jonas Savimbi .. certo?&lt;br /&gt;GN- Exacto&lt;br /&gt;VOA- General..mas faltaram naquela altura por parte UNITA sinais de que ela estava de facto à procura de uma solução negociada..&lt;br /&gt;GN- Eu disse antes que a UNITA não poderia perseguir de uma estratégia de vitória militar...A nível internacional as diplomacias ,as correntes de pensamento e os movimentos que se sentiam não permitiam .. Logo, só tínhamos uma saída: combinar a estratégia diplomática..com estratégias políticas e militares. Fizemos isso durante a guerra, com o Adalberto que estava na Itália, o próprio Samakuva que estava em paris, o Jardo que estava em Washington .. enfim .. todos fizeram parte da cadeia do pensamento do partido sobre uma aproximação ao governo...&lt;br /&gt;VOA- Nunca percebi porque razão é que a UNITA levou muito tempo a admitir que tinha perdido o Bailundo e o Andulo.. Foi para evitar a desmoralização maior das tropas?&lt;br /&gt;GN- A UNITA não perdeu tempo .. o Governo estava à vontade para reivindicar , só que não fez quando as pessoas esperavam porque não lhe convinha.&lt;br /&gt;VOA- Lembro-me de ter falado com várias fontes da UNITA que estavam no interior, e nenhuma delas admitiu a queda destas duas localidades .. pareceu-me que estavam à espera que fosse o governo a fazer isso.&lt;br /&gt;GN- Luís.. não sei se se recorda .. depois da queda do Bailundo e do Andulo, eu fiz uma entrevista consigo depois destas duas batalhas na qual que dizia que a UNITA tinha perdido uma batalha, mas que não tinha perdido 85 por cento da sua capacidade militar .. não sei se se recorda...&lt;br /&gt;VOA- Lembro-me .. mas o que se viu das imagens que o governo passou para o mundo é que a UNITA tinha perdido muita coisa....incluindo informação militar estratégica..&lt;br /&gt;GN- O arsenal pesado a UNITA tinha perdido quase todo. Tínhamos ficado com capacidade política e de organização militar que poderíamos reconverter em unidades de guerrilha, que é uma doutrina que a UNITA conhece bem, e que poderia levar a bom termo sem grandes problemas ..Se formos a olhar para trás veremos que esta guerra teve capítulos muito importantes ..A UNITA teve grandes vantagens no norte; em Benguela as nossas tropas tinham iniciativa e gozavam de liberdade de acção...&lt;br /&gt;VOA- Suponho que estava com Jonas Savimbi quando o Presidente José Eduardo dos Santos, creio que a 18 de dezembro de 2001, descreveu os famosos três cenários reservados a Jonas Savimbi...: renúncia à guerra, deposição das armas e regresso ao protocolo de Lusaka, captura em combate e encaminhamento à justiça, morte em combate assumindo ele mesmo ( Jonas Savimbi) a responsabilidade ..qual foi a reacção de Jonas Savimbi?&lt;br /&gt;GN- O dr Savimbi tinha entendido a mensagem, também tinha entendido as posições que as grandes potências tinham tomado em relação ao conflito e a ele . Ele tinha entendido. O pensamento dele naquele altura já era de um cessar-fogo. Ele aproximou as estruturas do partido para se falar do cessar-fogo. Eram estas as instruções que o partido estava a passar para fora a ver se saíssemos de uma situação de guerra para situação negocial ..O governo tinha outra estratégia.&lt;br /&gt;VOA- A leitura que as algumas correntes fizeram na altura é que Jonas Savimbi de facto ia por aí, mas os cenários descritos pelo Presidente levaram-no a inflectir para a radicalização...caiu numa armadilha.&lt;br /&gt;GN- Olhe , depois de termos recuado do Andulo e do Bailundo, poderíamos eventualmente radicalizar as suas posições, para procurar vantagens militares, mas sempre com finalidade de no momento exacto negociar. A UNITA já não tinha a pretensão de continuar a fazer guerra só por fazer.. A guerra visava sempre buscar posições negociais vantajosas...&lt;br /&gt;VOA- Se falar com fontes autorizadas do Governo dir-lhe-ão seguramente que a UNITA naquela altura já tinha perdido a guerra há muito tempo.&lt;br /&gt;GN- Luís .. cada uma das partes tem a sua forma de ver o problema ..Se no cenário da guerra tivéssemos todos as mesmas armas, de certeza que não haveria aqui ninguém a dizer que ganhou. O que aconteceu é que tínhamos as mãos atadas ..As sanções foram muito duras ..tiveram efeito sobre as populações..&lt;br /&gt;VOA- Em que aspecto?&lt;br /&gt;GN- As populações deixaram de ter assistência primária para a sua auto-sustenção .. medicamentos, alimentos .. bens primários&lt;br /&gt;VOA- E como foi que isto afectou a UNITA?&lt;br /&gt;GN- Vejamos..com as populações que apoiavam a UNITA completamente debilitadas ..a UNITA sentiu-se afectada ..Estas populações começaram a ser capturadas ..Seguiu-se uma política de esterilização das áreas sob controlo da UNITA.. a captura maciça de milhares de populares e a sua deslocação para os centros de acolhimento também teve efeitos.&lt;br /&gt;VOA- Até que ponto é que as sanções pesaram nos custos das compras que a UNITA fazia?&lt;br /&gt;GN- Afectaram muito .. A UNITA conseguia os meios que conseguia em parte como resultado da experiência de quadros nossos que estavam na clandestinidade ..e as sanções tiverem efeito até nisso..&lt;br /&gt;VOA- O senhor estava com Jonas Savimbi..a este nível também se sentia os efeitos das sanções?&lt;br /&gt;GN- Absolutamente.. Depois de recuarmos e te de termos perdido os aeroportos, deixamos de ter condições para receber meios que nos permitissem continuar com a guerra, sobretudo no Kuando Kubango e Moxico ..Os que estavam mais a norte e no centro, encontraram formas de agilizar linhas logísticas ; funcionaram as linhas logísticas do camarada Apolo, funcionaram também ainda que de forma débil as linhas que estávamos a criar a partir da Zâmbia..&lt;br /&gt;VOA- O governo dá crédito com alguma razão, às pessoas da UNITA que foram sendo capturadas e que foram dando pistas sobre a situação da UNITA e o paradeiro de Jonas Savimbi...&lt;br /&gt;GN- Luís ..numa guerra o elemento fundamental é a informação ..se tiver informação, tem 70 por cento da guerra ganha ..Toda a informação que obtinham eram de pessoas famintas, que não tinham alternativa ..Tivemos oficiais que estavam próximos da direcção, que se renderam e que deram informações ao governo que permitiram planificar melhor as operações.&lt;br /&gt;VOA- A fome também atingia o generalato da UNITA?&lt;br /&gt;GN- Absolutamente. Nos tivemos problemas sérios no fim, sobretudo com a ofensiva ..Internamente tivemos problemas de direcção, estes problemas não permitiram mudarmos a direcção da guerra em termos organizacionais, não fizemos isso por causa da inércia política que nos afectava internamente ..e a área que escolhemos para resistir acabou por resultar numa emboscada fatal ..Tivemos casos como do Kapapelo que morreu à fome ..muita mais gente ..gente garbosa, valente, ..por um pouco íamos perdendo o camarada Alcides...&lt;br /&gt;VOA- Jonas Savimbi morreu a 22 de Fevereiro.. que agenda tinha ele para o dia seguinte ..não tivesse ele morrido quando morreu?&lt;br /&gt;GN- Eu fiquei com ele de 19 a 22 , dia em que morreu ..Nestes dias fomos conversando ..Dias antes o Senhor Kalias, debilitado, deixou de acompanhar a nossa marcha, logo passei a fazer o trabalho do senhor general Kalias, e naquela altura a estratégia era única ..sobreviver ..sobreviver para negociarmos, sobreviver para unirmos o partido ..esta era uma estratégia bem clara na mente do dr Savimbi... por outro lado, nós também nos interrogávamos...O dr Savimbi encontrava-se numa situação difícil, em função das posições que os interlocutores da arena política quer internos quer externos tinham para ele ..para estas pessoas o Dr Savimbi era personna non-grata. E ele sabia disso ..mas para a direcção do partido, a estratégia era sobreviver para negociarmos e unirmos o partido ..sabíamos que existia a questão da Renovada, que era um problema sério para nós.&lt;br /&gt;VOA- Mas em termos concretos para onde iriam? Era um lugar inóspito ..estavam cercados ..que mais podiam fazer ali onde estavam?&lt;br /&gt;GN- Continuávamos a manobrar ..Era o grupo da presidência ..o Dr Savimbi, o camarada Dembo e outros oficiais .O camarada Gato tinha sido chamado para ir ao nosso encontro ..Continuávamos a manobrar na área exactamente para reunirmos mais alguns quadros. Isto tudo ocorre depois da 16ª conferência ..O Dr Savimbi pensou que o camarada Gato deveria vir com mais outros quadros para uma outra reunião que tivesse efeitos decisórios sobre a estratégia que ele foi evocando a partir da 16ª conferencia ..então fomos manobrando..&lt;br /&gt;VOA- Houve sugestões de que o dr Savimbi estava a aguardar mantimentos que deveriam chegar pelas mãos de um general que acabou por morrer&lt;br /&gt;GN- O generais que estavam ali a organizar a logística eram o camarada BlackPower , e o general Vinama.. e ele estão vivos...&lt;br /&gt;VOA- General ..a UNITA passou pelo que passou, o dr Savimbi teve uma comissão de gestão, hoje tem um novo presidente ..que lhe parece a trajectória que a UNITA fez...&lt;br /&gt;GN- A UNITA tem espaço em Angola, mas também tem de olhar para si, e entender que perdeu importantes pilares da sua estrutura ..não será em pouco tempo que conseguiremos construir isso. Esperamos que o camarada presidente Samakuva entenda isso ..ele tem de se virar para ai, para reconstruir estes pilares perdidos da UNITA, reconstruir a unidade do partido, para nos próximos anos pensarmos em vitórias, porque a UNITA está fadada a ganhar..&lt;br /&gt;VOA- As próximas eleições?&lt;br /&gt;GN- Não lhe vou responder, até porque não estou no activo ..não conheço bem quais são as forças que o partido está a mobilizar as forças que o partido está a agitar, a força dos quadros que estão no terreno, mas tenho a certeza de que a UNITA não irá decepcionar?&lt;br /&gt;VOA- Este seu afastamento, é visto por algumas correntes dentro e fora da UNITA como sendo resultado em parte das fricções que houve por altura da eleição do novo presidente ..Estes problemas estão ultrapassados?&lt;br /&gt;GN- Este meu auto-afastamento deve-se exclusivamente a uma razão que já expliquei ao presidente do partido: sou dos quadros que mais tempo ficou no interior; fui para o em 1974 quando me juntei à e ai continuei até ao fim da guerra. É altura de olhar para a minha formação ..quero formar-me, e voltar com mais força para contribuir quer para o partido quer para o país ..pois acho que a mentalidade tem que mudar ..temos que vestir primeiro a camisola do país, e depois a camisola do partido ..o que se passa hoje é o contrário ..As pessoas vestem primeiro a camisola do MPLA , da UNITA, da FNLA.. As pessoas partem dos partidos para Angola ..não deveria ser assim.. deveriam partir de Angola para os seus partidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Costa, Voz d'América&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110969728666700259?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110969728666700259/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110969728666700259' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110969728666700259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110969728666700259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/03/unita-embarcou-numa-aventura.html' title='A UNITA EMBARCOU NUMA AVENTURA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110942447068214398</id><published>2005-02-26T13:24:00.000Z</published><updated>2005-03-19T16:03:32.516Z</updated><title type='text'>SOCIALISMO ESQUEMÁTICO</title><content type='html'>É qunita-feira a noite. São 18h30 e estou no aeroporto da Portela na companhia de um amigo. Há voo da TAAG para Luanda, portante são horas do check-in. Até aqui tudo parece normal e bem encaminhado, não fosse a azáfama do costume.&lt;br /&gt;Como acontece com quase todos os estudantes de poucos recursos, quando terminam os cursos deixam ficar com colegas uma parte significativa dos livros e outros haveres na esperança que os consigam despachar paulatinamente. Assim aconteceu com nosso colega que deixou o seu computador e nossa missão era tentar despachá-lo por uma pessoa amiga. Meu amigo vinha de um exame de direito das obrigações ou da concorrência e como tal estava bem engravatado e trazia na mão a sua pasta, enquanto eu no estilo simples com muchila as costas trazia na mão o manuel de direito da concorrência do meu colega.&lt;br /&gt;Nisto, como poucas vezes acontece, um passante atento deu pelo livro na minha mão e, aproximando-se cumprimentou e fez a pergunta obvia: "o senhor é jurista?" Ao que respondi, prontamente," não!"Mas indiquei-lhe o meu amigo. Saudaram-se e o senhor lá foi chamando meu amigo de colega e, disse-lhe " encotrar-nos-emos nos corredores do tribunal". Antes de nos deixar, perguntou se conheciamos o senhor fulano que é deputado e fora seu colega, recitando o número de aluno, sem dizer a universidade ao que respondemos que não. Até aqui tudo é normal.&lt;br /&gt;Mas a hora foi passando a enchente e a azáfama foram tomando conta de tudo. Os senhores engravatados com ar de importantes foram desfilando o seu ar senhoril. Nesse entretanto, começa o filme que nos lembra os velhos e recentes tempos do socialismo esquemático: vão passando as hospedeiras - porque chamar-lhes aeromoças é, no mínimo, uma grande ofensa a elas ou as moças -, com aquele ar característico acompanhadas dos seus purões/baus, porque aquilo de malas de viagem não tinham nada.&lt;br /&gt;Intrigado com aquilo que meus olhos observavam, perguntei ao meu amigo: "estas senhoras estiveram cá por quanto tempo?" ( pergunta normal, porque pela quantidade de bagagem deviam ter permanecido cá muito tempo). Meu amigo, com bastante seriedade, respondeu: "meu mano, apenas algumas horas para descansar". Fiquei atónito. Meu amigo percebendo o meu estado, começu a explicar-me o que sabia: "meu irmão, esses purões contém negócios. Elas são negociantes. A vida é assim mesmo. É preciso unir o útil ao agradável e não perder o hábito de fazer esquema ou yula! É dessa maneira que elas vão fazendo furtuna".&lt;br /&gt;Inconformado disparei:" francamente! é uma tremenda injustiça e pouca vergonha! Como pode a TAAG permitir aos passageiros, quer sejam estudantes ou turistas levar apenas 30kg e cobrar por excesso de bagagem 12,60£/kg? Porque permite as hospedeiras, que ficam menos de 24 horas levar purões/baus de cargas, quando há estudantes carenciados, que estivaram cá anos a fio a tirar um canudinho com muito sacrifício e, na hora do regresso querem levar os seus haveres (livros e computadores), mas não podem porque não têm dinheiro para pagar o excesso de bagagem, ficando dependentes dos amigos e da sorte que eles vão tendo de ir despachando as coisas? Continuamos no tempo da outra senhora, onde havia tratamento especial e diferenciado entre a numenclatura e o povo simples - como as lojas francas, dos dirigentes, dos cooperantes e as lojas do povo?"&lt;br /&gt;Já perto do fim e para intornar o caldo, estava o "jurista" - colega do meu amigo -, a juntar à sua volta pessoas que desejavam despachar as suas bagagens e mercadorias a preços oficiosos. Meu amigo e eu olhamo-nos, mas não comentámos. À saída do aeroporto, qual vencedor duma grande partida, estava o "jurista" a tomar as suas cervejas e a conferir o dinheiro com seu companheiro, num bar. Nesse instante ocorreram-me algumas perguntas: "Com que então grande "jurista"! Os corredores do tribunal funcionam aqui mesmo dentro do aeroporto? As aulas de direito comercial ensinaram-lhe o esquema da yula/corrupção? Ou foi a escola da vida?"&lt;br /&gt;Lembrei-me das aulas de História dÁfrica, onde aprendi que o último artigo da constituição Zairense de Mobutu era "Desenrascai-vos". Lá pelo menos havia coerência. Que tal se adoptássemos o mesmo modelo para ficarmos todos em pé de igualdade e lutarmos com as mesmas armas? Lembrei-me também que uma vez o presidente da república terá admitido que ninguém vivia do seu salário, permitindo a leitura de que quase todos viviam de esquemas. Qual socialismo esquemático, na feliz expressão de Pepetela!&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110942447068214398?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110942447068214398/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110942447068214398' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110942447068214398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110942447068214398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/02/socialismo-esquemtico.html' title='SOCIALISMO ESQUEMÁTICO'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110942362451457587</id><published>2005-02-26T13:12:00.000Z</published><updated>2005-02-26T13:13:44.520Z</updated><title type='text'>PERDIDA JUVENTUDE ANGOLANA</title><content type='html'>Fiz, recentemente, uma longa viagem de carro que tornou-se ainda mais desconfortável porque testemunhei, por mais de uma vez, a venalidade de franja considerável da juventude angolana. Infelizmente, em Angola há, sobretudo na parte feminina, uma juventude completamente perdida. Nesta longa viagem dei boleia a uma menina de 16 anos, recentemente vinda de Angola. Como de hábito, gosto de escutar o noticiário na rádio. Há mesmo vezes que escuto CD's de programas de rádio que vou gravando. A minha companheira circunstancial trazia, também para a viagem, uma caixa de CD’s. Sem me perguntar se eu me importaria com o tipo de música da sua preferência, ela colocou de imediato um disco com música «Kuduru». Quando os americanos procuravam o antigo ditador do Panamá, Manuel Noriega, que se refugiara na mata, o que eles faziam para forçá-lo a sair dos esconderijos era tocar música Rock muito alta. Isso aborrecia-o profundamente. O «Kuduru» da menina a quem dei boleia provocou-me os mesmos efeitos. No dia em que os americanos descobrirem o «Kuduru», não tenho dúvida nenhuma que o adoptarão também como instrumento de tortura psicológica. Para mim, o «Kuduru» é simultaneamente monótono e mau. Depois de alguma hesitação, manifestei à jovem o desconforto que a música dela me provocava. A situação piorou. A alternativa que ela colocou no aparelho quase me enlouqueceu completamente. Era um outro «Kuduru» de uma tal «Gata Agressiva», que dizia, entre outras asneiras, coisas como «Savimbi feio já lhe mataram» ou ainda a «Gata Agressiva vai na roda e faz broche». Só Deus sabe como não enlouqueci ali mesmo, naquele momento! E, como se não bastasse, a minha companheira, de 16 anos, nascida, por amor de Deus, em 1988, virou-se para mim, que farei, dentro de um mês, 39 anos, e disse: «o tio Jamba sabe o que é fazer broche?». Esta menina poderia, muito bem, ser minha filha! «Não sei do que é que se trata aqui», respondi, irritadíssimo. E acrescentei: «Olha, conversas deste tipo não devem ser travadas entre gente da minha idade e crianças como tu». O que não fui dizer... A menina, de 16 anos, exaltou-se e disparou: «o tio é mesmo atrasado. É por isso que a Unita perdeu em 1992 e vai perder mais uma vez. Todos esses anos na Europa e ainda continuas a pensar como se nunca tivesses saído das matas...». Nesse momento, tive, como se diz, que bater na mesa e dizer à jovem que eu é que estava a fazer o favor de lhe dar boleia e que daí para diante ela que se calasse e se limitasse a ouvir os meus programas, se quisesse continuar a viagem. A outra opção era ficar pelo caminho. No resto do percurso, a pobre menina teve que ouvir (e não deve ter compreendido nada) análises sobre a disputa eleitoral na Ucrânia, o relato da Zoe Esenstein (uma jornalista britânica que trabalha em Angola como correspondente) sobre o combate ao Sida no nosso país, uma análise sobre a possível venda da Ibm a uma empresa chinesa, um debate sobre a identidade africana na África Ocidental, etc. No restante pedaço da viagem, não se ouviu mais nada sobre «Gatas Agressivas» ou «Médicas Malucas» ou ainda de bocas que eram esquadras. Tenho observado, há já algum tempo, que muitas jovens angolanas não se respeitam. Atentemos só, por exemplo, no fenómeno da «tarrachinha». Em Londres, as discotecas de angolanos sempre acabavam por fechar porque não havia nenhuma sessão de dança de angolanos que não acabasse em pugilato aberto ou – se houvesse cabo-verdianos – na troca de facadas. E qual era a razão que está(va) por detrás de tudo isso? A «tarrachinha». Notei, em várias ocasiões, que quem instiga mais para se dançar a «tarrachinha» é, usualmente, a menininha que vai remexendo de forma tão provocadora e obscena que forçam qualquer pessoa com o mínimo grau de amor-próprio a olhar para um outro lado. Já estive numa festa – com africanos oriundos de várias partes do continente – onde um casal de angolanos estava a «tarrachar-se» tão obscenamente que alguém se viu na necessidade de oferecer-lhes um alguidar cheio de preservativos. A menina angolana, completamente estúpida e sem capacidade de entender que estavam a ser insultados, abriu um preservativo e soprou-o, como se fosse um balão. Não surpreende que, em muitas festas angolanas na diáspora, haja mesmo avisos para não se trazer crianças para preservar a sua inocência. Até recentemente, mantive um quarto num apartamento em Barking, uma área a leste de Londres que tem muitos angolanos. Não gosto de ir a festas de angolanos – por causa da desordem de sempre – mas tinha um amigo, amante da poesia de TS Eliot, que fazia anos e a quem eu respeitava bastante. Na festa havia moças jovens do Uganda, Nigéria, Ghana, Quénia etc. Lembro-me que elas passaram a noite a discutir o mérito de várias universidades inglesas. As angolanas, porém, só passavam a ser o centre of atraction (centro das atenções) quando estavam a praticar o que melhor sabem – a tarrachinha. Com os seus umbigos de fora, biquinis a mostra, com as suas calças justíssimas e a darem «tampas» aos palermas que iam pedir para dançar com elas, essas menininhas, em cujas cabecinhas nada ressoava senão o prazer perverso de causarem erecções a tudo que ainda copula, pensavam que não existia, no mundo, coisa melhor do que elas.Quem é o responsável por toda esta miséria? Os pais angolanos, sem dúvida! As angolanas perdidas são uma manifestação de lares sem figuras masculinas. As nossas filhas não devem só ser educadas pelas suas mães. Nós, os pais, temos mesmo que participar activamente no crescimento psíquico delas. Toda esta precocidade sexual que vemos nas meninas angolanas decorre do facto de que os mais velhos, os homens, criaram um clima em que elas, as nossas filhas, só podem ser valorizadas em termos sexuais. Não é invulgar, em círculos angolanos, ver um mais velho de sessenta anos, com os olhos fechados e língua de fora, a «tarrachar» uma menininha de treze anos num cantinho de uma farra às três horas da madrugada. Isto não é viver; isto é perversidade. As meninas, por seu turno, estão a clamar ,permanentemente, por uma certa ordem e estrutura. Chegou a altura do pai angolano mostrar o que é, verdadeiramente, ser homem, através do carinho, conselhos e ensinamentos que poderemos dar às nossas filhas. Se não fizermos isto, a «Gata Agressiva» não vai perder tempo em substituir-nos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo de Opinião, assinado por Sousa Jamba (Publicado no Semanário Angolense)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110942362451457587?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110942362451457587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110942362451457587' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110942362451457587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110942362451457587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/02/perdida-juventude-angolana.html' title='PERDIDA JUVENTUDE ANGOLANA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110899577549763817</id><published>2005-02-21T14:19:00.000Z</published><updated>2005-02-21T14:22:55.500Z</updated><title type='text'>SOCIEDADE CIVIL ANGOLANA DEBATE ENTRADA EM VIGOR DA NOVA LEI DE TERRAS</title><content type='html'>Realizou-se em Luanda, no dia 15 deste mês, um debate sobre a Entrada em Vigor da Nova Lei de Terras n.º9/04, de 09/11/04. Participaram mais de 75 representantes da sociedade civil, representantes de ONG’s Internacionais, estudantes, políticos, deputados e intelectuais, das províncias de Luanda, Benguela, Huila e Huambo. Organizado pela Rede Terra, o certame visava, sobretudo, reflectir os avanços e retrocessos da Nova Lei, dos pontos de vista jurídico, económico e urbanístico. Contou com a moderação dos organizadores, enquanto os oradores foram o jurista João Pinto e o economista Vítor Hugo, ambos professores universitários. No final do encontro, os cerca de 75 participantes identificaram alguns pontos relevantes a ter em conta no futuro regulamento da Lei de Terras, que deverá estar pronto em 90 dias. À Rede Terra cabe o papel de encaminhar tais contribuições junto da Assembleia Nacional, órgão responsável pela elaboração do regulamento da Lei de Terras. (contactar &lt;a href="http://br.f408.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=consorcioterras@yahoo.com.br" target="_blank"&gt;consorcioterras@yahoo.com.br&lt;/a&gt;, ou &lt;a href="http://br.f408.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=projectobservatorio@snet.co.ao" target="_blank"&gt;projectobservatorio@snet.co.ao&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Esta é a lei mais participativa, porque contou com o contributo da sociedade civil e dos partidos da oposição”, declarou o jurista João Pinto na sua dissertação sobre “Aspectos Jurídicos Relevantes na Nova Lei de Terras do ponto de vista das comunidades rurais, ambiente e recursos naturais”. Considerou-a ainda uma lei humana pelo facto de reconhecer a personalidade jurídica das comunidades rurais, o que as permite recorrer a um advogado quando seus direitos são lesados.&lt;br /&gt;Por seu turno, o economista Victor Hugo, que falava sobre os “Aspectos Económicos Relevantes da nova Lei de Terras do ponto de vista de negócios jurídicos, hipoteca, investimento privado nacional e estrangeiro bem como da expropriação”, considerou haver “uma certa atitude de discriminação”, no tocante ao crédito bancário, favorecendo mais o cidadão português do que o angolano. Instado sobre as reclamações dos agricultores quanto à falta de apoio no escoamento dos seus produtos, defendeu que “o liberalismo não garante estabilidade social ao contrário do que se pensa”. Em sua visão, liberalismo não é abandonar totalmente o privado, mas permitir que este opere lá onde o Estado é incapaz de intervir.&lt;br /&gt;Representou um grande constrangimento o Vazio registado no periodo da tarde. O terceiro tema não foi abordado - “Os aspectos Urbanísticos da Nova Lei de Terras do ponto de vista de concessão, transmissão e extinção dos direitos fundiários” - devido à ausência injustificada (de última hora) do técnico incumbido pelo Ministro do Urbanismo e Ambiente, organismo que tutela o processo. Tal facto suscitou dos presentes uma certa inquietação. Por outro lado, esteve muito abaixo das expectativas a cobertura da média, tanto privada como estatal. (só a Rádio Nacional de Angola fez referência num programa matinal).&lt;br /&gt;O debate enquadrou-se no quadro do projecto “Observatório da Terra”, marcando a fase final do processo de recolha de opiniões e contribuições dos cidadãos ao ante-projecto de Lei de Terras desenvolvido um pouco por todo o país, desde 2003, com vista a ultrapassar as limitações da Lei 21-C/92. Sedeada em Luanda, a Rede Terra é um consórcio de Organizações não Governamentais ligadas à questões da terra, desenvolvendo debates, recolha de opiniões e contribuições de cidadãos e organizações, para além da distribuição de leis e publicações, tendentes a reflectir e contribuir para o desenvolvimento de políticas de combate à pobreza e desenvolvimento sustentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gociante Patissa (Activista de Educação cívica e Direitos Humanos)Luanda, 16 de 18 de Fevereiro de 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110899577549763817?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110899577549763817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110899577549763817' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110899577549763817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110899577549763817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/02/sociedade-civil-angolana-debate.html' title='SOCIEDADE CIVIL ANGOLANA DEBATE ENTRADA EM VIGOR DA NOVA LEI DE TERRAS'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110872501131139085</id><published>2005-02-18T11:07:00.000Z</published><updated>2005-02-18T11:10:11.603Z</updated><title type='text'>A REPRESENTAÇÃO POLÍTICA E O NOSSO SISTEMA ELEITORAL</title><content type='html'>O horizonte das próximas eleições deve levar-nos a reflectir sobre a experiência do que tem sido o nosso percurso na construção da «democracia», mormente no que se refere ao exercício do mandato dos deputados que foram eleitos em 1992. Apesar da guerra e de todos os constrangimentos que podem ser aduzidos a favor da ideia generalizada do fraco desempenho dos deputados, um facto positivo é de saudar: a manutenção e afirmação da Assembleia Nacional, como pilar da coesão nacional e de ter simbolizado a certeza de que a democracia é possível entre nós. Ou seja, a avaliação da prestação dos nossos deputados não é nada positiva. Contudo, não é por essa razão que devemos deixar de constatar o que de positivo representa a experiência que foram os doze (12) anos de mandato. Desde logo, um facto positivo é que hoje sabemos quais foram as coisas boas e más produzidas pela referida Assembleia; hoje é possível sabermos o que é que, efectivamente, foi feito; hoje, também, é possível sabermos que relação de diálogo é que os deputados mantiveram com os cidadãos; e é ainda possível sabermos a capacidade de representação que cada um dos deputados, ou grupos parlamentares, exercem no interesse dos eleitores. Do mesmo modo, fruto dos doze (12) anos passados, por um lado, são do domínio público as precárias condições de trabalho com que se confrontam os grupos parlamentares, por outro lado, também, é do conhecimento da sociedade os critérios pouco eficazes (mas que se compreendem pelo tempo em que ocorreram) de escolha e selecção dos cidadãos integrantes das listas de candidatos a deputados nos partidos políticos. É óbvio que alguns destes problemas se referem aos encargos da democracia a que o Estado não se pode (ou melhor não podia) furtar, e que são, quanto a nós, mais fáceis de se resolver, havendo vontade política, porém, outras questões, designadamente as referentes à qualidade, à prestação e ao diálogo dos deputados com os eleitores, suscitam as fragilidades do nosso sistema político, na sua vertente do sistema eleitoral. Em boa verdade, quem acompanha a acção dos nossos deputados, ou acompanhou durante o mandato ainda em curso, certamente há-de constatar que os mesmos têm uma prestação muito aquém do desejável e porque não desejado, quer em termos de trabalho individual, quer em termos de trabalho nas Comissões que integram, e, inclusivamente, ao nível dos grupos parlamentares. Para confirmar essa constatação basta verificar o reduzido número de iniciativas legislativa ou de outra natureza, como sejam: interpelações ao Governo, inquéritos parlamentares, visitas de trabalho, etc. Outra área tão reveladora da deficiente prestação dos representantes do povo, tem que ver com a quase inexistente aproximação dos eleitos aos eleitores. Embora não possa sustentar a reflexão que faço em dados estatísticos, presumo que seja aterrador o balanço neste aspecto; não estaremos, por isso, longe da verdade se afirmarmos que existem muitos deputados que são desconhecidos dos cidadãos; que não se lhes conhece qualquer iniciativa parlamentar, nem sequer a favor ou no interesse do círculo pelo qual foram eleitos (no caso provincial). Esta constatação encerra, por conseguinte, duas questões fulcrais, uma delas que tem a ver com responsabilização política e outra, que está interligada com a primeira, relacionada com a legitimidade da representação democrática. É muito provável que muitos deputados representam províncias às quais não se sentem especial e afectivamente ligados; muitos apenas integraram o respectivo círculo em virtude da ligação umbilical que têm com a província. De certo modo, há razões que podem justificar essas ocorrências; na medida em que não tivemos ainda um período de exercício democrático em normalidade, que pudesse pôr em evidência os valores e as qualidades políticas de muitos cidadãos que mereceriam, certamente, uma oportunidade na casa das leis para representar o seu povo. Mas também é certo que muitos tiveram oportunidade para mostrar o que valem e podem e não o fizeram. Outra razão, míope e que representa um estádio de entorpecimento muito maior do que é efectivamente a política, que não pode ser descurada, é a ideia, de certo modo alastrada pela consciência de muito boa gente, de que os partidos políticos representam corporações de amigos «fixes» que lutam por conseguir o poder para se servirem ou repartirem o bolo, ao invés de servirem o interesse público. Todavia, o problema do distanciamento dos eleitos aos eleitores não pode ser apenas atribuída à fraca capacidade política dos eleitos ou à falta de condições que houve, sobretudo no período de guerra; deve reconhecer-se, em rigor, que o nosso sistema eleitoral, proporcional, de listas nacionais - considerando embora a deriva dos círculos provinciais na nossa organização do sistema eleitoral - tem uma influência preponderante no comportamento dos deputados, que acabam por não se sentirem especialmente responsabilizados em relação aos cidadãos. É evidente que o sistema eleitoral proporcional tem a vantagem de permitir uma maior representatividade das tendências políticas existentes no país, uma vez que permite que os partidos pequenos tenham representação parlamentar, além de que favorece a coesão nacional. Tem, no entanto, a desvantagem de permitir a não aproximação e responsabilização dos eleitos perante os eleitores, na medida em que a integração dos deputados, em lugar elegíveis, nas listas, depende exclusiva e «excessivamente» da sua fidelidade partidária, independentemente das qualidades, e provas dadas, que tiver para representar o partido ao nível do círculo provincial, por exemplo. Ou seja, a mim me parece, que a legitimação dos nossos deputados advém mais da força histórica, ou política, ou social (enfim) que o partido enquanto organização colectiva tiver, do que propriamente em razão do prestígio e das garantias que o grupo de candidatos, individualmente considerados, representa. É por essa razão, tendo em conta a experiência que o país acumulou, ainda que pouca e em circunstâncias particularmente difíceis, e tendo em vista o aprofundamento do processo democrático, que vale a pena reflectirmos sobre a hipótese de no futuro, no quadro da reforma constitucional, discutir-se o emagrecimento dos círculos provinciais, de modo a termos os deputados mais próximos dos cidadãos, mais conhecidos dos cidadãos, mais preocupados a mostrar trabalho e portarem-se dignamente, porque só deste modo poderão garantir a reeleição nos pleitos seguintes e assim assegurarem os mandatos por que os respectivos partidos lutam. E só assim os partidos políticos preocupar-se-ão em indicar para a eleição nos círculos locais (que seriam provinciais) os que estiverem melhor colocados, os que tiverem melhor reputação e os que ofereçam garantias de um bom desempenho. De contrário, os aparelhos partidários continuaram a privilegiar a militância cega, o que implicará, tendencial e eventualmente, ao afastamento dos mais capazes politicamente; e assim continuaremos a assistir, aos montes, deputados incapazes de representarem os círculos em que são eleitos, porque o critério de selecção não foi mérito, nem a capacidade política, mas sim as «boas graças» ao chefe. Atente-se que não falo dos mais capazes academicamente, nem sequer o que defendo seja a «meritocratização» da política, não. Falo da capacidade e do mérito político. Não defendo, nem jamais defenderei que a política seja exclusivo dos são adestrados pela academia, não. Aquilo que penso é que os partidos devem ir buscar aqueles que localmente, quer sejam simples professores, quer sejam funcionários públicos, quer sejam operários, quer sejam engenheiros, quer sejam advogados, quer sejam economistas, quer sejam camponeses, demonstrem ter capacidade de liderança, de defesa dos interesses do sector que representam e de articulação com a sociedade. Provavelmente, há quem espere que ao falar do nosso sistema eleitoral, o sistema proporcional, faça referência ao modelo mais díspar do nosso, o sistema maioritário com círculos uninominais. E com razão! Não há dúvida de que o sistema maioritário com uninominal tem uma grande vantagem: um círculo, um eleito. De tal modo que vai ao extremo o cuidado de selecção que os partidos devem ter ao escolher quem será o candidato, sob pena de não ter representação naquele círculo. Mas tem uma desadequada desvantagem que seria mais preocupante para nossa emergente democracia tem a ver com o facto deste sistema, em regra, excluir os partidos mais pequenos do parlamento, o que levaria a um bipartidarismo puro, o que não é de saudar, nem sequer defendo. Outra questão, quanto mim, igualmente preocupante prende-se com os custos da democracia. Temos que convir que a democracia e a consolidação de um Estado de Direito tem um preço, que não é nada barato. Mas que vale a pena, porque a médio e longo prazos se traduz num investimento. Uma sociedade estável, em que os órgãos de soberania funcionam regularmente e em que a certeza e segurança jurídicas são uma realidade, é uma sociedade saudável, que estimula a economia e o desenvolvimento, que é o que nós precisamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Romão, Estudante de Direito da Universidade Católica Portuguesa e Membro da Associação Justiça, Paz e Democracia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110872501131139085?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110872501131139085/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110872501131139085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110872501131139085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110872501131139085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/02/representao-poltica-e-o-nosso-sistema.html' title='A REPRESENTAÇÃO POLÍTICA E O NOSSO SISTEMA ELEITORAL'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110812839423727815</id><published>2005-02-11T13:21:00.000Z</published><updated>2005-02-11T13:26:34.243Z</updated><title type='text'>2005 O ANO DE MEUS RECEIOS</title><content type='html'>1.ª Parte&lt;br /&gt;Em programas radiofónicos, noticiários e magazines televisivos era quase diária a contagem decrescente do ano, indicando o pouco tempo que ainda restava de 2004. Nas ruas a agitação se fazia, nas lojas se via a concorrência: cada uma expunha os brinquedos mais raros, os presépios mais sonantes, etc. Mesmo no mercado paralelo, os produtos que compõem a cesta básica passaram a ser mais procurados. Enquanto os preços subiam, o cansaço aumentava. É sempre assim, sempre que se aproxima a quadra festiva é a mesma azáfama de todos os anos. &lt;br /&gt;Mas desta vez era diferente. Afinal, 2004 não foi só mais um ano, foi também o segundo ano sem guerra. Acontecimentos houve, de vária ordem, que não se devem ignorar, quer queiramos quer não. Enquanto o mundo olhava admirado, nós os angolanos, nos alegramos com as vitórias contundentes do povo adquiridas nas pistas internacionais de atletismo paralímpico, através do recordista José Armando Sayovo, portador de deficiência visual. Confirmava-se uma vez mais que “as mãos que mendigam podem também trabalhar” e, no nosso caso, vencer! A nível de Benguela registou-se, embora despercebido, um estágio intensivo de locutores noticiaristas em mais uma tentativa de abertura da Rádio Ecclesia. Mas não é tudo. As obras da ponte sobre o rio Cavaco parecem agradar os cidadãos, que no entanto pressionam os políticos para a sua conclusão brevemente. O Governo de Benguela pôs à disposição o site &lt;a href="http://www.angoladigital.net/"&gt;www.angoladigital.net&lt;/a&gt;. Músicos, intelectuais, artistas e outros juntaram-se naquilo que é ao momento a Campanha de solidariedade social mais mediatizada: o Clube de Amigos das Casas Lares do Cuito.&lt;br /&gt;A marcação da data das eleições para 2006, pelo presidente da república, depois de sucessivos adiamentos, veio dar sentido à postura de campanha que os partidos políticos vêm assumindo, tanto a situação como a oposição. Saltaram à vista os congressos de dois gigantes da oposição: a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) bem como a Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA) ultrapassaram os conflitos internos, abrindo-se à mediação externa, e assumiram a reunificação. Pequenos partidos seguem o exemplo, alguns mais eficientes do que outros.&lt;br /&gt;E como a vida não é um mar de rosas, o país encheu-se de vergonha e repulsa face ao assassinato de Mfulupinga Landu Victor, o então presidente do PDP-ANA, ocorrido em Março à porta da sede do partido, quando à noitinha subia na sua viatura. De si já chocante o assassinato de um líder político, indignou mais a atitude da Polícia Nacional que não apenas se precipitou a avançar dados para afastar a hipótese de um abate político, como até aqui não esclareceu o caso. A ONG britânica Global Witness voltou à ribalta com denúncias sobre o “Angolagate”, caso de corrupção que envolve o Governo angolano e o milionário Francês suposto traficante de armas, Pierre Falcone (Pedro Falcão, como uns lhe chamaram). Habituados aos desmentidos pontuais do Governo através da imprensa, sem que se processem os “difamadores”, muitos angolanos cedo ignoraram informações sobre elevados milhões de dólares em contas secretas de José Eduardo dos Santos, no estrangeiro. Já, as casas de jogos de sorte, vulgo “kixikila”, espalhadas pelo país prometendo premiar 5 mil dólares a quem investisse USD 100, empobreceram ainda mais o pacato cidadão que não viu nem o prémio nem os valores investidos de volta. Mais de três parturientes optaram pelo suicídio, atirando-se do 5.º andar do edifício duma das maternidades de Luanda, devido aos maus-tratos naquela unidade hospitalar, apontada como a mais alta de África. Já a fechar, marcaram as notícias veiculadas pela imprensa privada, denunciando a compra pelo Tribunal Supremo de duas viaturas blindadas, por aproximadamente milhão e meio de dólares americanos.&lt;br /&gt;Vários aspectos positivos e negativos, obviamente, marcaram o ano, uns mais salientes que outros. Vale aqui enaltecer a atitude do povo que desta vez decidiu não esperar pela burocracia governamental para atribuir o estatuto de herói a José Sayovo, ele que trouxe ao país várias medalhas, títulos e muito orgulho. Em Benguela (ainda não ouvi de outro sítio), os mototaxistas, vulgo Kupapatas, foram baptizados de Sayovo. Quando começou, apenas as motorizadas de marca Delop eram “Sayovos”, uma comparação à força e velocidade do nosso recordista. “Sayovo” não é quem vai ao volante, mas quem é levado”, defendiam-se os mototaxistas pondo-se na condição de guia. Decerto vai levar tempo a metamorfose de kupapatas para “Sayovo”, mas é um dado adquirido. As Yamaha 50 da antiga Lusolanda são “Agostinho Neto”, enquanto as modernas são “Sayovo”.&lt;br /&gt;2.ª Parte&lt;br /&gt;A agitação social de que me referi no primeiro parágrafo sentiu-se também nas estradas. Inúmeros acidentes envolvendo táxis, motorizadas, e autocarros aconteceram nas vias Lobito-Benguela e Lobito-Luanda, resultando em vários feridos e danos materiais consideráveis. Triste, muito triste, a morte massiva de homens e mulheres, agora nessa fase de reconstrução nacional em que cada um deve juntar seu tijolo na obra da pátria. Muitos se recusam a compreender ou pelo menos aceitar a fatalidade, encarando-a como um castigo bíblico não merecido. Os cristãos encaram a morte como um caminho para junto de Deus, já que somos passageiros e não sobrará pedra sobre pedra na face da terra. Os supersticiosos julgam bastante perigoso viajar a partir de Agosto. Outros ainda defendem que as mortes massivas são naturais e continuarão a acontecer, uma vez que a guerra terminou e, tal como a flor morre para dar lugar ao fruto, a mortalidade fertiliza a natalidade. Eu cá já não sei por onde seguir, só sei que a vida segue sem parar.&lt;br /&gt;Eu vi 2005 nascer no céu e nos olhares dos kotas e jovens. Enquanto filmava a festa de Reveillon do meu bairro, testemunhei emoções fortes de pessoas agastadas com as agruras de 2004. Tal como uma criança  queixa-se à mãe chegada do serviço por tudo que lhe aconteceu durante o dia, o novo ano trazia o alento. Milhões de desejos foram feitos, muito saldo gasto nas mensagens e telefonemas de “Feliz Natal e Próspero Ano Novo”. À meia-noite, na hora dos Kandandus, uns saltavam por terem chegado lá, outros saltavam porque fervilhava no organismo o álcool. Tanta tem sido a cerveja nas festas que cedo desmancha a estética feminina: elas chegam elegantes, roupinhas justas… até “entornarem” muita cerveja e a barriga já não respeitar o tamanho da blusa, parecendo-se mais com a cabeça da cobra quando engole um sapo. Também tenho meus defeitos, mas acho que as damas devem contribuir para que sejam honradas. &lt;br /&gt;Na hora do balanço, ainda na primeira quinzena de Fevereiro de 2005, reforçam-se os receios. Demasiado calor, muitos amigos meus doentes, quase todo o mundo a se queixar de cansaço, enfim. Os “Sayovos” tornaram-se mortais nos acidentes, só no Lobito e Catumbela morreram mais de três pessoas e outras ficaram feridas em menos de cinco acidentes. Por outro lado, nem mesmo o facto de a actual Miss Angola ser da Zona4, bairros do São João e Santa-Cruz – Lobito, influenciou para uma intervenção urgente no saneamento básico da área. Ali, só as chuvas deste fim-de-semana desalojaram pelo menos três famílias, uma criança faleceu, enquanto a queda de um poste deixa mais de 700 famílias privadas de energia eléctrica.&lt;br /&gt;No campo da Educação, o Instituto Médio Normal de Educação (IMNE) do Lobito anunciou 179 vagas apenas para o período nocturno, devido à escassez de salas de aulas. A grande novidade vem da Universidade Agostinho Neto que coordenará, em paralelo com o CUB (Centro Universitário de Benguela), mais uma unidade acabada de surgir, com instalações próprias e sem propinas, no quadro do Projecto de Desenvolvimento do Ensino Superior em Benguela (Prodesb). Engenharia informática, economia, etc., são das especialidades para o ano lectivo 2005. Na sua experiência como universidade privada, o Prodesb fracassou em 2003, altura em que ministrou o ano zero nas antigas instalações da Alliance Française de Benguela, praticando a propina mensal de USD 30.&lt;br /&gt;Vem aí o terceiro aniversário do fim definitivo da guerra em Angola. O país se abre aos novos desafios, os governantes aprendem a dirigir em democracia, os populares aprendem a ser cidadãos activos e conscientes. É o natural processo em situações de cessar-fogo irreversível. Muita coisa estragou-se, a guerra destruiu alguns dos aspectos mais sagrados da nossa cultura, mas “o povo bantu é um reconciliador nato”, como disse um historiador. E temos todos que juntar os esforços – cada qual a seu jeito, com o que sabe e pode – e aproveitar o passado como lição para o desenvolvimento do país. Ser cidadão não é sentar e só criticar, é sobretudo contribuir com ideias e acções construtivas para o progresso de todos.&lt;br /&gt;Meus receios são muitos, tão incontáveis como minhas alegrias pelas conquistas da nação, com o governo na gestão do Estado. Mas, como cidadão e observador atento, tenho receio que muito de bom oferecido ou prometido hoje seja apenas para “comprar” o voto do povo; tenho receio que muitos angolanos ainda se matarão na época da campanha eleitoral, fruto da intolerância muitas vezes manipulada por líderes políticos; receio que volte a acontecer a suposta cobrança de mil dólares para o ingresso na Universidade pública; receio que leis exigindo menos de catorze anos para o ingresso ao ensino médio sejam um insulto à reconciliação nacional, já que a tropa impediu muitos jovens de continuar os estudos; tenho receio, racismo à parte, que para se trabalhar nos bancos ainda os critérios de admissão continuem “inconfessos” e preconceituosos; receio que fora das cidades se firam alguns direitos como a livre expressão e opção política; tenho receios de que um congolês democrático seja oficialmente mais angolano que eu, enquanto o bilhete de identidade informatizado levar mais de um ano a ser tratado; receio que ainda continue por muito mais tempo a desvalorização do jornalismo como profissão, ao ponto de um país com 14 milhões de habitantes possuir apenas um Instituto Médio de Jornalismo; receio que os nossos ministros continuem sendo “servidos” quando deveriam ser “servidores públicos”; tenho receios que o cepticismo e a frustração dificultem ver as coisas boas feitas pelo governo, enquanto a transparência na gestão for “masturbação mental”.&lt;br /&gt;Não sei se agradeço, se lhe parabenizo ou se peço desculpas pela paciência que teve ao ler esse longo texto. Foi a minha contribuição, em termos de opinião, e que pela sua natureza não pôde ser mais objectivo nem mais breve. Muito obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gociante Patissa, Lobito (Activista de Educação Cívica e Direitos Humanos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110812839423727815?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110812839423727815/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110812839423727815' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110812839423727815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110812839423727815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/02/2005-o-ano-de-meus-receios.html' title='2005 O ANO DE MEUS RECEIOS'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110795354241488551</id><published>2005-02-09T13:47:00.000Z</published><updated>2005-02-09T12:52:22.413Z</updated><title type='text'>A PARTICIPAÇÃO DOS JOVENS NA POLÍTICA: INSTRUMENTALIZAÇÃO OU INDIFERENÇA?</title><content type='html'>Com alguma atenção tenho procurado acompanhar a vida política nacional, apesar do distanciamento à lógica partidária, de quem procura ser o mais livre e aberto às concepções ideológicas. Tenho para mim, e creio que para muitos de nós, que a política, feita com consciência, sustentada em valores e na busca da realização do bem comum, é das mais nobres missões que afectam a vida em sociedade. Aristóteles tinha razão quando afirmava que o homem é um animal político, na medida em que está inserido na «polis», e que tudo o que se relaciona com a «polis» tem reflexos na vida individual. Justamente por isso vejo com relativa perplexidade o alheamento, nuns casos, e a instrumentalização, noutros, da juventude em relação à política. E aqui refiro-me à política lato senso, que inclui a participação na vida pública e cívica da sociedade em que nos inserimos. É que hoje, cada vez mais, o espaço privado está reduzido e, em consequência, a felicidade e a realização de cada um de nós está significativamente dependente das políticas e decisões públicas. Desde as decisões tomadas ao nível do centro político até às decisões locais, ou do nosso emprego, ou da nossa escola, etc. Deste modo, a nossa apatia em relação à política e à vida pública acaba por ser um «cheque em branco» àqueles que decidem o nosso destino. Ao contrário, quando nós participamos estamos a concorrer positivamente para que as decisões que vierem a ser tomadas sejam mais razoáveis e justas. É evidente que o problema do alheamento dos cidadãos da vida pública não é um fenómeno exclusivo da nossa sociedade, o mesmo, também, se verifica nas democracias mais consolidadas. Mas seria um erro grosseiro equiparar a nossa emergente democracia àquelas democracias, designadamente as democracias ocidentais, porque os problemas que se colocam são diferentes. Por exemplo, a despeito do distanciamento dos jovens da política nas sociedades ocidentais, a verdade é que os mecanismos de funcionamento da democracia estão enraizados e funcionam, além de que os processos de tomada de decisão naquelas sociedades passam necessariamente pela auscultação dos cidadãos. Seja como for, e mesmo reconhecendo que é um fenómeno preocupante o que ocorre com os jovens angolanos, não vejo com extremo desassossego a indiferença dos jovens em relação à política, porque considero que há «gérmenes» que são indicadores positivos e que prenunciam - quero crer - uma nova fase. E digo isto não por mero optimismo, não! Há factos que atestam a minha justa fé no futuro das gerações em que me revejo. Porque senão o que dizer do número cada vez maior de jovens que participam na vida pública, a título de exemplo: nas organizações cívicas, nas associações académicas, nas organizações de direitos humanos, nas associações culturais, ambientais e desportivas? O que dizer do número crescente de jovens que estão hoje a despontar ao nível do jornalismo angolano? O que dizer dos jovens que começam a afirmar-se ao nível empresarial? Poderíamos decerto citar vários exemplos, que não nos podem deixar à vontade quando, ainda, a esmagadora maioria está marginalizada. Provavelmente é mais fácil - para quem assiste a um elevado número de crianças e adolescentes fora do sistema de ensino, a falta de universidades capazes de acolherem tantos jovens desejosos de a frequentarem, a falta de emprego, a falta de condições sociais mínimas ao nível do saneamento básico, da saúde, da habitação -, concluir que, perante esse quadro sombrio e face ao fardo enorme que a actual geração dos governantes nos vai legando, estamos perante um dilema fatal: ou «revolucionamos» esse quadro ou estamos condenados a uma sociedade catastrófica. Não! Não é essa a minha percepção do quadro actual em que estamos. Há alguns sinais positivos e dependerá da nossa capacidade de potenciar estes sinais, de reinventar e reintroduzir valores na vida púbica nacional. E esses sinais podemos encontrá-los num crescente número de petizes a irem à escola; num número cada vez maior de jovens a frequentar a universidade – é que todos esperamos que a universidade em Angola, além de formar quadros, seja uma escola cívica, de onde saíam homens não apenas preocupados com «a sua oportunidade», mas com o futuro da sociedade de que são parte. Por conseguinte, sendo importante e saudável que haja um número cada vez maior de jovens a participar na vida pública ou com perspectivas de vir a participar, mais importante é o conteúdo e a substância da participação. Porque se pode dar o caso de haver vários jovens a participar, mas sem que essa participação se traduza em valor acrescentado. Isto porque não vale a pena os jovens participarem se for só para fazerem número ou serem cúmplices de políticas públicas desastradas e que em nada concorram para o desenvolvimento da sociedade em que se inserem, como acontece hoje. Aqui surge um outro problema, esse sim com foros de gravidade, que tem que ver com a excessiva instrumentalização das juventudes partidárias. Acresce-se a isso a falta de espaço e protagonismo que os aparelhos partidários centrais não concedem às denominadas «jotas». Pessoalmente não consigo divisar a acção de alguma juventude partidária que marque diferença, com audácia, dinamismo e irreverência que deve caracterizar a juventude em qualquer parte do mundo. Não pretendo com isto pôr em causa a necessária disciplina partidária. Não! Sei bem qual é a importância deste instituto no quadro do funcionamento dos partidos políticos. Porém, não posso aceitar que a juventude de um partido político, mais ainda dos nossos partidos que se auto-proclamam democráticos, fique absolutamente dependente, sem capacidade de intervenção quer ao nível interno do próprio partido, como ao nível público. E é inaceitável porque, queiramos ou não, é dessa juventude que se esperam os futuros líderes da sociedade angolana. Neste sentido será útil questionarmo-nos: de que modo estes jovens hão-de fazer a diferença se ao nível dos seus partidos não exercitam – nem lhes permitem – a cultura democrática? Não parece nada correcto que a juventude que representa o maior substrato humanos do país, e que traduz, sem dúvida, a maioria de militantes nos respectivos partidos, tenha um papel bastante secundário, subalterno e instrumental na definição das políticas; faz todo o sentido que se dê maior protagonismo aos jovens ao nível das direcções centrais e nacionais nos partidos políticos, pois, acredito que há jovens com muita qualidade e que merecem um papel de destaque. Claro que se trata de um problema de transição «geracional» e de passagem de testemunho (não advogo uma ruptura e afastamento pura e simples dos actores políticos), que deverá ser feita de modo gradual, mas que tem que começar já. Aliás será salutar para o desenvolvimento da nossa sociedade que os jovens deixem de ser meros espectadores e passem a ser também actores porque têm, certamente, uma visão diferente e mais consentânea com a realidade de hoje; além de que não carregam as sequelas e as limitações próprias de quem, muitas vezes não por vontade própria, se submeteu durante toda a vida a sistemas de ditadura interna. A lógica partidária de se criarem benesses e condicionar a afirmação dos jovens à fidelidade cega ao «chefe», à bajulação ou até a habilidade dos oportunistas, que não olham a meios, muito menos se pautam pelos bons princípios éticos, é degradante e empobrece a vitalidade da democracia. Pois a juventude, em qualquer sociedade, é uma reserva vital, que representa a força dinâmica, inconformada e disposta a abrir novos caminhos e horizontes – é essa a atitude e postura que espero que os jovens angolanos tenham. No fundo é preciso que os jovens angolanos se consciencializem da necessidade do aumento do grau de qualificação e da construção de uma carreira profissional exemplar que prestigie a sua participação na sociedade, pois só isso será o garante da sua independência e da capacidade de exigir um espaço e protagonismo baseado no mérito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pedro Romão (Estudante de Direito da Universidade Católica Portuguesa-Porto e Membro da Associação Justiça, Paz e Democracia)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110795354241488551?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110795354241488551/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110795354241488551' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110795354241488551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110795354241488551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/02/participao-dos-jovens-na-poltica.html' title='A PARTICIPAÇÃO DOS JOVENS NA POLÍTICA: INSTRUMENTALIZAÇÃO OU INDIFERENÇA?'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110739599969750611</id><published>2005-02-03T01:47:00.000Z</published><updated>2005-02-03T01:59:59.696Z</updated><title type='text'>TESTEMUNHO PESSOAL</title><content type='html'>Gostaria em primeiro lugar felicitar o Sousa Jamba,por este artigo porque é oportuno ,e também pelo Romance "Patriotas". Li-o em 1992, gostei imenso. Agora sim falo concretamente deste artigo: Foram milhares e milhares de homens e mulheres , jovens e velhos , crianças que logo depois da proclamação da independencia seguiram o Dr. Savimbi. Tal como foram muitos os que ficaram. Foi tudo uma questão de sobrevivencia.Tenho plena certeza , estes milhares e milhares de angolanos não seguiram um "Idolo" que se chama Savimbi. Seguiram um ideal de vida e liberdade. 90% da minha família caminhou: A minha mãe, a velha Emilia Simiti, , o meu avo ,O velho Samakaka,grande Soba no Moxico, no bairro Sagondo, os meus tios , primos e primas que caminharam em direcção à Jamba, e que morreram vítimas de bombardeamentos do Mpla( o unico sobrevivente deste bombardeamento é um irmão meu, que se lembra como as bombas rasgaram em pedaços os corpos dos nossos parentes). EStes meus parentes defendiam um ideal de liberdade, vivida na diferença. Não podemos perder os elementos essenciais da história de Angola: Penso que todos conhecem o que o Acordo de Alvor previa: Independencia, Organização de Assembleia Constituinte, previamente eleita, pleito eleitoral entre os três partidos (Fnla Mpla Unita), o Mpla proclamou unilateralmente a indenpendencia em Luanda, como resposta a Unita e a Fnla proclamaram -na no Huambo. Portanto, este foi o primeiro e o mais grave erro histórico cometido por umas das partes. Aqui está a raiz de todos os males. Seguiram -se outros erros -crimes de um lado e do outro.Nas matas Samvibi mandava matar(segundo testemunas) e o desaparecimento de Tito Tchingunje, Wilson dos Santos são exemplos disto. O que se diz de Samvibi , também diz -se do Mpla , de Agostinho Neto , e de outros que hoje ostentam o luxo por Luanda: Sou do Lobito. Naltura da caminhada para as matas fiquei com o meu pai. Acompanhei tudo e todos os acontecimentos que ocorreram nas cidades : Jamais me esquecerei do mês de Maio de 1977, e dos meses que seguiram. Conheci professores, intelectuiais, estudantes e gente simples que desapareceu até hoje, ninguém faz memoria deles . Eu pessoalmente , fui convidado a ir para o campo da Santa Cruz( Antigo campo do Futebol CLube do Lobito) alegadamente para assistir um jogo de futebol, qual jogo , foi uma partida de fuzilamento. Tinha eu 10 anos . Até hoje retenho aquelas imagens de fuzilamento, de balas a perfurar os crânios . Vejo com os meus olhos, o meu vizinho do Bairro da Kaimama, que foi fuzilado, juntamente com outros 5 ou 6 homens, e cuja esposa, viúva , e filhos , orfãos foram proibidos de fazerem obito ou mesmo de chorar. Angolanos , pesoal do Lobito , sós testemunhas destes acontecimentos , digam-me lá se isto não é CRIME CONTRA A HUMANIDADE. O Crime só tem um sentido !!!? Unita e Savimbi. Nas nossas análises devemos ser honestos e objctivos. Houve acções indignas de um e outro lado. Admiro , o Dr.Agostinho Neto lutou por causa justa,( em 1979 quando morreu deixou uma quantia de 70 kuanza),portanto, viu-se que procurou instaurar uma Angola onde todos tivessem o minimo de condições, mas não deixo de reprovar muitas das suas acções, admiro igualmente o Dr. Savimbi , que defendia a prioridade para os angolanos "primeiro o Angolano...", tambem reprovo muitas das suas acções. Savimbi não é o "Demónio" ... Agostinho Neto, e o actual Presidente não é um " Santinho" um " Anjinho" , que nenhum crime praticou. Se houve erros ao longo do percurso da conquista da liberdade em Angola , estes erros foram cometidos por todos. Savimbi , pelo que fez de positivo deve ser louvado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simiti,Portugal( tirado do comentário ao artigo de Sousa Jamba "Epopeia Savimbiana",in www.angonoticias.com)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110739599969750611?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110739599969750611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110739599969750611' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110739599969750611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110739599969750611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/02/testemunho-pessoal.html' title='TESTEMUNHO PESSOAL'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110729600522302719</id><published>2005-02-01T21:56:00.000Z</published><updated>2005-02-01T22:13:25.223Z</updated><title type='text'>ANGOLANOS E ANGOLANAS</title><content type='html'>“Um outro mundo é necessário e também possível" – Este é o grande lema do Forum Social Mundial(FSM) - 2005, Porto-Alegre,Capital Gaúcha do RS - Brasil,26 a 31 de Janeiro de 2005.Porto Alegre / RS constitui o ponto de partida e de convergência da cidadania planetária.&lt;br /&gt;O FSM acontece sob forma de conferências, palestras, testemunhos, painéis e manifestações de vária ordem que se apresentam como veículos para a sociedade civil: expressar suas inquietações sobre as regras que regem o mundo; criticar a má gestão da coisa pública das nações e o capitalismo selvagem potencializado e quase perpectuado pelo neoliberalismo; aproximar, reunir, e promover a lógica diferente de entendimento do homem e da vida; embasar as propostas de transformação social, respeitando sempre a diversidade de raça, cor, origem, gênero, religião, etc. O quinto FSM de 2005 é um espaço participativo, que fortalece o diálogo para a convergência de acçöes e de lutas. &lt;br /&gt;As 11 temáticas do FSM resumem-se nos seguintes pontos: 1- pensamento autônomo, reapropriação do conhecimento (dos saberes e das temáticas tecnológicas); 2- defesa das diversidades, popularidades e identidades; 3- arte e criação, construindo as culturas de resistência dos povos; 4- comunicação: práticas contra-hegemónicas, direito e alternativas; 5- afirmação e defesa dos bens comuns da terra e dos povos, como alternativa à mercantilização e ao controle das lutas transnacionais; 6- promoção das lutas sociais e alternativas democráticas, contra a dominação neoliberal; 7-paz e desmilitarização - luta conta a guerra, o livre comércio e a dívida; 8- rumo à construção de uma ordem democrática internacional e integração dos povos; 9- promoção de economias soberanas pelos e para os povos, contra o capitalismo neoliberal; 10- defesa dos direitos humanos e da dignidade para um mundo justo e igualitário; 11- ética, cosmo visões e espiritualidades - resistências e desafios para um mundo novo. &lt;br /&gt;Paralelamente a estas 11 temáticas, temos 5 eixos transversais: 1- emancipação social e dimensão política das lutas; 2- luta contra o capitalismo patriarcal; 3- luta contra o racismo e outras formas de exclusão baseadas na ascendência; 4- gênero; 5- diversidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus compatriotas angolanos de dentro e da diáspora, ogs e ongs, missionários e responsáveis pela vida espiritual, social e econômica do povo de Angola, militares, paramilitares e entidades públicas e civis (...), etc., o lema do FSM é símbolo de referência obrigatória para o engajamento e a cooperação de todos, na busca de alternativas à globalização neoliberal no nosso país que acaba de sair da guerra das armas de fogo e no mundo inteiro. Descurar do conteúdo de um destes 11 pontos temáticos e destes 5 eixos transversais, é "chover no molhado", é "pescar peixe na areia" e é "banhar-se em águas pútridas". É, portanto descurar da mística da paz, é promover a guerra, pois que nunca haverá paz no mundo enquanto houver injustiças mínimas ente nós, e, a mãe da paz é a justiça e seu pai é o cuidado. Acima de tudo, Angola deve investir na educação de seus filhos e filhas, como melhor prática de liberdade, na feliz abordagem de Paulo Freire, de modo a evitar-se aquelas enfermas obediências cegas e humildes, como um dia, Salazar o referenciou, discursando para os chefes das províncias ultramarinas, sobretudo à angolana naquela época: "Não deixem que o indígena faça mais que a quarta classe para que permaneça humilde e obediente". E, nós trazemos no nosso sangue as seqüelas deste édito salazarista. Procuremos reciclar nossas idéias e nossos ideais para com a nossa linda, amada e abençoada mãe Angola e seus nobres filhos, para que seja realmente nova e de todos e que nela, um outro mundo seja necessário e possível. &lt;br /&gt;Para tal será necessário, como o aludia Lula, presidente brasileiro, no FEM - fórum econômico mundial na Suíça e acontece paralelamente com o FSM, que era necessário financiar a guerra contra a pobreza no mundo, sobretudo nos países mais pobres. E nós podíamos com uma boa vontade política e gerencial do nosso potencial socioeconômico acabar com essa depressão social do país geradora de outras vicissitudes periclitantes. Assim, todos, de cabeça erguida, cuidaremos de exorcizar o medo entre nós e deste modo o homem já não será lobo para o outro homem. Ainda promoveremos a cultura da paz que não é só o calar de armas de fogo, como e sobretudo a prática da justiça ou equidade social. Esta paz fará unida a família humana do mundo inteiro, sobretudo a da nossa terra angolana. O contrário desta conduta, isto é, tendo medo uns dos outros, nos anteciparemos na violência, de modo que o pobre será inimigo do policial, sendo visto a priori como ladrão, bandido, preguiçoso. Estes são os sinais dos países neoliberais e capitalistas. Acredito, não ser possível, num país como o nosso, enquanto se luta para a conferencia de doadores, na luta contra a pobreza, alguém pensar, comprar carros que banquem US$800.000,00 cada um. Eu não acredito nem imagino que isto seja possível acontecer. &lt;br /&gt;Se for o caso, então podemos refletir na nossa consciência sobre a questão social do país e quem pode representar o país em eventos como por exemplo o FSM 2005 em Porto Alegre. E que importância damos para uma Angola nova, possível mas também necessária! cada angolano pode refletir na própria responsabilidade que o social tem para nossa terra hoje. Vamos, analisar de cabeça fria, serena e realista, como igrejas, entidades políticas, social, governamentais, meios de comunicação sociais, homens e mulheres de boa vontade. A luta ou é conjuntural ou é sempre perdida. Quem de Angola representou o país com a propaganda e a bandeira da república de Angola: &lt;br /&gt;1- ONG JUBILEU 2000: Benjamin Alvaral Marinela de Fátima Maria Lúcia Siveira Maria Simone Álvaro do Céu João Baptista Kukombo Cândida Celeste Ekahungo Adelino Manuel Tchilundulu Isabel Manuel Diogo Maria Júlia António António Lufutu Kiala Sebastião G. Martins da Costa Maria Joana Bernardo Costa Teresa Maria de Jesus Correia L. Pereira Francisco Filomeno Vieira Lopes Ernesto Jorge Kikabo Kasinda Ana Maria Matilde Samuel João José Gregório António Joaquim de Assis Zeferino &lt;br /&gt;2- MINISTÉRIO DA SAÚDE: Carlos Alberto António. &lt;br /&gt;3- TROCAIRE - ANGOLA Jordão Pascoal António. Manuel Mufulutona Paulo Joaquim Humba Máquina &lt;br /&gt;4- PARTIDO POLÍTICO: FRENTE PARA A DEMOCRACIA Nelson Pestano José Eduardo Agualusa Filomeno Vieira Lopes Luisa Simeão. &lt;br /&gt;Deste modo, para onde caminhas Angola? Meu testemunho é de que quase todos os países do mundo se fizeram representar, pelo pessoal das ONGs e OGs, Órgãos de comunicação Social, estaduais ou independentes; Órgãos das Igrejas cristãs e asiáticas, presbíteros, religiosos e religiosas, movimentos internacionais, etc. E tu Angola? Não te deixaste apresentar e representar segundo o teu potencial porquê? Será que não pudeste estar presente porque não tinhas recursos econômicos ou porque alguns de teus filhos, usurpam tanto pelo fato de teus o potencial aquisitivo econômico de modo que até possas em alguns de teus filhos e filhas são capazes de escolher e aprovar este ou aquele projeto lei ou ainda porque alguém é capaz de adquirir carros que custem $US 800.0000,00. Tu tens condições de investires em tudo individual e capitalista, menos no trabalho social! Qual seria nossa resposta depois de termos avaliado os irmãos irmãs que ergueram o nome do país com as bandeiras da república lista dos angolanos, desfilando em algumas artérias de Porto-Alegre.&lt;br /&gt;Diante desta representação de Angola no FSM, poderíamos receber o próximo Fórum se acontecesse no nosso país, já que o próximo acontecerá em um país da África mãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martinho Kavaya,Porto-Alegre( Sacerdote diocesano de Benguela, estudante no Brasil)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110729600522302719?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110729600522302719/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110729600522302719' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110729600522302719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110729600522302719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/02/angolanos-e-angolanas.html' title='ANGOLANOS E ANGOLANAS'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110729416500445402</id><published>2005-02-01T21:42:00.000Z</published><updated>2005-02-01T21:42:45.003Z</updated><title type='text'>LIVROS SOBRE ANGOLA</title><content type='html'>Se há livros sobre Angola que merecem ser lidos por aqueles que buscam compreender a lógica da nossa vergonhosa guerra, o de George Wright é indispensável. O título original é "The Destruction of a Nation, United States' Policy toward Angola since 1945", editado em 1997. (Existe uma excelente tradução portuguesa da editora caminho, com o título " A Destruição de um País, a Política dos EUA para Angola desde 1945")&lt;br /&gt;Alguns extractos da conclusão, são ilustrativos da grandiosidade desta obra:&lt;br /&gt;« (...)O povo Angolano vai continuar a sofrer enormente. Se (ou quando) a paz e a estabilidade chegarem a Angola, as maiores prioridades irão ser a reabilitação e a rescontrução(...) o Estado Angolano ver-se-á com limitações para atingir esse objectivo devido às escassas reservas em moeda externa, um pesado serviço da dívida e gigantescos problemas sociais e infra-estruturas. Além disso, visto que o FMI e o Banco Mundial, dominados pelos EUA, impõe que os países instituam uma liberalização económica, como parte da reestruturação global da economia, o Estado Angolano será incapaz de levar por diante políticas económicas independentes. Na realidade, evitar a independência económica foi a razão principal que levou os EUA a promover a desestabilização de Angola e a destruição do Estado Angolano. Quando a paz for estabelecida, os Angolanos terão ainda de viver com o terror de 15 milhões de minas que provocarão ferimentos, mutilações e mortes durante longo tempo, pelo próximo século adiante; com o colapso dos sistemas de saúde e da educação; com a rescontrução dos danos terríveis inflingidos pela desestabilização causada pelos EUA/África do Sul/UNITA durante 15 anos»&lt;br /&gt;Para quem ainda acredita em argumentos de ordem tribal para justificar a guerra de Angola ou tenta ilibar a UNITA das suas responsabilidades, transformando-a em vítima do Governo do MPLA, recomendo vivamente a leitura desse livro que fala e faz falar. Nele encontramos dados bem documentados sobre os apoios dos EUA/África do Sul/Ex-Zaire e outros à UNITA para desestabilizar o Estado Angolano, com a finalidade de o levar ao colapso por incapacidade de gerir as sucessivas crises sociais, daí resultantes.&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110729416500445402?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110729416500445402/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110729416500445402' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110729416500445402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110729416500445402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/02/livros-sobre-angola.html' title='LIVROS SOBRE ANGOLA'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110727576148778528</id><published>2005-02-01T16:32:00.000Z</published><updated>2005-02-01T16:36:01.486Z</updated><title type='text'>«A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO PROVEDOR DE JUSTIÇA»</title><content type='html'>Terá o ex-Ministro da Justiça, o Dr. Paulo Tchipilika, condições políticas de integridade e independência para exercer o cargo?&lt;br /&gt;Durante a semana que findou, foi publicada uma notícia que dá conta da hipotética indicação, pelo MPLA, do senhor Dr. Paulo Tchipilika, ex-ministro da Justiça, para o cargo de Provedor de Justiça; O que, a ser verdade, não deixa de ser inquietante e problemático se tivermos em consideração o Estado democrático de direito que todos os dias se proclama e pretende instituir no país.&lt;br /&gt;Certamente que alguns leitores saberão que a organização de que faço parte – a Associação Justiça, Paz e Democracia – travou durante certo tempo uma querela jurídica com o ex-titular da pasta da Justiça, em virtude deste, ao arrepio da Lei das Associações e da Constituição angolana, não passar o Certificado de Registo a que a citada organização cívica tem direito.&lt;br /&gt;Mas, nem por isso tenho qualquer sentimento de pessoal contra o senhor Dr. Paulo Tchipilika, longe disso! Pelo contrário, enquanto pessoa humana e alguém que serviu o meu país durante mais de uma década como membro do Governo, tenho por ele o maior respeito e consideração. &lt;br /&gt;Todavia, estaria a mentir se dissesse que tenho do ex-ministro da Justiça a melhor ideia e que merece o meu apoio na sua eventual indicação para o referido cargo (mesmo sabendo que não tenho qualquer valor e intervenção no processo de indicação e escolha do Provedor de Justiça).&lt;br /&gt;Antes de expor as razões em que se fundam a minha discordância da ideia de indicação do Dr. Paulo Tchipilika, importa, primeiro, a título muito sumário, balizar o enquadramento conceptual e jurídico do Provedor de Justiça.&lt;br /&gt;O Provedor de Justiça, ou «ombudsman», tal como é designado internacionalmente por força da sua origem, é uma figura de origem escandinava, que remonta aos primórdios do século passado e cuja universalização colhe exemplos nos sistemas democráticos de todos os continentes.&lt;br /&gt;Entre nós, o Provedor de Justiça é uma instituição com consagração constitucional, nem podia ser doutro modo; foi com a Constituição de 1992, artigo 143º, que se incorporou na nossa ordem jurídica. Porém, até à data presente, infelizmente, por responsabilidade inexplicável da Assembleia Nacional não foi institucionalizado; nem sequer foi aprovada a lei ordinária que deverá estabelecer o seu estatuto.&lt;br /&gt;O provedor de Justiça, em geral - e é assim entre nós - é definido como um órgão cuja legitimidade dimana da escolha democrática a que se submete e do órgão que o institui: a Assembleia Nacional.&lt;br /&gt;A nossa Constituição, visando garantir a independência do titular deste órgão, condiciona a sua escolha à eleição por maioria de dois terços dos Deputados em efectividade de funções.&lt;br /&gt;Este forma legitimadora do Provedor de Justiça tem a virtude de procurar manter seu titular distante dos partidos políticos e fundamentalmente de quem Governa.&lt;br /&gt;Para além das garantias jurídicas que permitem reforçar a imparcialidade, a independência e a capacidade de intervenção do Provedor, as características pessoais da pessoa a designar para o cargo merecem ser tidas em consideração. Só deste modo se compreenderá que a maior parte da legislação reguladora desta figura (e a própria praxis da escolha) condiciona a sua elegibilidade à «comprovada reputação de integridade e independência».&lt;br /&gt;No que respeita ao âmbito das suas competências, a função do Provedor é, por uma lado, a defesa da legalidade, interpelando os prevaricadores, e, por outro, providenciar e concorrer para a «reparação das injustiças que lhe são levadas ao conhecimento pelos cidadãos.&lt;br /&gt;Assim, o Provedor, embora não seja um órgão jurisdicional, tem um importante papel na fiscalização da Administração e na dinâmica funcional do sistema democrático no seu todo.&lt;br /&gt;Por exemplo, o Provedor, se constatar, por si ou através de queixas da sociedade, que os poderes legislativo ou jurisdicional estão a funcionar mal, pode chamar a atenção pública, apontando soluções e medidas com vista ao aperfeiçoamento da prestação daqueles poderes.&lt;br /&gt;A acção do Provedor, em geral, desenvolve-se através de imputs que recebe da sociedade, os quais tomam, normalmente, a forma de queixa, reclamações ou petições; sobre estas, o Provedor decide sobre o destino a dar, depois de tomar as providências para se certificar da justeza ou não delas.&lt;br /&gt;Uma vez confirmada a justeza das situações que lhe são trazidas ao seu conhecimento, o Provedor de Justiça tem a obrigação de recomendar os comportamentos que se impõem aos poderes públicos, visando a reparação de ilegalidades ou injustiças. Todavia, ao Provedor não compete anular, modificar ou revogar actos administrativos.&lt;br /&gt;Por essa razão, a força persuasora desta instituição advém não só da sua legitimidade democrática, mas também da sua «reputação política». Ora é por aqui que me parece que o Dr. Paulo Tchipilika não tem condições políticas que assegurem a sua integridade e reputação para o exercício do cargo.&lt;br /&gt;Não se trata de uma questão de competência, mesmo que por aqui também tenha as minhas dúvidas, pois se tomarmos em consideração que apesar de ter estado mais de uma década a frente do pelouro da Justiça, o Dr. Paulo Tchipilika não foi capaz de levar a cabo a reforma legislativa que se impunha.&lt;br /&gt;O senhor Dr. Paulo Tchipilika encontrou e deixou a mesmíssima Lei do Sistema Unificado de Justiça, a mesmíssima Lei da Procuradoria-Geral da República, a Lei da Prisão Preventiva, o Código Penal, o Código de Processo Penal – apenas para citar algumas leis – que estão eivadas de normas desajustadamente democráticas.&lt;br /&gt;Mais: o senhor Dr. Paulo Tchipilika não foi capaz de lutar pela dignificação dos Magistrados judiciais e do Ministério Público; ainda hoje, os Magistrados reclamam por melhores condições remuneratórias; o senhor ex-Ministro não foi capaz de adoptar medidas de atracção de jovens juristas às Magistraturas.&lt;br /&gt;As estruturas em que estão instaladas a maior parte dos tribunais provinciais e municipais estão degradadas; não correspondem à dignidade da função jurisdicional; continuamos com uma Lei das custas judiciais problemática; continuamos com graves problemas no que respeita ao instituto do Patrocínio Judiciário, continuamos com problemas da incapacidade do Estado respeitar os direitos dos arguidos, sobretudo os detidos em prisão preventiva; enfim, subsistem problemas tão elementares, mas estruturantes do sector da Justiça. &lt;br /&gt;Se o senhor Dr. Paulo Tchipilika é tão competente como muitos acreditam, onde estão as medidas que tomou ao longo de mais de 10 anos no Governo. Ou me vão dizer que não teve condições políticas? &lt;br /&gt;O senhor ex-ministro da Justiça teve durante o seu consulado a oportunidade de ter uma Ordem, na altura, dinâmica, com quem podia aliar-se; o senhor ex-ministro da Justiça apenas pode contentar-se por ter informatizado o Bilhete de Identidade Nacional! &lt;br /&gt;Mas reparem que eu não discordo da sua indicação porque lhe faltaria confiança política. Nada disso! Aliás, julgo que se o MPLA cometesse o erro de o propor ao cargo teria lamentavelmente o apoio da UNITA. É que estamos todos enganados quanto a integridade e reputação política do Dr. Paulo Tchipilika. &lt;br /&gt;Que há uma enorme dificuldade de se atraírem novos actores e valores políticos na cena angolana, pessoas de reconhecido mérito e com maior margem de independência ninguém tem dúvidas – pelo menos eu - , mas que se queira continuar a apostar na acomodação a qualquer preço, ainda para mais pelo MPLA, que tem, quanto a mim, por onde se pegar, sinceramente, é uma inconsequência que não atesta o discurso da nova fase que se propala. &lt;br /&gt;Não é de modo algum ético que alguém acabado de ser Ministro, depois de muito tempo no Governo, com as consequências que isso traduzem: os laços e interesses que se estabelecem, as cumplicidades e informações privilegiadas que se carregam, seja, imediatamente à sua demissão, e em confronto com o mesmíssimo Governo, proposto para Provedor de Justiça. Objectivamente não haveria condições políticas para um exercício do cargo com normalidade.&lt;br /&gt;Qual seria a garantia de autoridade política e pessoal do senhor Dr. Paulo Tchipilika para interpelar os seus ex-pares no Governo, se porventura fosse eleito Provedor de Justiça? &lt;br /&gt;Na verdade, parece-me que não faz sentido que numa altura em que já quase todos reconhecemos que as instituições políticas do país carecem profundamente de legitimidade democrática que se vá agora escolher o Provedor de Justiça, quando ficámos 12 anos sem ele. Há alguma razão especial para que agora no fim da «legislatura» se institua o Provedor de Justiça? Não vejo!&lt;br /&gt;Mas, se houver boa intenção e não se trata, de modo algum, de procurar arranjar emprego a alguém, e se se pretende efectivamente instituir o Provedor de Justiça, com alguém que seja competente, com maiores garantias de integridade e independência, tenho os seguintes nomes a sugerir: Dr. Manuel Gonçalves, antigo Bastonário da Ordem dos Advogados, Dr.ª Imaculada Melo, Professor Doutor Nelson Pestana, Dr.ª Anacleta Pereira. E certamente que haverá entre os nossos magistrados potenciais candidatos que oferecem melhores e maiores garantias de um bom exercício no cargo em comparação com o senhor ex-Ministro da Justiça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Romão( Angolano, Estudante de Direito da Universidade Católica Portuguesa - Porto e Membro da AJPD) &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110727576148778528?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110727576148778528/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110727576148778528' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110727576148778528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110727576148778528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/02/institucionalizao-do-provedor-de.html' title='«A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO PROVEDOR DE JUSTIÇA»'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110589207852720446</id><published>2005-01-16T15:37:00.000Z</published><updated>2005-01-16T16:14:38.526Z</updated><title type='text'>Angolanos e Angola: que futuro?</title><content type='html'>É uma pergunta tão velha que deve doer aos ouvidos. Mas é real, actual e incontornável. Não existe uma resposta, mas sim respostas. A minha, e talvez não seja novidade, é: os Angolanos nascidos depois de 2002, isto é, a seguir a nossa vergonhosa e inexplicável guerra civil, terão o futuro que os governantes de hoje quiserem. O futuro dos angolanos depende, primeiramente, da capacidade e espírito de sacrifício e abnegação dos governantes de Angola. Eles têm a obrigação de amar os seus irmãos e desejar-lhes um futuro melhor. Isto passa por atitudes e acções concretas ao nível de adopção de políticas públicas credíveis e exequíveis que tornem possível um saneamento básico, reforma da rede de abastecimento de água potável e de energia eléctrica, reforma e melhoramento dos sistemas de educação e saúde, criação da rede de transportes públicos e reabilitação das redes rodoviárias e ferroviárias, criação do sistema de segurança social que garante subsídios de desemprego, rendimento mínimo de integração social, pensão de roforma e/ou invalidez... &lt;br /&gt;Reformar o sistema político através de reformas legais, para tornar o Estado num Estado de Direito de facto, onde cada cidadão tem segura a sua vida, a sua propriedade, onde os contratos são respeitados e a justiça está ao alcance de todos e não impera a lei do mais forte. Assim será possível gerar-se oportunidades de investimento e emprego. &lt;br /&gt;Todo este quadro de reformas impõe sacrifícios, mas é inadiável, porque é o futuro dos angolanos que está em jogo. Haja coragem e maturidade de consentir esses sacrifícios agora para que os outros vivam melhor. A razão é simples: o comboio já partiu!!!!!!!&lt;br /&gt;Por outor lado, como não vivemos numa ilha deserta ou no paraíso, o futuro dos angolanos e de Angola depende daquilo que a dita comunidade internacionacional permitir que façamos. Interessa que os países credores perdoem a dívida externa aos angolanos e não aos governantes e monitorizem a aplicação do dinheiro na reforma de políticas públicas e do sistema político, nos aspectos assinalados acima.&lt;br /&gt;É importante considerar que a dita comunidade internacional, é composta por países que têm grandes interesses vitais e estratégicos, quer económico quer militares. Só quando estes deixarem de falar mais alto do que o nosso direito a uma vida humana digna de ser vivida, ai sim o futuro dos angolanos será bem melhor porque resultará de um presente promissor. &lt;br /&gt;Até lá, os governantes precisam ganhar a consciência e coragem de que não vale apenas adiar por mais tempo o futuro dos angolanos e de Angola, porque o comboio já partiu e do lado do outros não se vislumbra no horizonte uma vontade para tornar os seus interesses vitais e estratégicos tão importantes quanto o nosso direito a uma vida humana digna de ser vivida. Essa vontade é desejável que aconteça, mas o altruísmo a esse nível é quase impossível e percebe-se, porque mais não seja por razão de Estado será por razões eleitorais.&lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110589207852720446?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110589207852720446/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110589207852720446' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110589207852720446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110589207852720446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/01/angolanos-e-angola-que-futuro.html' title='Angolanos e Angola: que futuro?'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110588826611034094</id><published>2005-01-16T15:09:00.000Z</published><updated>2005-01-21T17:30:42.683Z</updated><title type='text'>Mensagem à Nação do PR de Angola</title><content type='html'>POVO ANGOLANO,&lt;br /&gt;CAROS COMPATRIOTAS, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 4 de Abril de 2002 aconteceu o abraço entre irmãos, que selou o Acordo de Paz e lançou as bases da reconciliação nacional. À medida que nos afastamos daquela data, os angolanos estão a superar os traumas, a desconfiança recíproca e outros males causados por muitos anos de conflito armado.&lt;br /&gt;Os membros das famílias que estavam dispersas juntam-se agora outra vez. Nos quimbos, nas aldeias, vilas e cidades, as pessoas e as comunidades reorganizam-se no espirito de tolerância e perdão, com os olhos postos no futuro. &lt;br /&gt;Ninguém quer voltar ao passado, que está carregado de sofrimento, luto e dor. Com o espírito de paz, concórdia e harmonia social, os angolanos querem transformar o presente, formar os homens de que o país necessita e alterar o meio que os rodeia para que cada um possa viver melhor. &lt;br /&gt;Este desejo legítimo implica uma atitude responsável perante o próximo, a vida e a sociedade, requer também que nos saibamos situar no espaço e no tempo em que agimos, para escolhermos bem os caminhos que vamos trilhar. &lt;br /&gt;Pertencemos a uma Nação e a um Estado em fase de consolidação. Cada um de nós é a emanação de uma comunidade com hábitos, usos e costumes, princípios morais e valores culturais, que se entrelaçam com os de outras comunidades através de elementos comuns ou de princípios e valores assimilados, que formam o nosso espaço cultural e a nossa identidade. Não vivemos isolados. Estamos em contacto com culturas de outros povos e, portanto, estamos todos sujeitos a influências recíprocas.&lt;br /&gt;No nosso tempo está consagrado o triunfo da economia de mercado. O modo de produção capitalista implantou-se em quase todos os países do mundo. No sistema de distribuição e redistribuição estabeleceu-se o palco das divergências e disputas políticas e partidárias entre a direita e a esquerda. &lt;br /&gt;O traço característico do processo é a concentração da riqueza e do poder económico num pequeno número de famílias e empresas. O seu reflexo, em países atrasados como o nosso, são as relações económicas, comerciais e contratuais feitas na base da desigualdade, da injustiça e das perdas sucessivas dos mais fracos. &lt;br /&gt;A estabilidade política e social passou, assim, a depender da sabedoria e da habilidade como é feita a gestão da contradição entre o capital e o trabalho. &lt;br /&gt;Há também o terrorismo e o aproveitamento de certas religiões, que são tidos como meios para criar instabilidade, impor normas de civilização e a supremacia de poderosos grupos económicos radicais. &lt;br /&gt;É neste contexto adverso que teremos de saber construir o presente e o futuro, defender os interesses políticos, económicos, sociais e culturais de Angola. &lt;br /&gt;Os angolanos querem ter, naturalmente, uma vida digna com um salário que lhe permita o acesso à alimentação, casa, água potável, energia, educação, cultura e lazer. &lt;br /&gt;Esse sonho de bem-estar e progresso constante, para ser realizado, exige de todos nós um trabalho árduo e longo. Esse trabalho poderá durar décadas, mas o importante é começar, persistir e definir correctamente o rumo e os meios para lá chegarmos. &lt;br /&gt;Deposito a minha confiança nos nossos quadros. Acredito que as elites que se vão afirmar nos diversos domínios da ciência, da técnica e da cultura serão capazes de orientar e enquadrar o esforço de todos na construção material e espiritual do nosso futuro. &lt;br /&gt;No dia 11 de Novembro último, na cidade do Namibe, foram apontados os objectivos que vamos perseguir nos próximos dois anos e os programas concebidos para os concretizar. &lt;br /&gt;Apostamos no desenvolvimento e na boa gestão dos recursos humanos; no crescimento acentuado da produção de bens e serviços e, consequentemente, no aumento da riqueza; numa política fiscal mais justa e numa política remuneratória e de protecção social que garanta a resdistribuição equilibrada do rendimento nacional. &lt;br /&gt;Na agenda social, realçámos o esforço para melhorar os nossos índices de saúde e conduzir um combate mais vigoroso contra as grandes endemias, designadamente a malária, a tuberculose, o HIV/SIDA e a doença do sono. &lt;br /&gt;As capacidades e os recursos nacionais disponíveis não são suficientes para garantir a realização com sucesso de todas as nossas intenções. &lt;br /&gt;Ao princípio da boa governação, que assumimos para o efeito, deveremos acrescentar o da diversificação da nossa cooperação internacional. Temos de procurar parceiros internacionais que cooperem connosco no plano institucional e empresarial, numa base mais equilibrada, justa e inovadora, com vantagens mútuas, e que nos permita dar um impulso espectacular à reconstrução do país e ao desenvolvimento nacional multifacetado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caros Compatriotas, &lt;br /&gt;Em 2006 os angolanos serão chamados às urnas, a fim de exercerem o seu direito de voto e escolherem livremente, num processo eleitoral competitivo, os seus legítimos representantes. &lt;br /&gt;Será um momento histórico de grande responsabilidade, em que serão igualmente feitas opções fundamentais em relação ao nosso futuro. É salutar que ainda em 2005 se dê espaço ao diálogo e ao debate, que ajude a definir alguns parâmetros para balizar em termos gerais esse futuro. &lt;br /&gt;Refiro-me a um conjunto de princípios, de ideias, de valores e de objectivos de longo prazo em que todos os angolanos se revejam e que poderiam constituir um compromisso da classe política quanto ao futuro de Angola. &lt;br /&gt;Esse instrumento seria sem dúvida uma boa fonte de inspiração para programas eleitorais partidários e uma garantia de termos metas bem definidas, para que o país tenha um rumo certo. &lt;br /&gt;Ao terminar, exprimo os meus agradecimentos a todos os que não cessam de contribuir com o seu esforço para manter acesa a chama da paz e para elevar cada vez mais alto o espírito da reconciliação nacional. &lt;br /&gt;Os meus agradecimentos são dirigidos igualmente a todos os que permanecem nos seus postos de trabalho, cumprindo com zelo e dedicação os seus deveres nesta quadra festiva. &lt;br /&gt;Desejo que entremos com entusiasmo no ano 2005, ano do trigésimo aniversário da fundação da República de Angola. Que transformemos o país num imenso canteiro de obras de que nos possamos orgulhar, festejando o próximo 11 de Novembro com alegria. &lt;br /&gt;Festas felizes e próspero Ano Novo! &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110588826611034094?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110588826611034094/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110588826611034094' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110588826611034094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110588826611034094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/01/mensagem-nao-do-pr-de-angola.html' title='Mensagem à Nação do PR de Angola'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110530454491146842</id><published>2005-01-09T20:52:00.000Z</published><updated>2005-01-09T21:02:24.910Z</updated><title type='text'>55 Dias do Huambo</title><content type='html'>Amigos faz hoje 12 anos que as 14h10 minutos começara a famosa, terrível, humilhante, difícil e mortífera guerra dos 55 dias do Huambo, entre as FAA(Forças Armadas de Angola mais a Polícia) e as ex-FALA(Forças Armas de Libertação de Angola, braço armado da UNITA). A melhor homenagem que os sobreviventes podem prestar aos irmãos que partiram, é partilhar a sua experiência com aqueles que da guerra apenas ouviram falar. Convido a todos amigos que consultam esta página e são sobreviventes desta hecatombe a enviar os seus depoimentos à &lt;a href="mailto:pacatolo@yahoo.com.br"&gt;pacatolo@yahoo.com.br&lt;/a&gt; a fim de os publicarmos. Até 07 de Março data do fim desta maldita guerra partilhemos com os outros a nossa experiência de sobreviventes de uma guerra. É uma homenagem merecida. Podemos ajudar os outros a compreender a estupidez de uma guerra como a nossa e, talvez juntos, tentaremos buscar a sua razão, se que existe. Conto com a vossa coragem e força. Até lá um grande abraço.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110530454491146842?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110530454491146842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110530454491146842' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110530454491146842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110530454491146842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2005/01/55-dias-do-huambo.html' title='55 Dias do Huambo'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110440739984287182</id><published>2004-12-30T11:43:00.000Z</published><updated>2004-12-30T12:59:18.780Z</updated><title type='text'>Os Nomes Africanos</title><content type='html'>Os Nomes Africanos2003-08-06 Na sua habitual crónica quinzenal na secção intitulada «Epístolas do Ocidente», do Jornal Angolense, edição de 19 de Julho de 2003, Sousa Jamba, escritor, teceu considerações sobre “Os Nomes Africanos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sousa Jamba começa a sua crónica dizendo que a sua filha que nasceu na América chama-se Simbovala Etosi Kanga Jamba, um nome invulgar nos grandes centros urbanos.&lt;br /&gt;Para Jamba muitos angolanos que encontrou em Luanda e no Planalto Central nas três semanas que permaneceu em Angola estariam agora a rir-se e a dizer: «porque dar a uma criança um nome tão pesado e feio? Porque não deste a tua filha nomes como Vanessa, Hilary, ou CrystalRose? Os colegas vão zombar dela!»&lt;br /&gt;“Felizmente a Vala, como lhe chamamos em casa, nunca irá queixar-se das suas colegas porque ela nasceu no Estados Unidos e lá, ao contrário do que notei em Angola, os nomes africanos sim, mesmo nomes em umbundu são valorizados. Em geral a ideia de um certo multiculturalismo, ou mosaico cultural, está completamente enraizado nos Estados Unidos. Observei que na escola ou até mesmo, na creche, onde temos deixado a nossa filha, há meninas negras oriundas de várias partes de África com nomes africanos como: Nande, Aisha, Shola, Nana; Nyota, Keisha, etc. Muitos negros americanos, por exemplo, prezam os nomes africanos. Nas livrarias e bibliotecas, há manuais especiais para famílias negras que pretendem atribuir um nome africano aos seus filhos”, escreveu.&lt;br /&gt;Sousa Jamba fala do nascimento de sua filha Vala, e informa que “a médica que lhe prestou os primeiros cuidados, de origem polaca, tinha um espaço de crónica semanal no jornal principal de Jacksonville, o Times Union. Numa das suas crónicas, ela escreveu que achava o nome Simbovala tão encantador, depois de eu lhe ter explicado o seu significado. Simbovala vem de um provérbio umbundu: simbovala ovimpembe, kalunga okuvala omuenyo « (Não fiques obcecado com as lavras que já não rendem, porque Deus cuidará da tua vida» ou «nunca te esqueças do teu lado espiritual)». A médica americana lamentou o facto de muitos nomes anglo-saxónicos terem perdido o seu significado”.&lt;br /&gt;“A irmã que segue a Simbovala chama-se Kanga que em kikongo, a língua do pai da mãe das filhas, significa algo que une, aproxima... Em Luanda, Huambo e Katchiungo muitos disseram-me que eu devia ter dado outros nomes pelos menos, em português às minhas filhas. Encontrei mesmo gente que quase sentem pena de mim (acham-me tão rústico por ter dado nomes angolanos às minhas filhas) e das meninas (que passarão o resto das suas vidas com tais nomes). Pelo menos os angolanos passaram a dar aos seus filhos nomes brasileiros e não, como é o caso noutros países, nomes de tractores como Catterpillar. Em países anglófonos Zâmbia, Quénia, o Botswana, etc. há tradições como as de atribuir-se às crianças um nome de infância frequentemente, um nome que tenha a ver com as suas origens (Chanda, Kamau, Itumeleng, por exemplo) é um nome de adulto geralmente Europeu. É aqui onde as coisas completamente tornam-se absurdas, porque os nomes que escolhem têm mais a ver com vedetas americanas e europeias. Na Zâmbia, é possível encontrar um Nixon Mukandawire ou Reagan Bwalya ou mesmo Bronson Shona. No Botswana, há o hábito de dar nomes com significados sonantes e traduzidos literalmente para o inglês. Por isso é que há gente com nomes de Goodman, oh Good Not Another Boy (Oh deus porque um outro rapaz), Gift, Perfect, etc. em certos grupos étnicos por exemplo, os Lamba ou os Tumbukas da Zâmbia há bebés com nomes absurdos como Cabbage (repolho), Spon (colher) e, em muitos casos, bebés com nomes de marcas de carro Landcruiser, Gearbox, etc”.&lt;br /&gt;“O menosprezo a que os nomes africanos são votados está ligado a um aspecto que me impressionou bastante durante as minhas viagens pelo continente, o desprezo por tudo o que seja africano. A única excepção são os da África Ocidental, os nigerianos, mesmo os da classe mais alta (que são multimilionários) nunca menosprezaram os seus nomes de origem. Os nigerianos orgulham-se de nomes como Bola, Adebayo, Adewale, etc. e mesmo quando eles fazem filhos com outras nacionalidades, eles, insistem que o filho deve levar um nome yoruba, igbo, hausa, etc. Em matéria de nomes, os nigerianos não fazem compromissos. Para eles, um africano tem de ter um nome tradicional”, assegurou.&lt;br /&gt;“No mundo, há muita gente que concorda com esta asserção. Quando os ingleses, brasileiros ou mesmo russos vêem um angolano «sobrecarregado» com nomes oriundos das suas terras eles riem-se de nós. O escritor português, Pedro Rosa Mendes, descreve no seu livro Baía dos Tigres, uma viagem que efectuou pela África Central, nos anos 90, um episódio que ficou marcado na minha memória. Um angolano deu nome de Aristóteles ao seu filho mas tinha dificuldades em pronunciar o mesmo. Consciente das potencialidades cómicas de tal incidente, o escritor faz várias referências ao pobre angolano que mal sabia pronunciar o nome do seu próprio filho. Se o filho fosse Sakwanda, Kokelo, Chisola, Epandi, isto é, se vivesse, como as minhas filhas, na América, talvez isso não acontecesse”, concluiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UEA-Digital, Semanário Angolense (cortesia), Seomara Santos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110440739984287182?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110440739984287182/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110440739984287182' title='82 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110440739984287182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110440739984287182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2004/12/os-nomes-africanos.html' title='Os Nomes Africanos'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>82</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110433476227814198</id><published>2004-12-29T15:37:00.000Z</published><updated>2004-12-29T15:39:22.276Z</updated><title type='text'>Política Africana</title><content type='html'>MOÇAMBIQUE: A FRELIMO e o seu candidato presidencial Armando Guebuza venceram esmagadoramente as eleições gerais de 1 e 2 de Dezembro em Moçambique. Segundo os resultados oficiais anunciados pela CNE, Guebuza venceu as presidenciais com 63,74% dos votos, contra 31,74% do seu mais directo rival Afonso Dhlakama, candidato pela coligação RENAMO-União Eleitoral. Nas legislativas, a FRELIMO conseguiu eleger 160 deputados contra 90 da Renamo-União Eleitoral.                Em terceiro lugar das presidenciais ficou Raul Domingos com 2% dos votos, enquanto o seu Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD)  não conseguiu  atingir o mínimo de 5% de votos exigível para ter acesso à Assembleia da República, o Parlamento moçambicano.               Com estes resultados, Guebuza vai dirigir os destinos do país nos próximos cinco anos, substituindo Joaquim Chissano, chefe de Estado desde 1986. Guebuza torna-se assim no terceiro Presidente de Moçambique independente depois de Samora Machel e Joaquim Chissano.                             &lt;br /&gt;Sobre as eleições presidenciais e legislativas Moçambicanas há muito que se lhes diga. Mas comecemos pela sabedoria política que se vai acumulando ao longo dos tempos. Primeiro vale lembrar que em política aquilo que se ganha é de natureza diferente daquilo que se perde. Por isso, toda a tentativa de comparação é perigosa, já que é difícil encontrar um critério, medidas e termos de comparação. Segundo, sabemos que a democracia não é nem de longe nem de perto o melhor regime, mas dentre todos é o mais excelente ou o menos mau, porque mantém a possibilidade de afastar os maus governantes pacificamente através do exercício do voto livre, pessoal e intransmissível.( a ideia é de Karl Popper) Finalmente, precisamos compreender a distinção que Fareed Zakaria estabelece entre democracia liberais – aqueles em que o liberalismo constitucional é uma realidade, além da realização periódica de eleições livres e justas; e democracias iliberais – aquelas em o liberalismo constitucional não é uma realidade ou está em fase embrionária, mas que realizam periodicamente eleições livres e justas algumas e outras perto disso. Basta olharmos para os nossos países para compreendermos quão interessante é a distinção feita por Zakaria.               Feito este aceno e enquadramento da questão, facilmente compreenderão o nosso argumento a favor da vitória de Armando Guebuza, candidato da FRELIMO e sucessor de Chissano. Com a sua vitória a democracia moçambicana ganhou a possibilidade de se ir consolidando sem grandes riscos ou custos elevados; a possibilidade de se evitar um levantamento popular motivado por uma eventual mudança brusca nas políticas púbicas; a possibilidade de dar continuidade aquilo que foi bem feito por Chissano e melhorar aquilo que correu mal; a possibilidade da oposição rever as suas estratégias quiçá Dhlakama repensar a sua retirada e dar lugar a um novo rosto e novo vigor a oposição.               Entretanto, perdeu-se a oportunidade de se ter um governo  e uma presidência da RENAMO; a possibilidade de se ter uma mudança no rumo das políticos; a possibilidade de ver os interesses de outros grupos sociais que não se identificam com a FRELIMO representados no mais alto nível; a possibilidade de afirmação, implementação e aceitação de  uma oposição, enquanto alternativa ao partido que Governa o país desde a independência.               Torna-se difícil especular sobre o que aconteceria se Dhlakama ganhasse. Mas, como sabemos que em política aquilo que se ganha é de natureza diferente daquilo que se perde, é nossa opinião que, nesta fase da democracia moçambicana, a continuidade é salutar para consolidação da cultura democrática e estabilidade política do país; para o surgimento do liberalismo democrático de facto, onde o império da lei ou o Estado de direito é uma realidade que se faz sentir no dia-a-dia do pacato cidadão, onde as impunidades, a justiça por mãos próprias e a lei do mais forte já não têm guarida.                Somos a favor da mudança, conquanto ela respeite a tradição naquilo que funciona bem e mude apenas aquilo que  responde menos bem aos desafios presentes. Mudar pelo simples afã da novidade e querer arrasar tudo em nome da novidade é perigoso e prejudicial, porque corre-se o risco de não chegar ao “porto” ao fim da  legislatura e perde-las para o outro nas eleições seguintes, salvo se se governar virados para as eleições, em detrimento de uma política económica que relance a recuperação e o crescimento económico do país, atraindo o investimento estrangeiro e aumento a oferta de trabalho que, em última análise melhorará o poder de compra dos nacionais e o seu nível de vida.                Olhando de longe ao último mandato de Chissano e da FRELIMO fica-nos a ideia que o país fez alguns progressos dignos de registo. Por isso, faz sentido manter a FRELIMO e o seu candidato por mais um mandato para continuar com as reformas em curso e as políticas que projectaram a imagem de Moçambique interna e internacionalmente.                Em nome da continuidade, estabilidade e melhoramento parcial e gradual da política governativa, das políticas públicas,  das políticas económicas e da política externa ... do caminho tortuoso e difícil, mas necessário, para o liberalismo democrático que levará o país a uma democracia liberal, felicitamos a vitória de GUEBUZA e da FRELIMO.                Em estilo de conclusão, fica aqui um esclarecimento necessário. Não afirmámos que a eventual vitória de Dhlakama e da RENAMO poderiam trazer para o país uma mudança radical com as consequências enunciadas. Nossa preocupação é mostrar o que os moçambicanos e Moçambique ganham com a continuidade e não estabelecer comparações; o lado bom da democracia que é premiar os bons governantes com a sua reeleição; e o contributo da continuidade para transição de uma democracia iliberal à democracia liberal, minimizando ao máximo as perdas nessa transição.        &lt;br /&gt;Upindi Pacatolo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110433476227814198?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110433476227814198/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110433476227814198' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110433476227814198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110433476227814198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2004/12/poltica-africana_29.html' title='Política Africana'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-110433456077500615</id><published>2004-12-29T15:34:00.000Z</published><updated>2005-02-01T16:32:14.673Z</updated><title type='text'>Pensar Angola</title><content type='html'>QUO VADIS ANGOLA?&lt;br /&gt;Angola és um país do continente das grandes descobertas, sofreste a colonização. Sempre choraste! Como colonizado, foste quantificado no número dos países sub-desenvolvidos; com teus recursos naturais sub-aproveitados (...).Sempre choraste! Por seres um país da área sub-sariana no continente, e ainda mais, negro, foste catalogado como oriundo do chipanzé, pobre, miserável, indigente, mendigo, sempre infantil sem iniciativas para se libertar desta situação periclitante... Quem te colonizou, assim te estigmatizou, apresentou-te à humanidade, e vendeu a preço barato como geração a ser extinta (...) mesmo com os teus recursos naturais, capacidades intelectuais e potencialidades de vária ordem, permaneceste sempre chorando e, sem nunca crescer. Querendo despojar-te dos bens que Deus te outorgou com carinho e a natureza te reservou, foste feito assalariado dos grandes latifúndios que a história, no tempo te oferecia. Sempre a chorar, permaneceste na cabana , na estrada, nas fazendas, na pedreira (...) em casa do patrão, sempre babá ou macega, te estagnaste, cuidando cachorros, gado, varrendo a casa, lavando o patrão (...) e, continuaste chorando, esperando pelo momento da liberdade. Aproveitando-se da tua força, sem escolarização, como dizia Salazar “não deixeis que se dê ao povo (indígena mais do que a 4ª classe para que continue humilde e obediente”. Sem abertura de horizontes, foste lançado para o comércio triangular e fizeram ti escravo, mão-de-obra barata, para te tornares construtor de grandes monumentos históricos, que hoje, como construtor histórico, nem sequer tens direito de visitá-los, pois já carece de teu nome e esforço que bradam aos Céus, de modo que em alguns países aonde foste parar, tais como: Joanesburg (África do Sul), Brasil, S.Tomé e Príncipe, Portugal, Estados Unidos da América, etc. és, hoje, na conjuntura do todos, expressão do lúdico, sexo, desporto, carnaval, ladrão, pobre de rua, suspeita, traficante de entorpecentes, criado, aquele que dá pena, vagabundo, etc.&lt;br /&gt;Diante deste quadro, como não permanecerás sempre chorando! Angola acabaste sendo “osandji y’omeke yipayela ava yalya”, isto é, trabalhaste para o enriquecimento das grandes potência, dos opulentos sociais, daqueles que te colocaram a arma na mão com o princípio romano de expansão do domínio, que diz: “divide para melhor reinares” e, fazendo de ti, um País de fortes tensões, de guerras fratricidas, mundo de desequilíbrios, terra de pólvora, cemitério sempre renovado só de jovens que deviam ser os construtores de uma nova pátria e civilização, palco de negócio de todas as doenças (DTS), mercado favorável da propaganda hostil (...) e, tu continuaste sempre chorando. Assim, as tuas riquezas: petróleo, diamantes, café, sisal, palanca negra, tuas lindas florestas, as águas doces, (colocado até em 4º lugar no mundo das grandes potências hídricas), energia elétrica, peixe, banana, milho, feijão, batata rena e doce, ouro, borracha, calcário, madeira, zinguba, sal, florestas, terras potáveis, reservas naturais, etc. Tudo isto, passou sendo denominado indiretamente como riquezas estrangeiras, enquanto tu Angola, país da África, do Sul de Saara e negra, foste visto como pobre, coitadinho e sub-desenvolvido. E, tanto quanto se saiba, pelo estudo aturado, sobre os sinais vitais do sub-desenvolvimento, podemos dizer que tal existe quando se registra: A elevada taxa de natalidade (acho que não é o caso para Angola, já que pela extensão do país, até a densidade populacional se considera muito diminuta), mortalidade infantil, sub-alimentação, carência ou má gestão da água potável, habilitação escolar deficiente, fraca cobertura sanitária, distribuição deplorável das riquezas, valorização das ninharias, braços demasiados na agricultura rudimentares sem as mínimas condições de renda, industrialização deficiente e insuficiente, subordinação econômica, desigualdades sociais clamorosas, uma classe média diminuta, desemprego e sub-emprego, analfabetismo, situação inferiorizante da mulher, inexistência de meio de comunicação social ou uso e desfruto em prol dos exploradores, fraudulentos sociais, todos poderosos do país, deploráveis meios de transportes, estradas e pontes etc. E, tu que reflectes comigo sobre nossa trajetória histórica, nesta linguagem tão simplória, que dizes? Que havemos de fazer para sairmos desta situação catastrófica? Qual será teu contributo como verdadeiro cidadão que deve participar da política do país? Angola precisa de um novo sorriso, depois desta paz almejada e alcançada, através do teu entendimento contigo mesmo, sem a presença daquele que te silenciou, te massacrou física e psicologicamente e te dividiu para melhor reinar?! Vamos juntos reflectir, encetando o caminho para podermos salvar o que ainda nos resta. Os teus filhos não voltem mais a chorar, não sejam mais vistos como os indigentes da sociedade, pedintes, fraudulentos, injustos... Não voltem mais a chorar pela falta do que comer. “Dai-lhes vós mesmo de comer”, foi ontem o grito de Jesus, diante da comunidade que padecia de fome; nosso país tem recursos, tem condições de sobreviver e desenvolver-se, até mesmo de chegar ao podium dos vencedores, nosso país pode vencer, basta que todos nós acreditemos e trabalhemos para o efeito. É pouca vergonha com todos os nossos recursos estarmos sempre de braços estendidos ao mesmo tempo que damos gratuitamente nosso petróleo, diamantes, ouro e outros tantos recursos. Que os teus filhos, depois de reconstruir o país, nas suas infra-estruturas, mentes e seus espíritos, depois de tomar consciência do bem comum e divisão eqüitativa dos bens de todos, depois de terminarem de chorar, todos voltem a cantar um hino de recuperação, de tudo o que se perdeu durante a colonização, a escravização, guerra fratricida de mais de quatro décadas. E tu missionário, diocesano ou religioso, pastor, membro do governo ou de um partido político, agente de serviço de inteligência, militar ou paramilitar, etc. que fazes para que o sorriso seja uma realidade em Angola? Diante das estruturas do mal, qual tem sido tua parte como artífice da harmonia, da justiça social, do desenvolvimento e da paz? Que por ti, Angola volte a cantar um hino novo; um hino de liberdade. “Havemos de voltar”, como dizia António Agostinho Neto.&lt;br /&gt;Martinho Kavaya (Padre diocesano de Benguela, estudante no Brasil)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9837578-110433456077500615?l=upindi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://upindi.blogspot.com/feeds/110433456077500615/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9837578&amp;postID=110433456077500615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110433456077500615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9837578/posts/default/110433456077500615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://upindi.blogspot.com/2004/12/pensar-angola.html' title='Pensar Angola'/><author><name>Upindi Pacatolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04532163183486653285</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://1.bp.blogspot.com/_BtZF-NLrnDw/S4snzbTedTI/AAAAAAAAABY/65Jcd-YjPIA/S220/lcidd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
